30/12/2009

Recordações do Natal em África - Jose Fernandes da Silva


Desejando a todos os ex. combatentes do batalhão 2877,um fim de ano, e um ano de 2010 muito feliz, envio estas fotos para recordar, temos em cima o José Fernandes, em baixo da esquerda para a direita,Aderito Martins,1º Cabo Nogueira,e Fernando Conceição. Um abraço para todos. JSilva

A redacção do Blog diz:
Com um abraço do nosso Blog para o nosso antigo companheiro que vai sempre rebuscando no seu bau de recordações umas fotos que nos vai remetendo, que nós agradecemos e vamos publicando.

22/12/2009

Mensagens de Natal – Adeus até ao meu regresso





Este pequeno filme, é dedicado a todos os que tiveram a felicidade de não sofrerem os dois anos passados na Guerra de África, muitos dos quais, infelizmente, opinam sobre o temas com o mais profundo desconhecimento do que por lá se passou e com uma frieza de espírito e até de desprezo quando emitem opiniões desabridas sobre o sofrimento dos que lá estava e daqueles que por cá ficaram. Todos na esperança do regresso.
Quem por lá passou, ficou com a amarga experiência de 2 Natais passados fora das famílias, não por ser emigrante, por estar de férias ou por qualquer outra razão ou motivo de interesse pessoal, mas, porque para tal foi obrigado.
Infelizmente, tal regresso não aconteceu para muitos.
Ao contrário dos dias de hoje, em que o profissionalismo está instalado nas forças armadas e as idas para os teatro de guerra são compensadas com gordos salários, existindo até listas de espera para voluntários, naqueles tempos, existia a obrigação de ir para a guerra, a troco de um miseros escudos.

21/12/2009

Zau Evua - Aulas Regimentais


Os matraquilhos serviam para descontrair no intervalo (?)
Alf Transmissões e Fur Sapador (Professores)

18/12/2009

13/12/2009

Pensamentos


Cada vez que "chego" ao nosso Blog, olhar para o seu cabeçalho, passam pela minha mente alguns pensamentos, que por serem estranhos umas vezes, racionais outros, outras tantas vezes, nem sei como os hei-de qualificar.
A morte do companheiro Pimenta, veio avivar a mémoria dos momentos mais tristes e deprimidos que cada um por lá passou.
Cada um, os viveu à sua maneira. não temos dúvidas, mas na base dessa pirâmide dos muitos maus momentos, certamente que ainda hoje, mesmo que remotamente e a espaços cada vez mais distanciados, esses pensamentos retornam á nossa mente.
Olho para a foto do Blog e penso como foi possível passar ali os 2 anos da nossa estadia em África.
Eramos prisioneiros daquele arame farpado que envolvia o quartel.As saídas para o mato, o "recreio" das prisões.
A chegada do "Correio" , de um ou outro avião civil ou militar, o MVL, e as idas a SSalvador, serviam para camuflar, para esconder a odionda frustação que nos ia na alma.
A falta de contacto com alguem que não fosse militar adensava essa frustação.
O Natal aproxima-se.
Foram dois os natais que passamos emigrados e a descon´tento naquelas paragens e naquela situação.
São tempos já longinquos, mas sempre vão rondando os nossos pensamentos

11/12/2009

Comentários e Visitas

Temos desde sempre constatado que muitos dos nossos visitantes, mesmo os que tendo sido nossos companheiros de Batalhão. se remetem a uma languida preguiça, não comentando os temas que colocamos ou as fotos que publicamos.

Temos feito algum esforço no sentido de cativar os nossos antigos companheiros para nos remeterem as suas "velhas histórias" paassadas em Àfrica.

Louvamos e agradecemos o contribuito em prosas e as fotos que alguns nos tem remetido. Não é do nosso feitio nem seria bom que recriminássemos todos os outros.

No entanto, anotamos uma vez mais o pedido inconsequente da remessa de fotos e temas para publicar.

Venham as fotos e as prosas que nós providenciaremos a sua publicação.

10/12/2009

Josué Vermelho - procura-se paradeiro

Manuel Pinto deixou um novo comentário na sua mensagem "Convite":


Manuel Pinto cripto da Ccac2543 (zau Évua e Quiende) gostava de saber o paradeiro do Josué Vermelho também cripto na companhia(CCAC2542) que estava no Lufico.

Um abraço amigo para todos do bloque.

02/12/2009

CCAC2542 – LUFICO - Angola

Continuamos a procurar informações de antigos companheiros nossos que estiveram no Lufico.

Desde a concentração do BCAC2877 no Porto Brandão para os preparativos do embarque que a Companhia 2542 ficou sempre afastada do resto do Batalhão.

Rumou a Setubal e ficou lá para os lados de Albarquel onde fez o seu IAO ( Intrução de Adapatação Operacional) sem o contacto com as outras companhias do Batalhão. Lá nos encontramos no Vera Cruz e pouco mais.

O Lufico ficava fora da movimento habitual do MVL que fazia o percurso de Luanda a SSalvador, passando pelo Tomboco. Era aí que uma parte era desviado para o Norte a caminho do Lufico e então voltava para trás, pois à data não havia saída do Lufico mais para Norte a caminho do Congo.

Assim foi acontecendo e ainda houve algum contacto até ao dia que parte dos elementos da CCS sairamm definitivamente do Tomboco e rumaram a Zau Évua. Mais uma razão para que a CCAC2540 ficasse ainda mais isolada dos resto do nosso Batalhão.

À data, o Exercito já preparava psicológicamente bem os seus militares para algumas situações que iriam acontecer em futuro muito próximo o isolamento emm especial.

Todos sabemos que a única coisa que se sabia quando saímos de Lisboa, era que íamos directos a Angola. O Norte ou o Sul de Angola, seriam desconhecidos de todos ou da sua grande maioria.

Terá sido natural que o Comando do Batalhão soubesse do nosso destino e, pouco mais.

É esta uma das razões porque noso nossos almoços aparecem poucos elementos daquela companhia. Sabe-se que habitualmnete fazem um almoço anual e pouco mais.

Aqui fica mais um apelo para que alguem da CCAC 2542 contacte connosco e nos remeta algumas fotos do aquartelamento.

Convite

CONVITE

Um convite para que nos contem mais historias

01/12/2009

Antonio Fernandes

António Fernandes (a) diz:

"O meu agradeciemnto ao Dr José Niza e ao nosso Comandante por me terem mandado para o hospital para ser operado. Nunca tive a oportunidade de o fazer pessoalmente derivado a ser um pouco timido nessa época, mas hoje aqui, lhes dizer do fundo do coração após ter contado a história da cabra,  aproveitando para agradecer o qauanto fizeram por mim.
A todos os meus companheiros que me ajuadaram em toda a minha estadia em Angola a eles devo muito, pois fui para lá como um rapaz da provìncia, sem quase nada saber do Mundo e quase todos me ajudaram a superar as dificuldade de uma vida que para mim era muito dificil.
Há nomes de muitos deles que com o tempo se vão evaporando da nossa memória.
Obrigado a todos.
O Blog vái-nos dando a oportunidade de contar umas histórias e manter o contacto entre muitos de nós"

(a) -Para quem não sabe, o António Fernandes passado pouco tempo do regreeso de Angola, emigrou. primeiro para a Alemanha e posteriormente para a Suiça, onde ainda agora se encontra. Vem de férias a Portugal.  E tem uma esposa e um neto espectaculares.


Zau Evua - Angola - Histórias de encantar

Uma história das muitas que todos nós temos para contar.




António Fernandes conta assim:


Um pequeno epísódio de tantos que se passaram nas nossas vidas em Angola aquando da nossa estadia ou passagem por aquelas lindas terras, as quais para muitos deixam saudade, não pela razão que nos obrigava defender um território que para os nossos governantes da época era apenas uma parte de Portugal. Para os jovens que tinham de partir, era apenas  ou melhor, obrigados a ir para lá.


“Foi num Fim de Ano que mais uma vez se repete a dor do apêncice, a qual é muito desagradável e nas terras de Zau Evua, longe de tudo e de todos, quando de momento sinto uma dor forte e não fui jantar nessa noite. E assim no dia seguinte o nosso médico, Dr José Niza Mendes, como sempre muito atencioso a todos os problemas dos seus homenspede para eu ser enviado de

Numa dessas noites a seguir tive vontade de ir fazer um xixizinho por volta das 2 ou 3 da madrugada. Como a casa de banha era fora da caserna  e a porta ficava aberta toda a noite (tambem de dia), qual não foi o meu espanto quando tentava entrar, vi dentro um grande vulto tentado beber água. Fechei a porta rápidamente com medo de levar uma cornada, pois tratava-se  de uma enorma  cabra do mato.

 Fui dentro da caserna e gritei rindo: quem que comer carne de cabra hoje?!?!?

Fui vaiado por estar a acordar todo o pelotão, repousando de mais um dia de trabalho e do calor que se fazia sentir nesse fim de  mês de Janeiro. Eu repeti, venham ver. Mas não fou preciso repetir mais vezes porque as marradas que a cabra dava contra a porta acordou todo o Mundo e correram todos para ver o que se passava.

O nosso Comandante dormia mesmo em frente da dossa caserna veio pedir para todos irem dormir porque não eram horas para estar a fazer algazarra, quando alguem lhe disse que o Fernandes tinha fechado uma cabra na casa de banho.  Ele rindo disse: Ide ver o que podem fazer.  Mas para entrar pela porta era dificil, pois podiam levar uma cornada o que não seria muito agradável. Foram então pela casa de banho do comandante de pelotão e tiveram a sorte de que ela com tanta marrada que deu na parede e na porta, desmaiou e assim foi só tirala de lá e após a sua morte definitiva e a sangria, nesse mesmo dia fazer dela um bom petisco, o qual nos deliciou a todos”




Jose Niza escreve

Pandemia do fato azul
Como a gripe, tudo isto começou com um caso isolado, aos domingos à noite, na Sic Notícias. Ou, mais concretamente, num monólogo de mais de uma hora sobre a fenomenologia do futebol, “a verdade desportiva”, o “bas-fond” das arbitragens, as histórias escabrosas dos vários apitos, os amores e desamores do senhor Pinto da Costa com a menina Carolina, sei lá que mais. O protagonista do “Tempo-Extra”- assim se intitula o dito programa – chama-se Rui Santos. Mas também já ouvi tratá-lo por “palhacinho”.
Fixei-me neste programa, não porque aprecie as palestras do prolífero jornalista, mas por causa do seu espampanante casaco azul às riscas brancas. Aquele esplendoroso terno assertoado tornou-se para mim numa obcessão, numa fixação azuliforme, numa dependência visual cromática. E, também, num suspense hitchcockiano de domingo em domingo, por causa da angustiante possibilidade de o palestrante poder surgir perante as câmaras com um vulgar e reles fato cinzento. Deixando – por isso – de ser ele próprio.
Durante um prolongado tempo, as virusais moléculas azuis dos casacos às riscas não contaminaram viv’alma. Mas, de repente, eis que tudo mudou.
E foi tudo tão rápido que nem sequer houve ensejo de fabricar vacinas.
Hoje, um cidadão liga para o telejornal da RTP e José Rodrigues dos Santos – o nosso próximo Nobel da literatura – lá está piscando o olho e perorando desgraças dentro do seu fato azul às riscas. Mas, se mudarmos para a Sic, surge-nos Rodrigo Guedes de Carvalho – o nosso próximo Nobel da escrita – engalanado com o seu azulado fato às riscas brancas a desvendar os escândalos do dia. Se fizermos “zapping” para a TVI, lá temos o escritor Júlio Magalhães – provavelmente o nosso segundo Nobel literário – envergando briosamente o seu fato azul às riscas, a perorar contra o Sócrates sob a protecção divina da liberdade de imprensa. O último reduto – julgava eu – seria o refúgio na RTP2. Mas, qual quê? Mal carreguei no comando – e explodindo no pequeno ecrã – surgiu, reluzente, João Adelino Faria, o único que ainda não ameaçou escrever qualquer livro e que tem um terno de listas brancas largas que até parecem pranchas de wind-surf a sulcar o mar azul da praia do Meco. Esperançado em melhores dias, voltei à Sic Notícias. Mas aconteceu o que eu receava: um Mário Crespo fardado de azul às riscas, ali no seu posto, e, para variar, dizendo cobras e lagartos do governo.
Milagrosamente – saiba-se lá porquê – esta pandemia ainda não chegou, nem aos ministros, nem aos deputados. E, se chegou a Belém – ou não chegou – é coisa que só saberemos através de escutas.
Uma preocupante notícia de última hora refere que a Organização Mundial de Saúde entrou em alerta máximo por causa da previsível propagação da pandemia a toda a Europa. É que, numa rua de Bruxelas – e vestindo um fato azul às riscas brancas – foi identificado um cidadão baixinho e anafado, de nacionalidade portuguesa, que declarou chamar-se Paulo Rangel.
Bem dizia a minha avó que, contra fatos, não há argumentos…
O Ribatejo