09/07/2020

Estatuto - vai a votos dia 15 de Julho de 2020


COMISSÃO DE DEFESA NACIONAL

 10:00 Horas [presencialmente e por videoconferência] (para acompanhar a reunião, enviar o pedido através do endereço 3cdn@ar.parlamento.pt)

Estatuto do combatente


23/06/2020



A noite de 23 de Junho, Véspera de São João é a celebração que ocorre antes do dia de Nascimento de João Batista. O Evangelho de Lucas (Lucas 1:36, 56-57) afirma que João nasceu cerca de seis meses antes de Jesus; portanto, a festa de São João Batista foi fixada em 24 de junho, seis meses antes da Véspera de Natal. Este dia de festa é um dos poucos dias dedicados a santos que celebra o nascimento do homenageado, ao invés de sua morte.[1]
A Festa de São João coincide estreitamente com a comemoração do solstício de verão, referido como midsummer no hemisfério norte. Apesar do dia santo cristão ter sido fixado em 24 de Junho, na maioria dos países as festividades são realizadas na noite anterior. In "Wikipédia"


Foi nesta noite, em 1969 que parte do BCAC 2877 se deslocou pela noite, em marcha, até à Fonte da Telha onde ficou, para fazer a tal IAO Instrução de Adaptação Operacional.
Ali foram dadas no quartel da antiga Guarda Fiscal da Fonte da Telha, as habituais vacinas e a alimentação era confeccionada na antiga bateria de Artilharia ali existente

18/06/2020

Amizades - ficaram

Alguns furrieis da CC do BCAC2877


Em cima - Silva, Melancia, Amandio Antonio Amaral, João, Madruga e Pimenta (grande camarada já falecido)
Em baixo - Joao Marques, Braz e Adelino

LUFICO

LUFICO - o desterro no Norte de Angola
CCAC2542 - BCAC2877
24 meses de comissão nestas paragens
Foto "roubada " em LUFICO no Facebook na CCAC4742



17/06/2020

Racal - TR 28

Para a recordação dos nossos camaradas das transmissões e que utilizaram esta rádio em substituição do ANGR C9




Artº do nosso leitor João Freitas, recebido por msg:

O artigo que vos trazemos é muito importante. Não o será devido à prosa, mas porque tomámos a liberdade de vos falar sobre um dos mais significativos aparelhos usados pelas nossas FA e em situação de combate real. Daqui a muitos anos, se pudermos voltar cá para lermos o que hipoteticamente se escrever sobre o conflito colonial de 61 a 74, verificaremos, certamente que haverá ainda referências ao avião “T-6”, à espingarda “G-3” e ao rádio “TR-28”. Talvez nessa altura, devido ao espaçamento do tempo, se possa fazer de forma desapaixonada a história do que se passou nas picadas e nos salões. Agora achamos que ainda é cedo.

Como já referimos em outras ocasiões, as dificuldades enfrentadas na obtenção de material de guerra durante o conflito colonial da década de sessenta e setenta, levou Portugal a demandar mercados que se distanciavam dos seus usuais fornecedores. Assim, procurámos apoio em países fora do âmbito da NATO. Alguns, como a África do Sul, reconheceram no esforço português a possibilidade de juntarem um bom negócio à protecção dos seus próprios interesses geopolíticos e estratégicos do momento.

Durante esses anos a fábrica Racal em Inglaterra e as suas empresas agregadas, das quais se destaca a “Racal SMD” (1) na República da África do Sul, estão intimamente ligadas ao fornecimento de aparelhos de comunicações, seus diversos acessórios, assim como aparelhagem de teste para as Forças Armadas portuguesas. Destes fornecimentos sobressaem os aparelhos que hoje vos trazemos – os TR-28.

Ainda sobre as relações entre a “Racal” sede e a sua filial sul-africana, a seu tempo o governo inglês pressionará a primeira a largar esta filial, por causa do problema racial então vigente naquele país africano. Muitos engenheiros regressarão então a Inglaterra, em nada afectando a produção e a criação de novos modelos, pois o material humano sul-africano era de primeiríssima qualidade. Já com nova denominação e provando o que foi dito, emerge como grande fabricante de aparelhagem electrónica para diversos fins, incluindo o militar (para a aeronáutica).

Com o TR-28 deixamos de andar com as válvulas às costas, por muito pequenas que fossem. Com a sua originalidade e tecnologia entramos decididamente numa nova era. Portugal começa a receber estes receptores/transmissores para os três ramos das forças armadas em finais da década de sessenta. Permanecerão em serviço cerca de vinte cinco anos.

TR-28 do 1º modelo no leste de Angola



Os TR-28 (Transmitter-Receiver 28) são uma evolução dos conturbados RT-14B (da SMD) sendo este um dos primeiros aparelhos militares a utilizarem bandas laterais. Este tipo de modulação já era nessa altura (1965/66) um sucesso junto dos civis, mas era vista como uma curiosidade pela sociedade castrense, sendo a “Racal SMD” uma das responsáveis pelo seu desenvolvimento e aplicação táctica graças a um conjunto de engenheiros notáveis. Podemos dizer que o TR-28 é de facto idealizado numa noite, em Março de 1966 (2), sobre a mesa da casa de jantar de Ken Clayton – um dos responsáveis pelo seu desenvolvimento eletrónico- tendo por base os elementos do referido RT-14. Dessa noite até ao aparecimento do protótipo decorrerá uma semana! Nesse ano são feitos testes (de fábrica) em Angola no vale do Zambese e em redor da cidade de Salazar. Os primeiros modelos serão entregues a tropas da Rodésia em 1967 (3).

TR-28 do 2º modelo no norte de Moçambique

Sendo o TR-28 um rádio excepcional, é no entanto um aparelho desconhecido internacionalmente. A explicação para esta realidade reside, em nossa opinião, em diversos factos dos quais podemos realçar a já citada desconfiança com que então eram sentidas as bandas laterais aplicadas a aparelhos militares, e a pouca penetração no mercado internacional de aparelhos oriundos da África do Sul, quer fossem da Racal ou não! A utilização intensiva dada a este aparelho em Portugal (praticamente o seu único grande utilizador) não o ajuda a criar um lugar de destaque na história das comunicações militares, pois… a descolonização portuguesa era a última, e a novidade das independências já tinha perdido impacto, relegando para o esquecimento as armas os barões assinalados e os rádios.

Esta série de rádios de utilização ao dorso, veicular e fixa, opera em AM e bandas laterais (sup. /inf.), em voz ou grafia, dos 2 aos 8 Mc/s e com uma potência de 25/30W. A “família” TR-28 compreende cinco modelos principais (ver o quadro abaixo), todos eles com frequências fixadas a cristais. As diferenças, como veremos, não se ficam pelo número de canais e alterações a nível electrónico mas também pela forma exterior e cores com que originalmente vinham pintados.

1º Modelo do TR-28

1º Modelo (pormenor)

1º Modelo (detalhe da caixa de baterias)



Como vemos pelas fotografias, a primeira, segunda e terceira versão do primeiro modelo são todas elas, exteriormente, para além de iguais entre si, ligeiramente mais pequenas e uniformes do que o segundo modelo. Verifica-se então que o primeiro modelo não tem o painel de controlo a sobressair da sua largura geral (junto às pegas). Estas três primeiras versões do modelo inicial usam também uma caixa de bateria diferente (4). Internamente e comparando os diversos modelos, são relativamente pequenas as alterações a nível electrónico, sendo apenas de realçar as modificações realizadas na fonte de alimentação (5) e na adição sucessiva de encaixes para o sempre crescente número de cristais, o que vai obrigando a novas disposições internas.

2º Modelo do TR-28

2º Modelo (pormenor)

2º Modelo (detalhe da caixa de baterias)



Digno de nota e passando despercebido num primeiro olhar, é a curiosa e válida técnica utilizada na fabricação das caixas exteriores de todos eles, incluindo a caixa das baterias do segundo modelo. Se repararmos bem (e sem contarmos com os fechos e painel de comandos) notamos que são basicamente três peças (duas peças para as caixas do 1º modelo, e três + uma aparafusada para a sua caixa das baterias do 2º modelo) em liga leve coladas e prensadas umas às outras! A mesma técnica é empregue na fixação das duas pegas em todos eles. Apesar de parecer uma solução de fraca durabilidade em termos de uso militar, o tempo veio a confirmar amplamente o contrário.

Muitos TR-28 serão montados em Portugal na Standard Electrica/Centrel (sob controle da Direcção da Arma de Transmissões) com inclusão de componentes vindos da África do Sul via Lourenço Marques, tendo Portugal participado no desenvolvimento das versões de 36 canais. Praticamente todos os TR-28 traziam estampado no painel frontal de forma bem notória a indicação “EXÉRCITO PORTUGUÊS”. Assinalamos este facto pois é caso raro. Não podemos confundir esta indicação com as habituais letragens encontradas em pequenos autocolantes ou placas de alumínio, identificativas de outros aparelhos (ex. AVP-1). Esta indicação figurava em todos os aparelhos, independentemente da arma onde estivessem distribuídos. Até à data não vimos, nem tivemos conhecimento por qualquer forma, de nenhum outro rádio com tal menção.

Antena de fita

No que respeita a periféricos, saltam à vista dois sistemas de antena singulares. O primeiro compreendia um rolo de fio metálico, sustentado por um fino cabo sintético, enrolado num pequeno carretel de alumínio. Com a ajuda de um peso, lançava-se o fio de antena sobre uma árvore, sendo a outra extremidade (a do carretel) enfiada no alvéolo destinado à antena. Verdadeiramente original era uma antena baseada numa real fita de medida metálica (em polegadas e da marca “Starett”), rebitada a um suporte especial. Encaixada no alvéolo da antena do rádio, a sua distensão precisa, e posterior suporte num ponto alto, cortava-a de imediato para a frequência pretendida. O seu enrolamento era efectuado com a ajuda de uma pequena manivela exterior, como em qualquer boa fita de pedreiro! Apesar de prática não teve sucesso e foi poucas vezes utilizada, estando hoje em dia quase esquecida.

Conjunto das antenas mais usuais



Ainda sobre os acessórios, além das referidas antenas de fio, podíamos encontrar um dipolo, uma antena vertical de elementos de encaixar, um pescoço de pato, dois tipos de microtelefone/auscultadores, uma chave de Morse, um suporte veicular/fixo e diversos tipos de carregadores de baterias. Quanto a estes packs de baterias recarregáveis (Ni/Cad), eram compostos por 10 baterias de 1,2V, sendo possível o seu carregamento sem serem removidos do rc/tr, e com este em funcionamento. Não nos vamos esquecer de mencionar os excepcionais manuais de fábrica (em português), com esquemas diversos em papel vegetal para se poderem sobrepor a outros, de modo a determinar-se a posição dos inúmeros componentes eletrónicos. Ainda sobre os acessórios conhecemos cinco tipos de sacos de transporte, os primeiros em lona castanha (tipicamente inglesa) de fabricação sul-africana e de fraca qualidade, três de fabricação nacional em diversos tons de verde oliva e em lonas de padrões diferentes e um também nacional em “nylon” verde oliva. De todos eles fazia parte indissociável o alvéolo para guardar as varetas da antena.

Estes aparelhos vinham equipados com dois modelos de “placas capacitivas” – uma fazendo parte integrante das “costas” da mochila de transporte e outra destacada podendo ser guardada num bolso ou deixada por terra. Sem esta placa bem ligada à massa do rádio (servindo de plano de terra), prejudicava-se nitidamente os alcances esperados. Ainda sobre a sua potência relativa e apenas como mera curiosidade, e uma vez que a distância de quarenta anos os torna eternamente impunes de uma reprimenda, foi-nos dito por antigos operadores de rádio, que era possível acender um cigarrito na antena, quando em emissão.

Modelo sul-africano (diferentes botões, fichas e micro-telefone)

Sobre as cores com que eram pintados originalmente realça-se, nos modelos iniciais (Sul-Africanos), um verde-escuro brilhante (bronze green) característico das forças armadas britânicas. Na produção nacional e posteriores repinturas foram utilizados variados “verdes militares”, que vão de um “olive drab” escuro e brilhante a cores próximas do “RAL-6018”, sendo utilizadas em grande parte dos modelos nacionais tintas texturadas de qualidade. Como curiosidade já deparámos com exemplares repintados (?) de cinzento claro “Marinha” e azul “Força Aérea”.

Com um exterior completamente diferente, mas com componentes internos similares à versão militar “TR-28”, a Racal fez uma versão civil com a designação “TR-38D”. Chegámos a ela, a partir do seu manual técnico e de textos em folhetos oriundos do seu antigo representante em Moçambique (6), e por indicação de um técnico português que trabalhou na referida fábrica. Esta versão tinha frequências do espectro atribuído a civis, tendo sido utilizada por fazendeiros do interior das antigas províncias ultramarinas.



Na linha do natural desenvolvimento do TR-28 estaria em vias de concretização uma versão sintetizada (7), ideia germinada em Portugal por engenheiros da Standart Electrica/Centrel, mas que terá sido abandonada por causa de Abril de 1974 e o consequente fim das hostilidades em África.

Caminhando para o fim deste artigo, não vamos deixar de mencionar uma informação que nos foi dada há alguns anos, até porque um dos nossos leitores poderá ser a chave para a solução do mistério: de que a Força Aérea (Corpo de Tropas Pára-quedistas) teria tido uma versão específica do TR-28B2 (ver quadro abaixo), com uma caixa de bateria mais pequena, para tornar o rádio mais leve! Até ver, esta interessante indicação – apesar da veemência incontornável com que nos foi dada – nunca obteve confirmação por parte de fontes seguras pertencentes às Tropas Aerotransportadas e com responsabilidade nos seus antigos sistemas de transmissões, nem em militares ou civis ligados à linha de montagem portuguesa.

Os rádios que hoje utilizamos não são de geração espontânea. Tiveram toda uma evolução e essa evolução marcos de referência, como o aparelho de que tratámos hoje. Basta reparar, apesar da distância no tempo, na origem e na técnica, nas semelhanças físicas existentes entre o TR-28 e o “nosso” recente P/PRC-425 que o vem, em parte, substituir, para verificarmos que quem concebeu esteticamente este último deveria ter tido como referência sobre o estirador um velho TR-28!

Lista dos modelos Racal TR-28

(Esta listagem é de nossa responsabilidade, não tendo nós conhecimento de que alguma vez tal tivesse sido feita, apenas foi encontrada informação fidedigna que a advogasse em parte. A conclusão a que chegámos, e que vos apresentamos em 1ª mão, resulta da observação de muitas dezenas de aparelhos e seus acessórios, de vasta literatura técnica e promocional de origem nacional e estrangeira lida nas linhas e entrelinhas, e de indicações amavelmente cedidas por antigos militares de diversa hierarquia ligados à sua montagem, reparação e utilização táctica no continente e no antigo ultramar, assim como de civis relacionados directamente com a produção nacional.)

1º Modelo/1ª versão: RACAL TR-28A, 12 frequências (c/ 12 cristais CR18U), 25W de saída, indicações de comandos em inglês ou português, com ou sem a indicação “Exército Português” no painel.

1º Modelo/2ª versão: RACAL TR-28A2, 12 frequências (c/ 12 cristais CR69U), 25W de saída, indicações de comandos em português, com ou sem a indicação “Exército Português” no painel.

1º Modelo/3ª versão: RACAL TR-28B, 24 frequências (c/ 24 cristais CR69U), 25W de saída, indicações de comandos em português e menção “Exército Português” no painel. Esta legenda aparece também no 2º modelo.

2º Modelo/1ª versão: RACAL TR-28B2, 24 frequências (c/ 24 cristais CR69U), 30W de saída, nova apresentação exterior e modificações a nível electrónico

2º Modelo/2ª versão: RACAL TR-28B2, apesar da mesma nomenclatura, tem 36 frequências (c/36 cristais CR69U), redisposição interior por causa do aumento do nº de cristais, em tudo o mais é idêntico ao 3º modelo. Nestes aparelhos era acrescentado ao painel de comando um pequeno autocolante com a indicação “36 canais”



3º Modelo: RACAL TR-28C (?), possível versão sintetizada, que nunca terá passado da fase conceptual.

Notas:

(1) A firma sul-africana sediada em Durban “Radio Electro-Equipement Co.“, dá lugar em 1937 à firma “S. M. D. Manufacture Co.” (SMD são as iniciais dos nomes dos seus três fundadores: Steel, Madison e Dainty). Em 1963 dá-se a fusão desta casa com a britânica “Racal Electronics”, passando-se a denominar “RACAL SMD”. A esta fusão segue-se a mudança da sede, de Durban para Pretória. Em 1969 muda outra vez de nome, passando a chamar-se “Racal Electronics South Africa Ltd.” ou apenas “R.E.S.A.”. Actualmente estas firmas já não existem, estando a “Racal Electronics” inglesa englobada na “Thales Group”, e a “Racal Electronics South Africa Ltd.” no grupo “Grintek”. Quando em 1963 se deu a fusão da “SMD” com a “Racal”, uma pequena parte da “SMD” constitui uma nova empresa, ligada ao grupo industrial Barlows, dedicando-se ao desenvolvimento e fabricação de aparelhagem para comunicações aeronáuticas e rádios civis de grande qualidade (Barlows Wedley)

(2) “The SSB manpack and his pioneers in South Africa” 2ª parte, em Radio Bygones nº 94

(3) Por tropas denominadas “Rhodesian African Rifles” em “Bush telegraph” de Gordon Munro e Henton Jaaback, de 2002

(4) O segundo e último pack de baterias, apesar de ser feito de três peças coladas (ver texto), era incomparavelmente muito mais robusto do que o primeiro modelo (feito de uma única peça). Devido à sua posição, o pack de baterias é o primeiro a sofrer os impactes no solo, de todo o conjunto.

(5) Talvez a principal fonte de problemas neste aparelho, a par de um relais de fácil substituição e a fusão de cablagens em climas muito quentes, chegando a ser feitas cablagens de recurso em plena zona de operações (Apontamento referido por alguns radio montadores)

(6) Representantes da “Racal Electronics South Africa Ltd.” em 1970:

Portugal continental: Ondex Representações Electrónicas Ldª. (Lisboa)
Angola: Racal Electronica Ldª. (Luanda)
Moçambique: Construtora Rádio Eléctrica Ldª. (Lourenço Marques)

(7) Não sabemos se seria a versão “TR-28C”, referida em boletins da Academia Militar.

João Freitas

(Texto tirado e adaptado de um artigo nosso que saiu na revista “QSP

16/06/2020

Aires - conta



Quando fiz anos em Agosto/1970 roubei duas alfaces na horta onde o nosso comandante Damas Vicente passava o tempo a tratar,  coadjuvado pelo nosso amigo Américo. 
No outro dia o nosso comandante deu por falta das alfaces e começou a apertar com o Américo para este lhe dizer quem foi.
Coitado do Américo dizia que não sabia e de vez em quando olhava para a nossa messe. 
Quando o Américo foi ao meu quarto bem soube dizer vê se logo que foi o nosso furriel e comandita. A minha resposta foi deixa lá,  bebe uma cerveja e não se fala mais nisso.
 Ainda me rio desta história. 
Nessa altura como era em Agosto ficavam por lá meia dúzia de gatos pingados. 
Julgo que estavas de férias no "puto" (O Braz Gonçalves). 
Abraço.

2020 - confraternização anual




15/06/2020

IAO - Instrução de Adaptação Operacional

Efeméride-IAO-Instrução de Adapatação Operacional

Para que conste em memória, em especial para os que sendo mais novos, têm hoje a felicidade de irem "para a guerra", só se forem profissionais e voluntários.
Não foi o nosso caso.
 Eramos "amadores" e "obrigados" a ir para a guerra.
Assim, muitos do que como eu, foram obrigados, não só a ir para a guerra, mas mais ainda.
Por uma questão de "adaptação", fomos colocados próximo de casa.
Por exemplo para quem morava em Paço de Arcos, foi para Tavira, 6 meses. De Tavira a Lisboa, pela Serra do Caldeirão ( alguém já experimentou ir para o Algarve por aí, nos dias de hoje ?) era uma saída por volta da uma da tarde e chegada a Lisboa ao Campo das Cebolas pela 7 horas ou ainda mais tarde. O regresso era da meia noite de Domingo às 7 horas da manhã, de Segunda-feira.
Depois da passagem por Tavira, Caldas da Rainha. Das Caldas da Raínha ao Porto, ao RI 6 - Senhora da Hora, mais uns 300 klms de distancia. Finalmente, guia de marcha para Angola, destino desconhecido. Passagem pelo RI 1 - Amadora, que como não tinha instalações, houve necessidade de utilizar as instalações duma antiga Bateria de Artilharia Anti-Aérea, no Porto Brandão.
É aí que chega a véspera de São João, com a nossa estadia no Porto Brandão, o padroeiro da cidade do Porto, também o é da Cidade de Almada.
Festas e romarias, ao tempo, com as tradicionais fogueiras junto dos arraiais populares. Bom e acalorado tempo.
Assim, fizemos todos nós a viagem a pé, em marcha, até ao Pinhal do Rei na Fonte da Telha, para aí passarmos uma semana de campo na IAO, a tal Instrução de Adaptação Operacional para a guerra em Angola.
Recordamos hoje essa data, que se celebra já no próximo , 23 de Junho

12/06/2020

Racismo nos ex-combatentes


O racismo dos Combatentes de Guerra de África

Por muitas razões que houvesse, e serão muitas, não devemos esquecer que gueras, são guerras e os combatentes não lutam, sobrevivem e matam por razões pessoais.
A guerra proporciona momentos e vivencias que não são fáceis de explicar para que nelas não tomou parte.
Nas guerras, dum modo geral não existe racismo e quando existe, não será nunca a primeira razão da guerra.
Temos nos dias de hoje, como sempre, guerras que só existiram por essas razões. Há mexemplos de sobra para contendas entre etnias ou paises que se refugiam nessas motivações, motivos ou razões.
Em Angola,  Guinê ou Moçambiquce,  a guerra não foi feita por razões raciais.
Para alem dos exageros que resultaram da relação entre colonizador e colonizado, e que foram muitos e graves, dos quais não nos devemos esquecer ou relevar,  sempre existiu um boa relação entre os nativos e os colonizadores.
A guerrilha foi fomentada exageradamente por razões e motivações substancialmente politicas e alicerçadas em razão duma lógica política que renascia nos tempos de então.
Esses ventos de emencipação dos territórios germinaram e deram os seus frutos com o inicio das guerras de guerrilha libertadora dos povos colonizados de África,
Muitos foram os povos e nações que se librertaram dos colonizadores antes  dos territórios da colonias portuguessas.
Os politicos portugueses não souberam e acima de tudo, não quiseram aproveitar essa onda de des colonização feita, sem guerras e  os morticinios que sempre os envolvem.
Bem, mas acabada a guerra de África, que deixou muitas e profundas mazelas, em especial, naqueles que vieram a ser obrigados a deixar os territórios que ficaram "libertados" do jugo colonialista, os combatentes, na sua grande maioria, ficou com um sentimento e uma nostalgia cxo que passaram e da vivência da experiência passada por lá.
As máguas da guerra, dos os portuguesa camaradas mortos ou feridos, dos inglórios anos que lá passaram, das doenças, dos traumas  sofridos e da sua continuação por muitos anos, após o regresso, mesmo assim, não deixam esmorecer um sentimento de amizade, compreensão e mesmo respeito por aqueles povos.
Do mesmo modo que ainda hoje, tantos anos após o final da guerra de Áfria, se sente que os portugueses, antigos colonizadores, são sempre bem recebidos  naquelas paragens.
Não fora alguma chama que os politicos de alguns desses países, ainda acendem contra os portugueses, as nossas trelações seriam bem melhores.
A guerra quando acabou, parte, grande parte dos ódios entre as partes beligerantes acabaram.
Desde sempre que aquilo que hoje se chama de racismo, não passou a ser palavra e prática en tre a maioria dos combatentes - o que se passou, passou.

09/06/2020

10 de Junho do antigamente

09/06/2018


10 de Junho de 2018 - Açores



Estes tempos já passaram



Hoje nos Açores

Após cerca de 15 minutos de banho, o chefe de Estado tirou dezenas de fotografias com outros banhistas e elogiou a temperatura da água, “nos 21, 22 graus”, acima dos 14 com que tomou “nas últimas vezes” no continente.
As comemorações do 10 de Junho, que se prolongam até segunda-feira entre os Açores e os Estados Unidos da América, começaram hoje em Ponta Delgada, com o Presidente da República e o primeiro-ministro juntos desde o final da tarde.
O Presidente da República está desde cerca das 17:30 locais no Palácio de Sant’Ana para a apresentação de cumprimentos pelo corpo diplomático acreditado em Portugal, seguindo-se uma receção comemorativa do 10 de Junho, oferecida pelo presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, e onde já estará presente o primeiro-ministro, António Costa.

Juntos, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa assistirão, já à noite, a um concerto na igreja paroquial de São José e a um espetáculo de fogo de artifício, os dois últimos pontos da agenda de hoje das comemorações oficiais do 10 de Junho, que só vão terminar na segunda-feira, nos Estados Unidos, com passagens por Boston e Providence.
Em 2016, ano em que tomou posse como chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa lançou um modelo inédito de comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, acertado com o primeiro-ministro, em que as celebrações começam em território nacional e se estendem a um país estrangeiro com comunidades emigrantes portuguesas.
Nesse ano, o Dia de Portugal foi celebrado em Lisboa e Paris e, em 2017, no Porto e nas cidades brasileiras do Rio de Janeiro e São Paulo.
Este ano, cabe aos Açores, mais concretamente a Ponta Delgada, receber a primeira parte das comemorações, viajando depois o Presidente da República e o chefe do executivo para os Estados Unidos, país onde vivem cerca de 1,4 milhões de portugueses e luso descendentes, estimando-se que 70% sejam de origem açoriana.
Contudo, será ainda em Ponta Delgada, no domingo, que se fará a tradicional Cerimónia Militar Comemorativa do Dia de Portugal, que contará com a participação de mais de mil militares dos três ramos das Forças Armadas.




Imagens da Internet do 10 de Junho de 1969

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, anunciou esta sexta-feira que as comemorações de 2018 do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesa vão ser nos Estados Unidos da América.
"Para o ano vamos ter uma grande festa, porque o 10 de Junho vai ser nos Estados Unidos da América", afirmou o chefe de Estado, adiantando que "vai "passar por vários sítios onde há comunidades açorianas que nunca mais acabam".
Marcelo Rebelo de Sousa deu conta das comemorações do 10 de Junho do próximo ano nos Estados Unidos depois de ter tirado uma fotografia com um casal de emigrantes açorianos radicados em Boston, naquele país, no decorrer do almoço que reuniu mais de mil idosos na Praia da Vitória, na Terceira, ilha onde hoje cumpre o segundo dia de deslocação aos Açores.
Questionado pela Lusa sobre quando visitará a diáspora açoriana, o chefe de Estado adiantou que será já no próximo ano, no Dia de Portugal, que, num modelo inédito, comemorou com as comunidades portuguesas em Paris, em 2016, e este ano comemorará no Brasil.
Segundo a Direção Regional das Comunidades, que cita dados dos últimos censos norte-americanos, a comunidade portuguesa nos Estados Unidos é de cerca de 1,4 milhões de pessoas, estimando-se que 70% seja de origem açoriana.
Não obstante estar representada em todos os estados daquele país, a comunidade açoriana é mais expressiva na Califórnia, Massachusetts e Rhode Island.
Entre 1960 e 2014, saíram da região com destino aos Estados Unidos 96.292 emigrantes, informou a Direção Regional das Comunidades.

10/06/2019


10 de Junho


Porque razão o dia de Portugal se celebra a 10 de Junho? No dia 10 de Junho celebra-se em Portugal o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. O feriado nacional assinala ainda o dia da morte do poeta Luís Vaz de Camões, em 1580, autor d´Os Lusíadas. Do programa do Dia de Portugal fazem parte muitas actividades, como desfiles e demonstrações militares, por exemplo. Este é o dia da Língua Portuguesa e do cidadão nacional.
História do Dia de Portugal
Durante o regime ditatorial do Estado Novo de 1933 até à Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974, o dia 10 de Junho era celebrado como o “Dia da Raça: a raça portuguesa ou os portugueses”. Foi aproveitado para exacerbar as características nacionais. Como Camões foi uma figura emblemática, associada aos Descobrimentos, foi usado como forma de o regime celebrar os territórios coloniais e o sentimento de pertença a uma grande nação espalhada pelo mundo, com uma raça e língua comum.O 10 de Junho é estipulado como feriado, na sequência dos trabalhos legislativos após a implantação da República a 5 de Outubro de 1910. No decorrer desses trabalhos legislativos, foi publicado um decreto a 12 de Outubro, que definia os feriados nacionais. Alguns feriados foram eliminados, particularmente os religiosos, de modo a diminuir a influência da Igreja Católica e com o objectivo de consolidar a laicização da sociedade.




Os portugueses mais velhos recordam o que se passava no Terreiro do Paço

Os portugueses mais velhos recordam o que se passava no Terreiro do Paço



Escolha da Internet

11/06/2010


10 de Junho e a Guerra de África

Vamos abordar este temas na perspectiva do 10 de Junho e as suas comemorações com o envolvimento dos ex-combatentes.


Visitámos pela primeira vez este ano as comemorações, junto ao monumento dos Combatentes que fica situado junto das antigas instalações onde funcionava o SPM- Serviço Postal Militar no tempo da Guerra de África.

Já por lá tínhamos passado, tendo os nomes dos mortos em combate inscritos na momumental lápide que contorma em meia lua toda a parte posterior do monumento. Recordamos os nomes de nossos antigos companheiros que deixaram a vida em África numa luta inglória que a todo o momento a história no ensinava que não haveria victória possível contra aqueles povos por meios militares. Os livros e a história de lutas de outras nações, demonstraram isso mesmo.

Neste dia 10, fomos lá, com o intuto de observa o que por lá se passava.

A guerra deixa sempre consigo muitos saudosistas. Nacionalistas, defensores da pátria ou apenas e só dos ideais da guerra.

Pensamos que por lá, andaram ex-combatentes.

Misturaram-se todos. Encontraram-se amigos e companheiros desses tempos. Nota-se que alguns não passam um ano sem por ali passarem, usando o simbolo mais distinto e coerente de qualquer ex-militar obrigado a ir para a guerra mesmo contra os seus ideais e as suas vontades, as boinas.

Havias das várias cores que então se usavam nas nossas forças armadas. Ostentavam os simbolos das suas antigas unidades e das armas que representaram.

Alguns, já bem consumidos pela idade e pelas dienças.

Muitos, ostentavam garbosos as condecorações que ainda merecem ter ao peito pelos feitos que fizeram, pelos actos que praticaram

As cerimónias estavam ainda longe de começar.

Ao ver uma cidadã com pouco mais de 30 anos com uma camisa verde e o simbola da Mocidade Portuguesa, (“bufa” era assim que chamavam na escola onde andei ao tempo), achei que era tempo de passear para outras bandas.

Ao fim do dia, fiquei naturalmente satisfeito por saber que este ano, os antigos combatentes tiveram o “direito” a estarem representados e em primeira linha, na parada militar que habitualmente abre as cerimónias oficias do 10 de Junho em cada ano.

Merecem por dever.

Representaram as cores da sua bandeira em guerra, com a importância suberba de hoje poderem recordar ao militares “profissionais” que para foram atirados por obrigação e não por profissão.

A minha vida nunca mais foi igual a partir do dia que embarquei até hoje mesmo – já lá vão quase 40 anos.

Um grande abraço a todos esses, porque infelizmente tambem fui um deles.  ( Parquedospoetas)

08/06/2018


10 de Junho de 2017

2017

O Presidente não tem dúvidas: "Devemos-lhes muito. São uns heróis. São um exemplo" ( Em 10 de Junho de 2017)

O Presidente da República considerou hoje que o país deve muito aos ex-combatentes, elogiando-os como heróis, após quebrar o protocolo, cumprimentando antigos militares da guerra do Ultramar e populares que assistiram às celebrações do 10 de Junho no Porto.

"Devemos-lhes muito. São uns heróis. São um exemplo [para os jovens]. É uma homenagem às Forças Armadas portuguesas", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, no meio da multidão que o envolveu no fim da cerimónia militar comemorativa do Dia de Portugal, justificando por que motivo cumprimentava toda a gente que o abordava.

"Mande-me isso lá para Belém", atirou, entretanto, o chefe de Estado, em resposta ao pedido de um antigo combatente que o abordou junto da viatura onde Marcelo entrou em direção ao aeroporto, para apanhar um avião para o Brasil, onde ainda hoje, e no domingo, prosseguem as celebrações Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

"Grande Presidente!", "Presidente, dê-me um beijo" e "Presidente, tire uma fotografia comigo" foram algumas das interpelações feitas pelas centenas de pessoas que assistiram às celebrações de hoje, junto ao Molhe, na Foz do Porto.

No fim da cerimónia militar comemorativa desta manhã, Marcelo Rebelo de Sousa cumprimentou os ex-combatentes da guerra do Ultramar, que tinham participado no desfile das várias Forças em Parada, e rapidamente foi rodeado por antigos militares e civis, caminhando "abraçado" por populares até à viatura que o aguardava na Avenida Montevideu.

O chefe de Estado presidiu hoje à cerimónia militar comemorativa do Dia de Portugal, que se realizou-se a partir das 09:00 na zona do Molhe, junto ao mar, no Porto, que há 11 anos já tinha sido palco destas celebrações oficiais e onde as celebrações arrancaram na sexta-feira.

    09/06/2018


    10 de Junho - ex-combatentes

    Centenas de ex-combatentes do Ultramar juntam-se em Lisboa, na tradicional cerimónia do 10 de Junho


    Todos os anos será assim no 10 de Junho

    10/06/2010


    10 de Junho


    O dia 10 de Junho de 2010 fica marcado por ser a primeira vez que os antigos combatentes desfilaram na cerimónia militar oficial do Dia de Portugal. “Está aberta a via para a eliminação de uma divisão absurda entre portugueses. Com efeito é a primeira vez que, sem distinções políticas, se realiza esta homenagem de Portugal aos seus veteranos”, (Publico)


    10 de Junho - Guerra de África

    Foi assim para muitos portugueses o 10 de Junho até ao 25 de Abril

    21/03/2014


    Guerra no Ultramar - ano de 1963


                                                                                                                                                         CRONOLOGIA DA GUERRA NO ULTRAMAR - DE 1961 A 1974
                                                                                                                                                                       A Guerra em Angola, Moçambique e Guiné.
                                                                                                                                                                      1963




    Amílcar Cabral com guerrilheiras do PAIGC






    Janeiro

    18
    Debate pelo Governo português de um projecto de Lei Orgânica do Ultramar.

    23
    Início da luta armada na Guiné, com um ataque ao quartel de Tite pelo PAIGC.

    Fevereiro
    Expulsão dos portugueses residentes na Serra Leoa e proibição de importação de mercadorias portuguesas, por causa da política colonial de Portugal
    Organização, pelo Comité Político da FLN da Argélia, do Dia de Angola, como apoio à independência

    4
    Início da 3.ª Conferência de Solidariedade Afro‑Asiática na Tanganica, presidida por Julius Nyerere, em que foi pedido o boicote económico e diplomático contra Portugal

    21
    Encontro de Salazar com dois enviados do presidente Youlou, do Congo-Brazzaville, que se propõe mediar uma solução para o problema angolano



    Março



    Captura, por guerrilheiros do PAIGC, dos navios Mirandela eArouca perto de Cacine, que mais tarde utilizou para transporte de pessoal e material na Guiné-Conacri

    Reuniões da Comissão de Descolonização da ONU, atribuindo prioridade aos territórios sob administração portuguesa

    Deserção do piloto militar português Jacinto Veloso, que aterrou com o seu avião na Tanzânia
    1
    Publicação de um conjunto de decretos com vista à formação de um mercado único português

    10
    Declaração de Amílcar Cabral em Paris sobre a disponibilidade de o PAIGC suspender a luta, se Portugal quisesse solucionar pacificamente o problema colonial


    13

    Contestação do Governo português à competência da Comissão de Descolonização da ONU para decidir sobre os territórios ultramarinos de Portugal

    15
    Comemoração, pela UPA, em Leopoldville, do segundo aniversário do início das hostilidades em Angola, com a presença do primeiro‑ministro congolês

    Aníbal São José Lopes assume a direcção da PIDE em Angola

    21
    Demissão de dez oficiais, em consequência dos acontecimentos da Índia

    Abril
    Atribuição, a vários militares, do Prémio Governador‑Geral, instituído pela TAP, pelas acções valorosas em defesa de Angola

    Tentativa, por parte do MPLA, de reactivar a acção da ATCAR, Associação dos Quiocos do Congo, Angola e Rodésia

    3
    Anúncio, por Franco Nogueira, da intenção de negociar um pacto de não‑agressão com os países limítrofes de Angola e outros países africanos

    9
    Comunicado oficial do Governo do Senegal sobre o bombardeamento efectuado por quatro aviões portugueses a uma aldeia fronteiriça, sendo o assunto comunicado ao Conselho de Segurança da ONU

    11
    Publicação da Encíclica Pacem in Terris do Papa João XXIII com referência explícita à independência de todos os povos


    20
    Reunião Internacional da Juventude em Argel, com a presença de representantes de Angola

    Maio

    Entrevista de Mário de Andrade, do MPLA, ao jornal Le Monde, em que afirma ser indispensável e decisivo o isolamento total de Portugal

    François Mendy, presidente da Frente de Luta pela Independência da Guiné (FLING), preconiza uma conferência para o reagrupamento de todos os movimentos nacionalistas das colónias portuguesas 1963.05 Comandante Vasco Rodrigues, governador?geral da Guiné

    Conferência entre Peterson, representante da UPA, e o presidente Kaunda em Elisabeteville sobre a possibilidade de a UFA utilizar o território da Rodésia do Norte (actual Zâmbia) como base

    Nomeação de João Eduardo como representante permanente do MPLA em Argel

    Tentativa de desmantelamento por parte das autoridades portuguesas de uma organização da Frelimo no Norte de Moçambique

    Reunião do Comité Executivo da União Internacional dos Estudantes (UIE) em Argel, em que é apresentado um relatório sobre a situação em Angola

    25
    Fundação da Organização de Unidade Africana (OUA) pelos chefes de 30 Estados independentes de África reunidos em Adis Abeba


    28
    Anúncio, pela NATO, da instalação em Portugal da base de comando da Zona Ibero­Atlântica


    29
    Recepção de Franco Nogueira por Kennedy e Dean Rusk

    Junho

    Corte de relações diplomáticas da República Árabe Unida com Portugal devido à política colonial portuguesa
    Assalto à sede do MPLA, em Leopoldville, pela polícia congolesa, que prende Agostinho Neto e Lúcio Lara

    7
    Declaração do secretário de Estado para os Assuntos Africanos dos Estados Unidos, segundo a qual os interesses estratégicos dos EUA exigem a continuação da cooperação com Portugal

    10
    Fundação, pelo MPLA, da Frente Democrática de Libertação de Angola (FDLA)

    Primeira cerimónia do Dia da Raça realizada no Terreiro do Paço, em Lisboa, de homenagem às Forças Armadas

    30
    Passagem das acções do PAIGC para norte do rio Geba

    Julho
    Declarações do abade Youlou, presidente do Congo­Brazaville, em Paris, sobre conversações acerca da efectivação de eleições em Angola, solução contestada pela FNLA

    Criação em Leopoldville da Frente Democrática para a Libertação de Angola, sob a presidência de Agostinho Neto, constituída pelo MPLA e outros pequenos partidos 1963.07 Reconhecimento exclusivo do GRAE e da FNLA, chefiados por Holden Roberto, pelo Governo do Congo‑Leopoldville (República Democrática do Congo) com reacções negativas de alguns países africanos

    Decisão da Libéria de expulsar portugueses residentes no seu território, com excepção dos que solicitarem estatuto de refugiados

    Corte de relações diplomáticas do Senegal com Portugal, com proibição de circulação de pessoas e mercadorias na fronteira com a Guiné

    Notícia do Le Monde sobre um contacto de Benjamim Pinto Buli, secretário­geral da União dos Naturais da Guiné (UNGP) com as autoridades portuguesas para a criação de um regime de autonomia interna

    Utilização, pelo PAIGC, da primeira mina anticarro, na estrada Fulacunda-São João

    1
    Debate, em Brazzaville, entre os movimentos nacionalistas angolanos no sentido da formação de um Comité de Coordenação
    Início da Conferência Internacional de Instrução Pública, em Genebra, em que é aprovada uma moção que pede a exclusão de Portugal por causa da sua política colonial

    10
    Início dos trabalhos de uma comissão de boa vontade nomeada pelo Comité de Libertação Africano no sentido de tentar unir os esforços dos movimentos de libertação angolanos

    13
    Reconhecimento do GRAE pelo Comité de Libertação da OUA (Organização de Unidade Africana)


    Início da visita a Leopoldville de uma missão da OUA, que recomenda aos países africanos o reconhecimento do GRAE e o apoio à FNLA

    16
    Encontro de Salazar com Benjamim Pinto Buli, dirigente de uma das facções da FLING

    22
    Crítica de Mário de Andrade à formação da Frente Democrática de Libertação de Angola pelo MPLA

    24
    Encontro entre o presidente do Congo-Brazzaville, Youlou, e o embaixador português em Paris sobre um programa para a realização de eleições em Angola

    27
    Exclusão de Portugal da Comissão Económica para África (CEA), organismo da ONU

    31
    Oposição dos Estados Unidos, França e Grã-Bretanha, no Conselho de Segurança da ONU, à aplicação de sanções contra Portugal
    Resolução do Conselho de Segurança da ONU que rejeita o conceito português de «províncias ultramarinas», decidindo que a situação perturbava seriamente a paz e a segurança em África, apelando a Portugal para reconhecer o direito de autodeterminação e independência

    Agosto

    Congresso dos partidos nacionalistas de Cabinda em Ponta Negra, com a presença do presidente Youlou, do Congo-Brazza, onde se formou a Frente de Libertação de Cabinda
    Carta de Salazar ao primeiro-ministro sul-africano pedindo cooperação e lembrando que «estamos quase sós em África», explicando que ou o bastião português resistia ou a guerra atingiria a África do Sul
    Reconhecimento do GRAE de Holden Roberto pela Tunísia, Argélia e Marrocos
    Convite de Portugal ao secretário-geral da ONU para visitar Lisboa, a fim de tratar das questões da política portuguesa em África
    Concessão, pelo Governo português, à Pan American International Oil Corporation, da prospecção de petróleo em Moçambique

    10
    Crítica do marechal Craveiro Lopes a alguns aspectos da política ultramarina

    12
    Discurso de Salazar sobre o problema do ultramar, que teve grandes repercussões internacionais e levou os nacionalistas a reafirmarem a continuação da luta

    23
    Interdição do espaço aéreo do Senegal a aviões procedentes ou destinados a Portugal e à África do Sul
    Cerimónia de apoio dos generais e oficiais superiores a Salazar e à política ultramarina

    27
    Manifestação nacional no Terreiro do Paço, em Lisboa, de apoio à política ultramarina do Governo, que serviu de base à legitimidade da política de defesa ultramarina do Governo português

    29
    Início das conversações de George Ball, representante americano, com Franco Nogueira e Salazar, em Lisboa, em que se evidenciam as divergências relativamente aos conceitos de autodeterminação e do factor tempo no problema africano

    30
    Encontro de George Bali, subsecretário de Estado americano, com Salazar, sendo debatida a atitude americana face à política colonial e a presença dos EUA nos Açores

    Setembro

    Reconhecimento do GRAE de Holden Roberto pelo Senegal
    Conferência de imprensa, no Rio de Janeiro, de Jorge Goinola, representante do GRAE, acompanhado de Humberto Delgado
    Utilização pela FNLA, na região de Noqui, Norte de Angola, de minas AC MK7 e granadas de mão Societa Romana
    Conflito entre a FNLA e a FNLEC por causa de declarações sobre o enclave de Cabinda
    Condenação, pelo VIII Congresso Internacional Socialista, dos países que persistem em oprimir os povos coloniais, como Portugal 1963.09.16 Início de uma visita de Américo Tomás a Angola

    23
    Chegada do ministro da Defesa, general Gomes de Araújo, a Moçambique para uma visita ao território

    Outubro
    Utilização pelos nacionalistas de Angola do seguinte armamento: granadas de morteiro 60, LG anticarro AC-P27(checo), LG RPG2 (russo), canhão sem recuo 57 (chinês) e canhão sem recuo 75 (chinês)
    Realização da XVIII Assembleia Geral da ONU, em que os países afro-asiáticos atacam a política colonial portuguesa
    Realização de conversações entre representantes portugueses e africanos, promovidas por U'Thant, secretário-geral da ONU, que virá a apresentar um relatório ao Conselho de Segurança sobre estas conversações
    Anúncio, em Leopoldville, do recomeço da ofensiva no interior de Angola por parte do Exército de Libertação Nacional de Angola (ELNA), da FNLA

    3
    Posse, em Bissau, do novo secretário-geral da província da Guiné, James Pinto Buli

    4
    Conferência de imprensa do Quartel-General de Luanda para comunicação da situação militar em Angola

    16
    Início de conversações entre Portugal e alguns países africanos, sob a égide da ONU, que incidiram, sem acordo, no sentido e no alcance do conceito de autodeterminação

    17
    Decisão do Governo português de considerar os crimes previstos na legislação militar, como cometidos em tempo de guerra

    Novembro
    Reorganização do MPLA, com ligação ao Corpo Voluntário Angolano de Auxílio aos Refugiados (CVAAR) e da União Nacional dos Trabalhadores Angolanos (UNTA)

    2
    Encerramento da sede do MPLA em Leopoldville e proibição da actividade do movimento no Congo

    7
    Recepção de Franco Nogueira por Kennedy

    8
    Debate na Comissão de Curadorias da ONU, sendo pedido ao Conselho de Segurança que se ocupe com urgência da situação nos territórios portugueses

    22
    Assassínio do presidente Kennedy, nos Estados Unidos da América

    Dezembro
    Primeiras actividades operacionais na Zona Militar Leste, em Angola
    Intervenção de Henrique Galvão na ONU sobre a «questão ultramarina portuguesa»

    3
    Resolução da Assembleia Geral da ONU, a solicitar ao Conselho de Segurança a adopção das medidas necessárias à execução das suas resoluções relativas aos territórios sob administração portuguesa

    6
    Declaração pública dos Estados africanos participantes nas conversações com Portugal, em que se lamenta o facto de não ter modificado minimamente os princípios fundamentais da sua política, tornando impossível qualquer conversação séria

    9
    Convite do Governo português ao secretário-geral da ONU, U'Thant, para visitar Angola e Moçambique

    11
    Resolução do Conselho de Segurança da ONU, a confirmar o conceito de autodeterminação da Declaração Anticolonialista e a deplorar a inobservância da resolução de 31 de Julho de 1963

    11/06/2018


    Ex-Combatentes - Homenagem


    10 Junho de 2018



    A Liga dos Combatentes e a Associação dos Deficientes das Forças Armadas (ADFA) pediram hoje ao Governo mais apoios sociais e na área da saúde, alertando para o muito que há por fazer pela sua "dignidade e inclusão".

    "É uma pena que Portugal, e quem nos representa, não sinta que ainda há tanto a fazer pela dignidade, pela inclusão de todos os cidadãos que lutaram de uma forma abnegada, com espírito de sacrifício e no cumprimento do serviço militar obrigatório. Os nossos representantes continuam sem responder a muitas das necessidades que são sentidas por todos os quantos lutaram", afirmou aos jornalistas Carlos Fanado, da ADFA.

    Este responsável associativo, que falava após a cerimónia do 25.º Encontro Nacional dos Combatentes, que decorreu junto ao monumento aos Combatentes do Ultramar, em Belém, Lisboa, reivindicou mais ajudas na área da saúde para quem lutou em nome do país.

    "A nossa média de idade está nos 70 anos, cada vez estamos mais doentes, com mais problemas, com mais necessidades de apoios em termos de ajudas técnicas. O Hospital das Forças Armadas não responde às nossas necessidades. Para marcarmos uma consulta estamos às vezes meses à espera. Há muita falta de cuidados de saúde ainda", denunciou.

    Carlos Fanado criticou também o Decreto-Lei 503 que, segundo o próprio, equipara os ex-militares feridos em teatros de guerra a funcionários públicos.

    "Têm reformas de funcionalismo público, reformas de 20, 30, 40, 50 euros. Pessoas com grandes deficiências. Desculpem a minha revolta, mas isto é uma vergonha de todos os portugueses e de Portugal", acusou o responsável da ADFA.

    Carlos Fanado lembrou ainda que há ex-militares, conhecidos como "milícias", que lutaram ao lado dos portugueses no Ultramar que "não tem nenhum apoio", recordando também que há processos relacionados com o stress pós-traumático a aguardar resposta "há 15 anos".

    Questionado se o Governo tem dado respostas a estas questões, o dirigente associativo lamentou as promessas não cumpridas ou adiadas.

    "Eles [Governo] prometem, mas a verdade é que as coisas não avançam. E o próprio senhor Presidente da República esteve há muito pouco tempo na nossa associação, no lançamento do livro sobre os nossos 40 anos, e ele próprio reconheceu que merecíamos maior respeito por parte da nação portuguesa", vincou Carlos Fanado da Associação dos Deficientes das Forças Armadas.

    O Presidente da República, que assinalou o 10 de Junho nos Açores, enviou uma mensagem escrita que foi lida pelo presidente da Comissão Executiva das comemorações do 25.º Encontro Nacional dos Combatentes, tenente-general Carlos Carvalho dos Reis.

    "Saibamos saudar e homenagear, através da Associação dos Deficientes das Forças Armadas, aqueles que mais sofreram na guerra de África, os nossos deficientes das Forças Armadas, a quem é da maior justiça que a pátria saiba respeitar concedendo-lhes as ajudas mais do que merecidas", apelou Marcelo Rebelo de Sousa, na sua mensagem.

    O presidente da Liga dos Combatentes (LC) também pediu mais apoios sociais e na área da saúde, lembrando que essas "são necessidades dos combatentes" que têm apenas um estatuto: "morrer se necessário pela pátria".

    Em declarações aos jornalistas, o tenente-general Chito Rodrigues, apelou à Assembleia da República que altere "muito rapidamente" a lei 03/2009, relativa ao complemento de pensão dado a quem "esteve na guerra", que equivale a 76 euros por ano.

    "Era uma lei em que os combatentes recebiam algo de acordo com o sacrifício, aplicando uma determinada fórmula e, passados sete anos, alteraram para a lei 03/2009 e transformaram o complemento de pensão em algo que envergonha quem o estabeleceu ou calculou e envergonha quem o recebe", sublinhou o presidente da LC.

    Outra das reivindicações prende-se com as "reformas de pobreza" recebidas por ex-combatentes.

    "Um dos objetivos da Liga dos Combatentes é que realmente aos combatentes, que sacrificaram parte da sua vida ao serviço do país, que essa Assembleia da República reconheça e lhes dê, pelo menos, o vencimento mínimo", pediu o tenente-general Chito Rodrigues

    Quiximba

    Os políticos de hoje e a maioria dos nossos Coronéis e Generais também já não sabem o que foi a Guerra do Ultramar


    Zau Évua

    Deviam passar uns meses em locais como estes, sempre na expectativa de serem atacados