27/08/2008

Moradas actualizadas

Nova listagem actualizada de moradas.
Pede-se a colaboração de quem visitar o Blog o favor de nos informar de alguma anomalia e ou a localização ou contacto de novos companheiros que não constem na lista

Armas na Guuerra de Africa

Carro de combate ainda utilizado em Angola
(Museo dos Combatentes – Lisboa)

26/08/2008

A Comunidade Portuguesa

Um trabalho do nosso antigo companheiro Ganganeli, complementado por uma típica receita Angolana.

A COMUNIDADE PORTUGUESA

Para existir uma comunidade é preciso que haja laços de ligação, baseados sobretudo na língua e na memória colectiva, passada de geração à geração, do bem e do mal, e interesses económicos, políticos e sociais. Assim, actualmente, a comunidade da língua portuguesa é formada de 8 países, www.cplp.pt., os quais se identificam com as bandeiras a seguir indicadas:

. Seria interessante saber o significado da bandeira de cada país. A bandeira portuguesa, a mais antiga, entre todas, teve início na década de 1128:

D. Afonso Henriques usou primeiro uma bandeira branca, quadrangular, com uma cruz azul centrada, e depois da batalha de Ourique em 1139, contra os mouros, substituiu a cruz original por uma cruz feita por 5 escudetes, também azuis, em forma de V, cada um simbolizando um rei mouro vencido, e dentro de cada escudete colocou cinco bezantes ou dinheiros, pontos brancos, lembrando-os as cinco chagas de Cristo, os quais somando no sentido horizontal e no sentido vertical, isto é 2 X 15, dão 30 moedas, em lembrança do acto de Judas da venda do Cristo.

D. Afonso III, finda a conquista aos mouros em 1248, acrescentou uma bordadura vermelha à bandeira anterior, nela representando 8 castelos em ouro, simbolizando as conquistas feitas aos mouros.

Ao longo dos tempos a bandeira foi sofrendo alterações, sendo de realçar as seguintes:

1 - D. Manuel I, 1495-1521, transformou a bandeira, bem como os escudetes, em forma de U e nela introduziu uma coroa simbolizando o absolutismo real, e todo este conjunto foi reduzido e centrado numa bandeira branca, quadrangular, quando, desde o reinado de D. João II, igualmente se encontravam, já, reduzidos para 7 castelos em ouro em vez de 8 anteriores, constantes da bordadura introduzida por D. Afonso III.

2 – D. João VI, 1816-1826, introduziu a esfera armilar, representando o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, incluindo os restantes territórios ultramarinos, já antes utilizada por D. Manuel I nas obras da sua iniciativa em homenagem aos navegadores portugueses pelo mundo, como sua marca, assinatura ou selo, e fixou nela o conjunto simbólico anterior.

3 – República passou a usar uma bandeira bicolor com duas faixas, dividida verticalmente, sendo uma verde, menor, representando a cor do mar alto sulcado pela primeira vez pelos navegadores portugueses, com a esperança de descoberta das novas terras para o engrandecimento da Pátria, e a outra faixa, maior, rubra, representando a energia, esforço e sacrifício para a construção de Portugal europeu e ultramarino, através da expansão tanto na Península Ibérica como nas terras ultramarinas, Ásia, América e África, feita com a actividade militar e também com o proselitismo dos missionários franciscanos, dominicanos, jesuítas, etc.

O símbolo de cruz, significando a união dos 4 pontos cardinais, norte, sul, este e oeste, é o centro da bandeira portuguesa, desde os tempos iniciais de estabelecimento da nacionalidade portuguesa, e que com a expansão portuguesa se espalhou pelo globo, representado como uma esfera armilar, onde podemos encontrar os 8 países de expressão portuguesa, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste, bem como os restantes falantes da língua portuguesa espalhados pelo mundo.

D. Afonso Henriques ao afirmar-se como cavalheiro do apostolo Pedro deu início a cristianização do mundo, o que depois foi reforçado com a assinatura com a Espanha dos Tratados de Toledo e de Tordesilhas, através do Papado.

A constituição de 1822 passou a referir os territórios ultramarinos como províncias e definiu a Nação Portuguesa como a união dos povos de Portugal, Ilhas Adjacentes, Brasil, possessões africanas e asiáticas, principio que foi reforçado sucessivamente na carta constitucional de 1826 e nas constituições de 1838, 1911 e 1933.

A revolução industrial inglesa, as revoluções americana e francesa, e a doutrina cristã, defenderam a igualdade para todos os povos e consequentemente se fez a guerra anti-esclavagista e o liberalismo em Portugal expandiu a cidadania portuguesa aos indígenas dos territórios ultramarinos e sucessivos governos difundiram naqueles territórios a língua portuguesa, como língua oficial, a religião e a moral católica, os costumes e as tradições, enquanto as línguas e culturas locais continuaram como meio de comunicação local e complementar;

Os códigos administrativo, civil e penal e outra legislação, aprovada em Lisboa, foi aplicada, após a adaptação aos costumes e tradições locais, em cada província ultramarina.

Esta ideia de comunidade, depois da 2ª Grande Guerra Mundial, foi continuada pelos pensadores da corrente luso-tropicalista, Gilberto Freire, Agostinho Silva e Norton de Matos, projecto que também foi defendido na década de 1950 pelos governos português e brasileiro, mas depois o Brasil, com o Presidente Jánio Quadros, esquerdista e simpatizante da União Soviética e de Fidel Castro, aproveitando a recusa das autoridades portuguesas em aprovar a proposta dos produtores de café brasileiro, em crise, de se aliarem aos produtores do café angolano, distanciou-se deste projecto de formação de uma comunidade única..

Mas em 1962 o governo português tentou recuperar a aproximação do Brasil através da argumentação de que a comunidade luso-brasileira favoreceria ambas as partes, com vantagens económicas e políticas, ideia que não avançou porque o Brasil invocou a necessidade de um referendo aos territórios ultramarinos para confirmar se os povos dos territórios ultramarinos se queriam manter-se portugueses, posição que contrariava a doutrina do governo português de que o ultramar era parte integrante da nação portuguesa e como tal não referendável.

Marcelo Caetano em 1971 procurou nova aproximação em termos empresariais, económicos e financeiros, abrindo Lisboa, Luanda e Lourenço Marques aos bancos brasileiros com facilidades de comércio e com a ampliação das linhas de navegação entre Brasil e Portugal e em 1972 afirmou que a "comunidade luso-brasileira pode ser um agente activo da história do mundo se quisermos que a seja, digo agente da história e para isso importa não acreditar na fatalidade que condena os povos a destinos inexoráveis, nem deixar-se arrastar por correntes dominantes, onde, sob o pretexto de ideais, preponderam os interesses, mas procurar resolutamente um propósito e segui-lo com inabalável firmeza de vontade."

Em 1974 General António de Spínola no seu livro "Portugal e Futuro" defendeu um "Estado pluricontinental" com desconcentração e descentralização de poderes em toda a "Comunidade Lusíada".

Também em 1974 Joaquim Barradas de Carvalho disse:"..assim, perante a encruzilhada, a Europa ou o Atlântico, pronunciamo-nos pelo Atlântico, como única condição para que Portugal reencontre a sua individualidade, a sua especificidade..ora esta apreciação passa..pela formação de uma autêntica comunidade luso-afro-brasileira, se um dia os legítimos representantes dos povos de Angola, Guiné e Moçambique, assim o entenderem, assim o decidirem…Nela todas as partes se reencontrariam na mais genuína individualidade linguística e civilizacional. É esta a condição para que Portugal volte a ser ele próprio."

Com a sua adesão a CEE em 1986 Portugal recuperou-se economicamente e reatou relações com os antigos territórios ultramarinos e com o Brasil e tornou-se uma plataforma privilegiada para os países lusófonos para entrada no mercado europeu e para a cooperação cultural, política e económica, e em reforço dessas posições, entretanto, tomaram algumas medidas:

- Desde 1985 a Fundação Gulbenkian dedicou-se a difusão da língua portuguesa;

- Foi criada em 1988 a Fundação Oriente para reforço de ligação histórica e cultural entre Portugal e Extremo Oriente, Macau, países do Índico e do Pacífico, abrangendo as rotas marítimas portuguesas;

- Em 1989 realizou-se em Lisboa o 1º Congresso dos Escritores da Língua Portuguesa;

- Foram criados em 1991 o Instituto de Camões para a promoção da língua portuguesa e o Fundo para a Cooperação Económica;

- Em 1992 foi criada a RTPI para ligar os falantes da mesma língua e coordenar as estações televisivas de Portugal, Brasil, PALOP e Timor, EUA, África do Sul, Macau e Galiza;

- Foi criada em 1994 a Fundação Portugal-Brasil ou Fundação Luso-Brasileira para promoção da língua portuguesa.

Para incluir na ementa do almoço, dia 6 do próximo mês, aqui vai a receita do prato típico angolano:

MUAMBA DE GALINHA

Ingredientes:

. 1 galinha caseira

. 600 grs de dendéns

. 300 grs de quiabos tenros

. gindungo q.b.

. sal q.b.

. 1 dl de azeite

. 2 dentes de alho

. 2 cebolas médias

. 350 grs de abóbora carneira

Confecção:

Depois da galinha arranjada e lavada, corta-se aos bocados e tempera-se com sal, alho e gindungos pisados. Faz-se o estrugido com a cebola e azeite e põe-se nele o preparado. Entretanto cozem-se os dendéns, escorre-se a água e extraem-se os caroços, depois de os pisarem, e adiciona-se cerca de 1 litro de água e, após espremer, côa-se a massa e junta-se esta à galinha e deixa-se cozer, juntando a abóbora cortada aos cubos e os quiabos. Finda a cozedura, serve-se a muamba acompanhada com funge e bebendo um bom vinho tinto ou água.

Bom apetite.

21/08/2008

Regresso de Angola - Agosto de 1971

Terá sido a 21 de Agosto que regressámos ?
(Deixamos o desafio a quem melhor se recordar desse memorável momento que a foto demonstra)
Foi por um destes,
o dia ao certo, não posso recordar
se foi Sábado ou
Terça-feira
o interesse era voltar
muitos chegámos
alguns,
infelizmente,
por infame glória
indigna de enredo e de
historia,
por lá lhes foi ceifada a vida, que
lutámos,
na força da sua,
da nossa juventude
... os Deuses sempre ajudam uns . .
.
Aqui o testemunho visual do momento em que o Vera Cruz acostava à Rocha Conde de Óbidos, passados cerca de 25 meses após ter acontecido exactamente o inverso.
Eram lágrimas que muitos tinham a escorrer pelo rosto, estas do regresso eram lágrimas de mel, as outras, as do momento do embarque, foram lágrimas de fel

17/08/2008

T 6 - Na guerra em Angola

Museu do Combatente -Belêm
Modelo de T 6 - à escala

Original americano
Um dos modelos

Imagem de um dos aviões utilizados ainda durante a nossa permanência em Angola – T6

Embalado para seguir para Africa

Um avião propulsionado a helice, muito antigo de fabrico americano, utilizado em Angola como bombardeiro.

Em voo

Ao tempo havia uma esquadrilha de 2 aviões deste tipo que quando necessário, vindos do Toto, operavam na nossa area de acção, fazendo tambem base em São Salvador.



A presença era notada pelo roncar caracteristico do seu motor



O T-6 foi um dos mais famosos aviões monomotores de hélice, conhecido por nomes como "Texan", "Harvard", "Yale", "Wirraway", "Mosquito", "Boomerang" e "Tomcat", conforme o país que o usava.

Nas OGMA - Alverca com todo o armamanento

Foi adoptado na força aérea de 55 países, desde avião de treino de pilotos, a bombardeiro.



Criado em 1935 pela North American, começou a ser utilizado em força em 1940, sendo introduzido em Portugal em 1946

15/08/2008

Moradas actualizadas


Actualizamos hoje a lista de nomes e moradas ( dos que nos são conhecidos) de todos os nossos companheiros, no Blog
(Sugerimos que nos façam correcções, emendas ou pedidos de inclusão de nºs de Telefone, Telemóvel ou endereços de Email)

14/08/2008

De S Salvador ao Lufico



Para a historia da guerra aqui fica o testemunho dos muitos que por lá andaram, na zona onde nós estivemos.



Estes, antes de nós



De S. Salvador a Lufico




Fonseca aproximou-se da sentinela com a mesma facilidade com que um felino fila a presa que pretende caçar. Oprimiu a respiração, estava a dois passos do sacana. Num salto certeiro, a arma agarrada com as duas mãos, deu com o topo da coronha na nuca do bandido, que caiu como um tordo! Com o punhal, deu o golpe final àquele desgraçado. Os homens da secção seguiram atentamente os seus últimos gestos e avançaram no envolvimento das duas palhotas da entrada do acampamento inimigo. A surpresa foi fatal para os restantes quatro bandidos que tentaram fugir em tronco nu. Não deram sinal de rendição e os homens das secções posicionadas no enfiamento do trilho de acesso, dispararam as balas mortíferas que varreram tudo, com a rapidez de um relâmpago, perfuraram os corpos que foram caindo junto às palhotas.


A densa vegetação que ladeia as palhotas prejudicava a vigilância, e os bandidos das palhotas do fundo fugiram para a mata. A experiência de outras situações semelhantes não aconselhava a perseguição no "escuro". E os pára-quedistas tomaram precauções... mas o capitão ordenou à secção do sargento Assis:

- Manda três homens vigiar a mata por detrás das palhotas, que nós vamos dar duas rajadas de aviso aos que fugiram, só para saberem que contamos com eles para a festa da noite...

À ordem do comandante, as rajadas cortaram as folhas e assustaram os homens do pelotão do alferes Oliveira que estavam nas palhotas do fundo. O capitão conferenciou com os outros oficiais e comentou:

- Os que fugiram não nos devem inquietar mais; mas vamos andar com redobrada atenção.
Era admirável a paciência daquele pessoal. Setenta homens de mochila às costas, com a fome a roer o estômago, e ninguém aproveitou para tirar uma ração e comer!
Esta é uma guerra donde até os animais fogem... só ficaram as hienas e alguns mabecos para limparem o terreno de carne podre!

Nos locais de perigo eminente, as probabilidades de ataques não deixam espaço para distracções e ninguém adormece; mesmo quando comem as suas rações, continuam vigilantes.

- Os presos só dão chatices. – diz o Serôdio, enquanto abria a lata de atum.
Ainda não esqueceu o dia em que teve à sua guarda um prisioneiro que tentou fugir e o fez andar ligeiro da perna... dando-lhe com o capacete nos olhos para o acalmar!
Se não era o sol escaldante a tolher a vida à malta do capim, eram as trovoadas com chuva de afogar os animais de perna curta. Mesmo assim, a fila de pirilau avançava no lamaçal e as botas afundavam-se nos sulcos escondidos na água lodosa que as enxurradas descarregavam para a picada. E quando os raios de sol começavam a secar os camuflados, saíam névoas de fumaça como se os corpos fossem tochas sem chama. Dois sons estridentes de um apito, saídos do meio da mata, puseram todo pessoal em sobressalto! Logo tomaram posições defensivas e vigiaram as árvores e os pontos mais sensíveis às emboscadas. Os minutos alongaram-se sem que se vislumbrasse qualquer movimento. Esta nova forma de comandar... espantou os homens do capim; perceberam que os bandidos andariam à ordem do apito do chefe, uma novidade. Mas o som infiltrado na mata não abrandou a continuação da missão bem no meio da guerra, nem esmoreceu a vontade de vencer os obstáculos até ao regresso a Luanda.

O grupo rompeu mata dentro, atravessando as linhas de água, simples ribeiras ou riachos. Umas a vau, deixando as botas a espichar, outras por cima dos troncos de árvores arrastados e atravessados nos riachos. Depressa apareceu o capim a ladear a vegetação rasteira e, algumas vezes, com clareiras alongadas. Foi curto o tempo para apreciar essas clareiras... as balas pareciam saraiva a bater nas árvores marginais à picada. Não fora a rapidez com que os homens da frente se abrigaram e o desastre seria bem maior do que na picada de Quicabo para as sete curvas.

De repente, um gemido... e o Carmo contorcia-se com dores – fora atingido por duas balas. Duas secções fizeram o envolvimento pelo flanco mais arborizado, para recuperarem a acção de fogo da malta que ficou à mercê das balas inimigas. Os homens da secção do Abrantes rastejaram até à posição frontal para bater os terroristas. Mas o Vilela ficou ferido com uma bala no braço esquerdo, arrastou-se para um sulco do terreno e continuou a fazer fogo. O Carmo, com as calças ensopadas em sangue, virou-se de costas, ficando mais protegido, e o enfermeiro atendeu aos gemidos. Coisa grave, uma bala arrombou o escroto e os tomates ficaram desfeitos! Já em fase de acalmia, o capitão aproximou-se e, desagradado pelo poder de fogo do inimigo, murmurou:

- Há nove ou dez meses atrás, estes sacanas atiravam-se contra as balas e morriam às centenas; não encontrámos nem uma automática nos despojos dos mortos! Nos ataques que fizeram, durante dias a fio, contra a Damba, Quitexe, 31 de de Janeiro, Bungo e outras povoações, foram recebidos a fogo duro e morreram aos magotes. Agora é isto... estão bem abastecidos! Virou os olhos para o tenente Aleixo, que entendeu a mensagem.

- Vamos acabar com eles... e é para já. – exclamou o tenente, de semblante tenso.

Fez um sinal bem pronunciado ao sargento Ferraz para mandar contornar a pequena elevação de terreno e tentar apanhar os terroristas por trás... Enquanto a secção do Saldanha tomava uma boa posição de fogo e corria com os bandidos que restavam; e os gajos perderam a força e a graça das novas armas, dando uns tiros espaçados e à distância.

Mais de sessenta homens habituados a bater trilhos e picadas no meio das densas matas dos Dembos, Sacandica, Quimbele, serra de Mucaba e Inga, ficaram admirados com as novidades que os terroristas da UPA apresentaram. Ao contrário do que pretendem insinuar os chefes dos gabinetes do ar condicionado, que vão perdendo o aprumo, a guerra existia e com melhores meios para o inimigo! Sinal de que estava para durar...

O pelotão do tenente Aleixo ficou a proteger o pessoal na prestação de socorros aos feridos. O caso mais complicado era o do Carmo; mas o enfermeiro conseguiu estancar a hemorragia, injectando coagulantes. Foi bem atado com ligaduras a contornar a gaita... que ficou com um volume descomunal! O facto serviu para alguns comentários irónicos, uns mais pessimistas e outros menos. A malta sempre foi propensa a levar as coisas pela positiva, onde se destacavam os reguilas das bandas do Tejo a analisar a situação.

- Eh pá, como é que o Carmo se vai safar com a gaja que deixou lá na terra? – indagou o Cacela, com toda a seriedade.

- Lá terá de se mandar fora, ou arrisca-se ao tormento da cornadura sem conta e medida. – sentenciou o Baleia.

O Sousa não gostou do que acabava de ouvir, recordando as palavras do enfermeiro Pena, que enrolou as ligaduras à volta dos tomates do rapaz, deu o seu palpite:

- Se o Pena deixou a pichota do Carmo fora das ligaduras é porque a coisa ainda funciona; o que é bom para a saúde mental do moço. A malta deve animá-lo; se é grande a dor do ferimento, quanto mais não será o desgosto de saber que lhe romperam o saco dos colhões – um autêntico desastre!

O pelotão do alferes Oliveira contornou o morro, à procura de indícios dos terroristas. A mais de duzentos metros da encosta, descobriram um esconderijo com água e alimentos guardados. Fizeram de conta... seguindo morro acima, até à segunda surpresa do dia: uma gruta com pouco mais de um metro de altura na entrada... donde saiam sons sibilantes de palavras. O sargento Pereira fez sinal de silêncio e recuou. Dispôs o pessoal de um só lado da gruta, prontos a disparar contra qualquer bandido. Os homens das outras secções afastaram-se do campo de tiro e tomaram a posição deitados. O alferes puxou a cavilha à granada que atirou para dentro da gruta... seguiu-se uma explosão abafada e uma nuvem de fumo espalhou-se morro acima. Poucos minutos após, cinco negros vestidos de caqui saíram disparados como um vendaval. As balas de raiva soltaram-se das armas e dizimaram os bandidos que tombaram morro abaixo. Com os olhos vidrados, a lacrimejar, ali ficaram estendidos à mercê das hienas...



As tentativas para entrar na gruta saíram frustradas, porque o fumo não permitia ver os contornos do esconderijo. Antes de ser armadilhada a entrada da gruta, o sargento Ferraz atirou mais uma granada bem para o fundo, na tentativa de destruir quaisquer armas que os bandidos tivessem deixado!

As tentativas para entrar na gruta saíram frustradas, porque o fumo não permitia ver os contornos do esconderijo. Antes de ser armadilhada a entrada da gruta, o sargento Ferraz atirou mais uma granada bem para o fundo, na tentativa de destruir quaisquer armas que os bandidos tivessem deixado

11/08/2008

Pelas terras por onde andámos . . .

Pelas terras por onde nós andámos . . ., nos dias de hoje, tudo está como se relata, nesta viagem destes dois motociclistas sul-africanos

We're back on the beach! We crossed into Angola at sunset, so we decided to spend the night at the tiny border town of Noqui, and camped on a sandy beach on the banks of the Congo River. Apart from the fact that the local kids clearly use the one rocky end as a toilet (and they have left every stone unturned…), it was an idyllic spot, with lights of the town twinkling and music from a local bar reaching us across the bay.

Some of us bravely took a dip and a wash in the river in the morning, then did our laundry alongside the locals doing theirs. (Bio-degradable soap is a must.) Day 50 had us heading for Nzeto, along a narrow track with thick vegetation on either side – this northern part of Angola is surprisingly green. Sometimes the forested canopy of trees closes overhead and there are plenty of baobabs. The road was red dirt, but it was good – until we reached Tomboco. Once, a very long time ago, this section was tarred. Now it's a nightmare of monster potholes linked by skinny ridges of tar.

We're also seeing plenty of evidence of the war here – rusted, mangled military vehicles on the roadside, blown-up bridges and a couple of de-mining camps, with cleared areas marked by red and white wooden stakes – but you never can be too sure. We're taking care to stay on the road, even for toilet stops; definitely no wandering off into the bush. We had another great beach camp at Nzeto – fairly dilapidated and shot up, but we arrived in the dark again. Our maximum speed for the day was just 58km/h, with an average of 28km/h.

De Luanda ao Congo

As terras por onde andámos, estão como aqui se relata, no ano de 2008

Par quem conheceu o Ambrizete, Tomboco e Lufico e Luanda

Apr. 04, 2008. We left Luanda early in the morning, yet again after a huge downpour during the night. It took us almost two (2) hours to get out of the city, passing through some very bad and poor areas of town. The roads were total mud with waterholes the size of the motorcycle. Tin shacks cover the area on each side of the road. Living conditions are very sad. Each gas station we pass was either out of gasoline or there was a two (2) hour line up of vehicles. Approx. 30km outside of Caxito, we finally find a gasoline station that is only a 10 minute wait. We had heard that there was no gasoline available from Caxito to Matadi, 478km. In addition to our four (4) litre canister we filled (4) 1.5 litre water bottles with gasoline and strapped them to the motorcycles. Here we also met a truck of Brits and Norwegians on there way to Ambriz. They confirmed the gasoline shortage and road conditions. It started to rain heavy before Caxito and the road turned to slippery mud. At least we were moving ahead, through only at 20km/hr. It took us all day to N'zeto, approx. 300km. After the Ambriz turn-off there was a gated check-stop to confirm that we had a Democratic Republic of Congo Visa, otherwise we would not have been able to proceed. We also took the opportunity to purchase another eight (8) litres of gasoline from the black market at 100KZ/litre ($1.30CDN/litre), normally 40KZ/litre ($0.53CDN/litre). The town of N'zeto is a ghost town. Dilapidated Portuguese buildings line the main road. One can tell that it used to be a pretty town on the coast at one time. We actually find an English speaking person who tells us to set up camp at the police station, which we did. No toilets or running water. We make ourselves some supper and get some rest.
Apr. 05, 2008. The 80km to Tomboco only took us 2 1/2 hours, at this rate we should make it to the border by the end of the day. We stopped at the local "market" in Tomboco and I picked up some cookies, banana's and bread. Just outside of Tomboco the road splits and that is were the fun started. We spend seven (7) hours to cover 60km. The road turned into a mere trail leading through thick jungle with the occasional settlement of a few mud/brick houses. Besides muddy roads, every couple of hundred meters was a huge water hole. Each ascent and descent had massive washed out ruts. The battery on Mike's motorcycle was giving us trouble and we had to boost it every time it stalled. Then one waterhole was actually deeper than the air intake on the motorcycle and we sucked in water. At 99.9% humidity and 30+Deg Celsius in the blazing sun we took out the spark plugs and air filter to dry out. It took an hour to get the motorcycle going again. At this point we had stripped down to only riding pants, boots, helmets and gloves. We walked every water crossing to ensure the motorcycles would make it. In addition we did not shut off Mike's motorcycle in case it would not start again. At 5pm it started to rain heavy, we decided to continue riding but it was impossible. Instead we pitched the tent in a small settlement in the rain. Everything was soaked, but we required rest.
Apr. 06, 2008. The road did not improve, we passed through Lufico. Mike's motorcycle gave us trouble again and we boosted it. The previous day we had met a total of three (3) vehicles on this road. Luckily we had booster cables on us. Stopping yet again at a muddy waterhole the motorcycle stalls and will not start again, even with the booster cables. We switch batteries to ensure that it is a battery problem and not something else. It confirms that the battery is done. From the GPS location we are approx. 20km from Lufico and 28km form Mpala. As we had past through Lufico, we knew that there were no services that could assist us. Our only hope was Mpala. Mike takes my motorcycle to see if he can find another settlement close by, while I stay with the motorcycle in the jungle. The bush and trees were so thick on the side of the road that though I heard voices I could not see anyone. We did not want to leave the motorcycle behind without anyone watching it as we had seen what happened to other abandoned vehicles on the side of the road. Within a few hours there is only a frame left and everything else has been salvaged. Mike returns after an hour and tells me that there is a small settlement only 2km away, the road is bad and he had gotten stuck twice. We decided to ride one motorcycle with gear to the settlement, remove the battery, walk back the 2km and then ride the other motorcycle. At least we were with some type of civilization. While Mike walks back with my battery to his motorcycle I hang out with the local women. Sitting among them, I helped remove peanuts from their shells. It was very interesting, as they treated me as one of them. They started looking for lice and ticks in each others hair. I remember getting itchy watching them. Then they used an empty beer bottle and ground the Peanuts into Peanut butter. A few Peanuts were roasted for me and Mike. There was no power or other services available at this settlement. We were able to communicate our problem and someone led us to a generator. Mike negotiated to pay $20.00US to charge the battery for a couple of hours via the generator. The cost of gasoline on the black market this remote is 1500KZ/litre ($20.00CDN/litre). After a couple of hours they noticed that the charger on the generator was not working. But there is another guy with a smaller generator who also wants $20.00US. Another two (2) hours pass. We realize that we will have to spend the night and pitch our tent in the mud. The settlement is called Bemfica, of course not on any map. The battery was not holding the charge, our worst nightmare had came true. We had covered 23km, to add to our worries we were using a lot more gasoline then anticipated. Riding all day in first gear increased the fuel consumption. Our water supply was down to 1 1/2 litre. The water from the rivers was a murky brown color and we really did not want to start drinking that. There were no toilets or showers. A local woman took me into the bush to show me were everyone went to the bathroom. I was mainly concerned about the landmines and kept to the well cleared foot path. Three (3) full days had past since we left Luanda. We both were exhausted and tired, realizing that it was a dangerous situation to be in. We only had met one other vehicle all day going the other way.
Apr. 07, 2008. We decided to ride two up on my motorcycle to Mpala 26km from Bemfica to arrange for a truck. It took us over two (2) hours to reach the settlement. Every couple of hundred meters I would jump off the motorcycle, walk through the water crossing or check-out the best route to go through washed out road sections. From the distance we could see the settlement of Mpala and we both became worried that there were again no services. Mpala is made up of no more then 20 houses with no power. But we were in luck, two (2) large construction trucks were parked at the entrance to the settlement beside the police check point. Prior to leaving in the morning we had sketched up on a notepad what we required. A broken down motorcycle, a truck, the towns name where the motorcycle was and where we needed transportation to. We stop at the check-point and are instantly surrounded by people. We show them our sketch and it works. To our amazement the mechanic of the construction trucks speaks English. He had studied English at University in Luanda. We both thought "And what are you doing in this place?". It all made sense later. I negotiated with the boss of the construction outfit $500.00US to pick up the motorcycle in Bemfica (26km) and take it to Nogui (85km) at the Angolan/DRC border, as there was no other settlement large enough to have any type of services (ie. Battery). At first the boss said he was busy, but after talking money it was arranged. The construction company is actually from Luanda and hired on by the Government to build a school and other various buildings in Mpala. As there is no water close by, they truck it in and the truck which was supposed to move the bike was loaded with large water containers. It took another couple of hours to unload the truck and then six (6) guys jumped on the back, equipped with shovels in case we would get stuck. It took us 1 1/2 hours to drive the 26km to Bemfica. Arriving in the settlement we were happy to see everything in one piece. We took the tent down and loaded the motorcycle. The straps I had been carrying since Germany, finally came in handy, but it still took six (6) guys to hold it upright on the way back to Mpala. We had decided to load both motorcycles on a bigger truck for the road from Mpala to Noqui. It was late afternoon as we made it back to Mpala and there was no point to continue until the next day. Instead we set up camp in the police check point yard. The construction company provided us with fresh oven baked bread and juice. Day 4 had passed and we were starting to run out of water and we had not had a real meal since Day 1. All we could think about was to get the hell out of here. The original plan to load the motorcycles on the bigger truck was scratched as the only way to get them into the truck was via a crane (not available). Instead it was decided to use the smaller truck.


09/08/2008

BCAC2877 – Visitas ao blog - Estatistica

Por curiosidade, apresentamos hoje a estatistica das visitas ao Blog do BCAC2877 no último ano.

Média diária de visitas – 14

Média diária de páginas visitadas – 31

Nº de visitas – 5.262

Nº de páginas visitadas – 11. 468

Com excepçõao do mes de Junho, a tendencia do numero de visitas e páginas visitadas tem aumentado mensalmente.

Países origem das visitas – Portugal sempre em primeiro lugar, Brasil, Angola, estados Unidos e vários paises da Europa

07/08/2008

06 de Agosto

Sabem, hoje é dia 06 de Agosto de 2008.
(No final do escrito fica uma nota do que aconteceu de importante neste dia, por aqui e por outros anos e por outras paragens)
Nada seria importante neste dia a não ser que nos lembremos que daqui a exactamente 30 dias, melhor 1 mês, teremos o nosso almoço de confraternização.
Já estávamos a fechar a "loja" do Blog, quando nos lembrámos, durante mais uns minutos, voltar a falar no almoço. Sabemos que a "última hora" é sempre apanágio de muitos portugueses. Quem esteve na guerra tambem não foge a esse virus.
Assim, como que a lembrar para um tratamento, aqui vái um comprimido para avivar a memória daqueles que deixam tudo para a "ultima hora".
Não devemos esquecer que existem compromissos com o restaurante e que com antecedência devemos indicar o numero de presenças.
Eventos históricos a 06 de Agosto
1661 - Assinatura da Paz de Haia entre Portugal e a República Holandesa.
1823 - Fundação do município paulista de Pirassununga
1825 - Independência da Bolívia
1890 - William Kemmler é executado por eletrocussão numa cadeira elétrica, na primeira utilização histórica deste método de execução.
1945 - Segunda Guerra Mundial: Lançada a pequena bomba atómica "Little Boy" sobre Hiroshima, a partir do B-29 "Enola Gay".
1962 - Independência da Jamaica
1966 - Inauguração da Ponte Salazar, hoje Ponte 25 de Abril.
1990 - Benazir Bhutto é destituída do cargo de primeira-ministra do Paquistão em seu primeiro mandato, sob acusação de abuso de poder, nepotismo e corrupção. Foi a primeira mulher a ocupar este cargo em um estado muçumano moderno.
1996 - Ultimo show dos Ramones
2003 - Inauguração do novo Estádio Alvalade XXI pertencente ao Sporting Clube de Portugal
2008 - Primeiro dia de competições dos Jogos Olímpicos de Verão de 2008 (ver artigo principal)

[editar] Nascimentos
1180 - Imperador Go-Toba, 82º imperador do Japão.
1775 - Daniel O'Connell, líder político.
1776 - William Hyde Wollaston, químico britânico (m. 1828).
1809 - Alfred Tennyson, poeta britânico (m. 1892).
1869 - David McKee Wright, poeta e jornalista.
1881 - Alexander Fleming, cientista médico bacteriologista britânico, descobridor da penicilina (m. 1955).
1911 - Lucille Ball, atriz cinematográfica e comediante de televisão estadunidense (m. 1989).
1912 - Adoniran Barbosa, músico, cantor, compositor, humorista e ator brasileiro (m. 1982).
1917 - Robert Mitchum, ator cinematográfico estado-unidense (m. 1997).
1921 - Buddy (William) Collette, músico.
1928
Andy Warhol, artista desenhista, pintor, publicitário e escultor da "pop-art" (a sociedade de consumo) (m. 1987).
Jan Kucera, escritor.
1930 - Albano Dias Martins, poeta português.
1934 - Gianfrancesco Guarnieri, ator cinematográfico e de telenovelas italiano radicado no Brasil (m. 2006).
1935 - Mário Coluna, futebolista moçambicano-português.
1937 - Baden Powell de Aquino, músico (violonista) e compositor brasileiro (m. 2000).
1938 - Paul Bartel, escritor, diretor e ator.
1942 - George Jung, traficante de drogas estadunidense.
1944 - Irene Ravache, atriz brasileira.
1947 - Dennis Alcapone, músico jamaicano.
1951 - Milton Neves, jornalista e apresentador de televisão brasileiro.
1965 - Otávio Muller, ator brasileiro.
1970 - M. Night Shyamalan, diretor e ator cinematográfico.
1972 - Geri Halliwell, cantora britânica.
1973 - Vanessa Gerbelli, atriz brasileira.
1983 - Robin van Persie, futebolista holandês.
1987 - Francine Guilen, a Srta. Ni.

[editar] Falecimentos
523 - Papa Hormisdas
1221 - Domingos de Gusmão
1458 - Papa Calixto III, (n. 1378)
1552 - Matteo da Bascio, fundador da Ordem dos Capuchinhos (n. cerca de 1495)
1700 - Johann Beer, poeta.
1978 - Papa Paulo VI, 263º papa. (n. 1897)
1998 - André Weil, matemático francês (n. 1906)
2001 - Jorge Amado, escritor brasileiro (n, 1912)
2003 - Roberto Marinho, jornalista brasileiro (n. 1904)]
2005 - Ibrahim Ferrer, cantor cubano (n. 1927)
2006
Moacir Santos, arranjador e instrumentista brasileiro (n. 1925).
Dudu, ex-jogador de volei do Sport Lisboa e Benfica.

06/08/2008

BCAC2877 – Confraternização de 2008 – 06 de Setembro


Com muita pena nossa, este não é ainda o local da recepcção para o almoço de confraternização. Talvez um dia . . .



Continuamos a receber algumas marcações.

Algumas cartas estão devolvidas.



Solicitamos que o pagamento seja efectuado conforme pedimos na nossa carta - atraves de transferência bancária.

Dia 06 de Setembro de 2008

Não estamos a ver que haja incompatibilidade com o nosso encontro anual

Dia do Sexo - 06 de Setembro
Tem dia para tudo no nosso calendário, mas uma das coisas mais importantes era quase que ignorada: O SEXO
Sabemos que se deve ao puritanismo, preconceitos, tabus e outras coisas, não quero me deter ai, mas a sociedade "evoluiu", ou não?
Calma, a proposta não é nenhum tipo de festa, ou suruba propriamente dita, com ingresso pago, comes e bebes e ala vip, é apenas "um dia para a sociedade brasileira discutir abertamente o assunto, mostrar o seu lado positivo, quebrar tabus, acabar com preconceitos e, é claro, fazer sexo."
Numa campanha pra lá de inteligente a marca de preservativos Olla acaba de lançar a data: 06 de setembro. Além de ser véspera de feriado ( no Brasil) é uma data muita sugestiva: 6/9!
Grandes empresas como MTV e Vírgula.com apoiam a iniciativa,
faça o mesmo, na pior das hipóteses lembre-se da data, servirá como mais uma cantada barata
Cientistas aprovam, dizem que mantem a pressão vascular estável, previne queda de cabelo, melhora o humor, evita o stress, faz bem para a pele...
Ainda precisa de uma justificativa melhor?
"Sexo é hereditário. Se seus pais nunca fizeram, você não fará!"
David Drew Zing

04/08/2008

Antigos combatentes - pensões

Aqui está de novo o problema.
Esperemos para ver o que isto dá.
Ex-combatentes:
Secretário de Estado acusa Paulo Portas em lutas político-partidárias
Governo reage
O Governo não perdeu tempo e já reagiu às críticas de Paulo Portas sobre a proposta de lei de complemento de pensão para os ex-combatentes.
Ontem, o secretário de Estado da Defesa, João Mira Gomes, assegurou que o objectivo do Executivo é alargar o número de beneficiários. Mais, não entra em "lutas político-partidárias".
O governante realçou que o documento prevê um alargamento do complemento de pensão a ex-combatentes emigrantes e a profissionais liberais. Ou seja, o Governo estima 450 mil possíveis beneficiários do complemento face aos actuais cerca de 300 mil.
'Trata-se de alargar o universo de beneficiários, introduzir critérios de justiça relativa e criar condições de sustentabilidade financeira para estes benefícios, declarou Mira Gomes, num contraponto com as palavras do líder do CDS, proferidas na madrugada de domingo, em Faro. Portas classificou a proposta como um possível 'retrocesso'.
Segundo apurou o CM, a proposta do Governo vai fazer com que 298 mil ex-combatentes (um terço do total) percam em média 45 a 50 euros na pensão e apenas trinta mil tenham um aumento.

PORMENORES

PROCESSAMENTO
O objectivo do Governo é "criar condições de sustentabilidade financeira".
Os pagamentos passam a ser processados pelo Orçamento do Estado e não pela tutela.

NOVO CÁLCULO
Os benefícios concedidos passam a variar em função do tempo de duração das missões e do seu grau de perigosidade.

03/08/2008

Ambrizete - Notícias

Ambrizete - Notícias

Publicamos a troca de Emails que temos feito com alguem que por tanto gostar de Ambrizete, aproveita todos os meios para dar a conhecer ao Mundo a sua terra.

Nós recordamos, que da nossa parte, Ambrizete, apenas foi ponto de passagem quando da ida para Zau Évua e no regresso, quando por lá ficámos cerca de 3 semanas. Antes do regresso ao Puto.

Quem esteve sediado em Tomboco, que foi parte da CCS do BCAC2877, durante cerca de 6 meses, ainda terá feito algumas visitas a Ambrizete, não necessáriamente muitas e nem todos lá terão ido.

Claro que me recordo e tenho uma foto ou duas quando da ida para Zauévua. Dessa primeira passagem, já ficou na memória o Brinca na Areia, um restaurante no meio da praia e das imperiais ou cervejas que por lá se bebiam com umas gambas a acompanhar.

No regresso, em Julho de 1971, embora a estadia tenha sido um pouco mais prolongada, ficou acima de tudo a recordação mais pormenorizada da área urbana de toda a povoação, da praia, com aquela baia imensa, da foz do Rio M'Bridge, do jogo de poker de dados que se fazia para comer ou beber algo, etc.

Hoje, haverá alguma razão para que Ambrizete esteja assim tão abandonada. Desconheço as razões. Álias, quando se fala de um "voltar" a Angola, será esta a povoação para mim, que mais me motivaria.

Aqui fica esta primeira troca de Emails para conhecimento de todos os que se interessam, acima de tudo, pelas terras de África.

Alo Sr Bras Goncalves

Boa tarde ou boa noite

Primeiro estou feliz,por receber resposta.Estou comunicando a partir de Londres onde me encontro apenas por 3 meses,volto para Angola a 30/9/2008 e logo a 4/10/2008 partirei para o N'zeto (ex-Ambrizete) (as viagens sao diarias)onde ali ainda se encontram os meus pais,tios,sobrinhos,irmas,e primos.Quero tambem comunicar-lhe que os antigos quarteis militares ja nao existem,apenas o do Farol esta em ruinas e o da missao que foi transformado em escola.Acima de tudo o Ambrizete esta num lugar pouco famoso no contexto nacional.

Agora e uma terra que tenta renascer,mais precisa de um catalizador nas pessoas,nos homens,nas mulheres,nas criancas,na gente,Todos nos podemos ajudar directa ou indirectamente dando o seu contributo nos jornais nas revistas,etc,

LEMBRE-SE nos pertencemos a provincia do Zaire ,somos a ultima letra do alfabeto.Nao ha net no Ambrizete.Nao hesitem de fornecerem dados respeitantes ao Ambrizete.

Kiambote

Grato

Miguel Domingos

EM UK o phone number 020 8231 8076 (apenas ate 30 de Set)


From: BGoncalves BCAC2877 [mailto:zauevua@hotmail.com]
Sent: vendredi 1 août 2008 14:54
To: domingos, miguel
Subject: RE: Recolhas

Boa tarde

Vou apenas dizer-lhe por agora que recebi a sua mensagem e que a vou publicar no blog do BCAC2877, que esteve em Angola - Zau Evua, de 1969 a 1971.
Pode verificar no Blog, imensas fotos de Ambrizete. Va dizendo algo. Logo lhe darei elementos de quenm esteve mais tempo no Ambrizete.

Uma abraço

Bras Gonçalves

Subject: Recolhas
Date: Thu, 31 Jul 2008 08:47:21 +0100
From: miguel.domingos@cggveritas.com
To: zauevua@hotmail.com


Felizmente encontrei este endereco na net.
Sou natural do N'zeto,meu pai e o senhor Pireza(vivo) o antigo sapateiro
que trabalhou na sapataria junto a casa do ferreiro e sucateiro
Ribeiro,exactamente na rua que da acesso ao antigo quartel PAD em direccao a comfabril e residencia do pescador Batalha.

Eu nasci no kibonga na rua direita de Luanda.
Interessam-me recolhas de dados reais do territorio de N'zeto(Ambrizete),nomeadamente a fuga dos autoctenes de
kikando,kivungo,kihita,kilombe,kinsukulo ate Mussera,(sul de Ambrizete) e logo a seguir a norte e weste do outro lado do rio mbridge e antiga casa de telha(kinganda nguba).Se tem informacoes da nao feitura da ponte cais do N'zeto,porque as datas do dique para as salinas do kibonga e nsumi junto antigo quartel da BTR relata-se ser a mesma
****Ajudem a renascer o nosso Ambrizete,divulguem as potencialidades do nosso Ambrizete

Grato

comunicar-me
mavimpi meno,lutomakalanga
Mdomingos"

ZAU-Évua - terra de ninguem sítio de vivências



Hoje porque é Domingo.


Zau Évua terra de nimguem sítio de vivencias

(livro do nosso antigo companheiro que tambem passou por Zau Évua)

O calendário em 2008 é na mesma forma forma repetitivo como o era então em 1969 em Zau Évua.


Hoje é um Domingo diferente.


À distância de todos estes anos, as recordações começam a ficar distantes, neblosas.

Falar de Zau Évua e de Domingo, será para todos os que por lá estiveram, recordar as passagem do MVL – Movimento de Viaturas Logisticas.


Recordar a sensação do aparecimento e do contacto com muita gente que nada tinha a ver com o nosso dia a dia no quartel.


Era uma maneira de espairecer a vista e o coração. De receber notícias, de ficar na expectativa de alguma encomenda ou correspondência.


O contacto com algum civil que passava, com os camionistas, esses que faziam a sua profissão, com os seus camiões carregados de mercadorias para civis e militares por entre os perigos das emboscadas e das minas.


Hoje é Domingo, que continuemos a passar muitos como este, se vier à recordação, alguns dos daquela Guerra, paciência.

01/08/2008

Tavira - as Salinas





Quem cumpriu parte do serviço militar em Tavira, sabe bem o que são as salinas.

Ao tempo nada tinham a ver com a linda foto que hoje apresentamos no nosso Blog.

Eram as salinas um dos meios que a "tropa" dispunha para "treinar" e "mentalizar" todos o que se preparavam para cumprir o serviço militar, na sua grande maioria a caminho da guerra de África.

A aplicação militar, em cuja parte do treino cabiam como obrigatórios, em todos os quartéis, exercicios que pela sua envergadura, estilo e dificuldade, serviam para moldar o corpo, mas acima de tudo o espírito ás grandes dificuldades que se iam deparar ao militares quando no terreno do próprio confronto na guerra.

As "salinas" de então, na sua grande maioria abandonadas, cheias de restos do esgoto da cidade, inundas de toda a casta de porcarias, estavam aí mesmo a jeito para a aplicação militar - flecções, cambalhotas em frente e à rectaguarda, luta corpo a corpo, etc. Em cada semana, pelo menos durante uma manhã, as salinas, com o seu cheiro nauseabundo e a sua lama preta que só com a pressão de uma agulheta poderia ser lavada dos nossos corpos, aí estavam à nossa espera. O corpo e a farda, para a higiene, esperariam ainda à chegada ao quartel do CISMI bastante tempo até que houvesse água suficiente para a sua limpesa e higiene. Por este tempo em 1968, agua em Tavira era como que encontrar agulha em palheiro. Quando de fim de semana, porque estas "visitas" às salinas, normalmente funcionavam ao sábado pela manhã, traziamos para casa aquele cheiro pérfido entranhado por todo o corpo.

Quando não era nas salinas, a aplicação militar fazia-se no campo da Atalaia, ali, paredes meias com o Quartel.

Vista do Quartel

Atalaia era o campo onde era feita a feira semanal. Pode adivinhar-se, pois na altura ainda havia feiras com gado, a porcaria que ficava espalhada por todo aquele terreiro de pó e de escrementos de animais.

Porta de Armas

Era assim que se treinavam os militares em Tavira.

Este que vos escreve, passou ao lado de Tavira. Por mais de 20 anos. Sem lá por os pés ou parar, pois foram tantas as saudades que aqueles meses que por lá passei me deixaram.

Posterior companheiro de trabalho e grande amigo meu, falecido e a cujo funeral não fui por coincidir com a nossa confraternização na Póvoa do Varzim, cumpriu a promessa que então quando por lá passou jurou: só ia a Tavira quando no campo da Atalaia houvesse flores. Nunca lá voltou.

Tavira, sempre foi uma bonita cidade. Uma cidade, segundo diziam na altura, seria a que no nosso país teria mais igrejas e capelas. Tem um rio com três nomes, tem as Quatro Águas, onde tambem muitas vezes, no lodo do rio faziamos a mesma aplicação militar, e tem uma ilha, hoje maravilhosa ao que sei.

Naquele tempo, para a grande maioria dos militares que por lá estiveram, apenas a queriam ver pelas costas.