30/07/2018

BCAC2877 - no Facebook

A grande complicação no Facebook.

Há duas contas do Facebook para o BCAC2877

Vou tentar descobrir como resolver esta complicação

Esta primeira é um "Grupo Público"

A segunda corresponde mesmo a uma conta do Facebook

Podem aceder conforme link que vou colocar por baixo de cada uma das fotos










Zau Évua - 28 de Julho de 1969



A visão escrita de José Niza






27/07/2018

Grafanil a Zau Évua - I


Do livro de José Niza - Golden Gate - um quase diário de guerra

A visão e experiência na primeira pessoa da saída de Luanda Grafanil até Zau Évua













23/07/2018

Luanda em 1969

Luanda era assim, à primeira vista

Luanda - 

Capital de Angola
Luanda, capital de Angola, é uma cidade portuária na costa oeste da África do Sul. Um passeio à beira-mar, conhecido como a Marginal, estende-se ao longo da Baía de Luanda. Nas proximidades, encontra-se a bem preservada Fortaleza de São Miguel, que agora alberga o Museu das Forças Armadas. O forte tem vistas para o porto e para a Ilha do Cabo, uma longa e estreita península na baía com praias, bares e restaurantes.

Luanda era assim, numa primeira vista de quem, militar preparado (mal) para uma guerra de guerrilha via depois de 12 dias a bordo dum navio de transporte de passageiros, agora transformado num transporte militar.

O olhar de Luanda visto do Vera Cruz, era como algo que passava pela mente sem se enquadrar numa lógica de conhecimento das realidades que lhe estavas por detrás.

O morro sobranceiro ao porto, o cinema ao ar livre, o movimento  que já se via e pressentia, duma cidade enorme e com grande  movimento.

A passagem pelo enorme quartel do Grafanil deu para se perceber como seria uma parte da guerra que cada maçarico iria enfrentar. A área ocupada por aquele monstro de quartel que servia de para muito mais, mas essencialmente para pólo de  recepção e envio de tropas. As que chegavam de Portugal sempre ali ficavam uns dias à espera de serem enviadas para um dos muitos quarteies de Angola, os que regressavam depois de missão cumprida ou eram enviados para outros locais de  Angola em rotação, também por ali passavam.

Do cais de Luanda ao  Grafanil, as viagens eram feitas de comboio, adivinha-se em que condições.

Ali se recebiam instruções, ali se recebiam as armas e as primeiras munições.

Ali era gerada a expectativa do futuro, um futuro incerto, medonho e de sofrimento.

A única atenuante era idade de cada um dos militares do serviço obrigatório, ainda a esperança que sempre lhes passava pelos sentidos de que nada de anormal lhes aconteceria.

Não foi assim para todos

22/07/2018

21 de Julho de 1969

Guerra de África - o trauma

Custa pensar assim.
Na vida há bons e maus momentos.
Há recordações passageiras e persistentes.
Cada ser humano tem o seu ego, a sua matriz, o seu ADN.
Podemos comparar um com outros. Todos serão diferentes, mas alguns com pontos comuns.
Mas, dar comigo a cada momento a relacionar situações, fotos, cheiros, barulhos e notícias com a Guerra de África, começa a ser doentio.
Sinto que estou um pouco assim conforme vou envelhecendo.
Não quero esquecer o que passei por lá. Eu e as centenas de milhares que por lá passaram, obrigados.
Mas...
Mas , serei eu, só o único?

22/07/2017

21 de Julho de 1969


21 de Julho de 1969 a chegada a Luanda

Na senda das recordações e, acima de tudo, com a esperança que possamos deixar para o futuro, alguns dados da nossa vivência como militares e combatentes na Guerra de África, vamos , com a nossa modèstia, deixando alguns relatos, opiniões e fotos dessa triste passagem de 2 anos por Angola.
Com Luanda à vista, depois de uma noite em que pelos rádios se ia ouvindo o relato da chegada do primeiro homem ao satélite da nossa Terra, o Vera Cruz, ansiava pelo descanso de uns dias, enquanto não regressava, pelo caminho das mesmas ondas para o Puto. Para lá levava, milhares de militares que iriam cumprir uma parte da sua obrigação de escrever umas tristes páginas da História de Portugal, para cá, o regresso não era tão penoso - uma parte dessas páginas já estava escrita por esses militares que esperavam com ansiedade esses momentos de embarque para casa.
Lentamente o Vera Cruz, como que cansado da longa viagem, foi-se aproximando do cais do Porto de Luanda. 

A enorme e lindissima baia, aí esta, tambem ela na expectativa de que, muitos dos agora forasteiros a iriam desfrutar em passeios descontraidos à beira mar, lavando o espírito das poeiras das picadas, das emboscadas, das doenças e da infinita tristeza gerada pela distância de familiares e amigos.
Luanda esperou.nos, com aquele calor tropical que desconhecíamos.
Esperou-nos e não foi nada hospitaleira.
Um enorme comboio, velho, mal tratado e nauseabundo, acolheu os militares, um pouco melhor que gado destinado ao matadouro, para nos levar, para o maior aquartelamento de Angola.




Á saída de Luanda, o Grafanil, era assim como uma placa giratória que albergava todos, os que chegavam e os que partiam.
Luanda era uma cidade enorme, com um movimento desusado de militares e civis. Muito civis eram militares,
Em Luanda, não havia guerra, mas havia o seu cheiro por todo o lado.
Circulava-se sem problema, a pé ou de transportes. Na cidade não havia guerra. 
Cafés , bares, restaurantes e cinemas funcionavam.
Haviam locais específicos para a troca de Escudos por Angolares.



Havia os bairros e casas do ricos. 
Havia as casas dos pobres e os bairros, os musseques, com a sua vida e a sua própria filosofia de vida.

Havia uma enorme rede de cafés, bares restaurantes e locais nocturnos. Estes, frequentados na sua maioria por militares que aí, matavam a sede da bebida e da "carne branca" a troco de muitos e muitos angolares.
Luanda, tinha uma população que acarinhava os militares. 
Pudera. Havia bastas razões para o fazer.
Quem pode fazer uma viagem, durante a noite, pela marginal e pela ilha, tive o previligérios de desfrutar um ambiente fantástico de cor, que muitas fotos atestaram
Por aí, ficamos, 2 ou 3 dias, antes que a guia de marcha no fizesse obrigar a ser carregados em camiões civis, com enormes taipais, onde fomos misturados com a parca bagagem que nos acompanhava.
A partir do momento em que foi pisado o solo angolano, não creio que tivesse sido lembrado que nesse mesmo dia, nesses momentos, o homem andava lá pela Lua. Com um pouco de sorte, algum dos 3 astronautas até no poderia ter fotografado (?).
Não mais foram lembrados. A preocupação de quem chegou era única - saber qual seria o poiso, que foi guardado, bem guardado em segredo.
Sabíamos que iríamos para o Norte, mas era tão grande esse Norte de Angola que a dúvida ficou sempre até ao final da viagem.
Ambrizete, foi a primeira paragem, não ficamos por aí, era bom demais para uns maçaricos como nós.


Até ao Ambrizete, ainda apanhamos uma picada asfaltada, embora com valas e enormes buracos por todo o caminho.




A partir do Ambrizete, Tomboco, Quiximba, Zau Évua e Lufico, foi só, pó e picada, pó e picada.


Tomboco - quartel da Missão

A Guerra Colonial ainda não acabou?

Artigo de Vasco Lourenço

A História das Nações e o posicionamento dos respectivos povos, perante os diversos acontecimentos do seu percurso colectivo, tem relações que nem sempre são consensuais, acontecendo muitas vezes que o entendimento dos factos é mais fruto das circunstâncias de quando é formulado do que propriamente resultado de um “sentir a Pátria”.

Não são poucas as situações em que o entendimento de acções praticadas varia consoante as épocas e as modas prevalecentes. Nem sempre o “politicamente correcto” é entendido da mesma maneira, havendo mesmo situações onde o que ontem foi incensado hoje é proscrito. E vice-versa, como é natural. Aliás, sabe-se bem que o herói de hoje pode ser o traidor de amanhã, como o inverso também acontece.

Nestes dias assistimos à enorme polémica sobre a questão dos Descobrimentos e da Escravatura (com o respectivo tráfico de escravos).

As conjunturas levam-nos a denegrir o que outrora foi incensado, só porque pode parecer mais “in”, pode dar-nos mais votos, especialmente dos que votam mais influenciados pelo populismo, pelas modas de ocasião, do que pelo discernimento e compreensão.

Não vou aqui tratar deste tema – não é que o mesmo me não interesse e sobre ele não tenha posição –, mas irei tratar especificamente a questão da Guerra Colonial, de que Portugal foi um dos principais protagonistas, durante 13 anos (entre 1961 e 1974).

Durante esses anos, longos anos, os portugueses lutaram, mataram e morreram em três “teatros de operações”, em Angola, na Guiné e em Moçambique.

Aí se envolveram um milhão de portugueses, oriundos de todo o então território nacional, aí morreram mais de dez mil “soldados e marinheiros”, daí regressaram várias dezenas de milhares de deficientes (mentais e físicos), aí se viveram enormes dramas, mas também algumas alegrias, fruto das derrotas e das vitórias parciais que se obtiveram. Aí se constituíram autênticos heróis, habilmente explorados pelo regime fascista-colonialista, mas aí se cometeram igualmente autênticos crimes de guerra.

É da natureza da guerra, não gosto de condenar os que cometeram exageros, pois costumo afirmar que o exagero está na própria existência da guerra, não dos que, fruto das circunstâncias, os cometem.

Estou à vontade, pois fiz a guerra na Guiné, vivi momentos bem difíceis e até dramáticos, mas tive a sorte de não me envolver em nenhuma acção de que mais tarde me viesse a envergonhar.

Há que clarificar, contudo, que distingo bem os exageros que a própria dinâmica da guerra provoca e os exageros que nenhuma guerra deveria provocar.

Partindo do princípio de que os objectivos não podem justificar todos os meios – nem mesmo nas guerras –, esses exageros só acontecem devido ao mau carácter dos seus autores. A sua má formação ética e moral não resiste ao ambiente da guerra e faz surgir os seus instintos assassinos...

Foi pelo facto de nessa altura os crimes de guerra não serem tão condenados como posteriormente o vieram a ser, que muitos dos actos praticados na Guerra Colonial aqui tratada viriam a ser escondidos através de condecorações por bravura e heroicidade.

Tivemos, é certo, os massacres de Wiriamu em Moçambique, que criaram fortes engulhos ao regime de Salazar/Caetano, mas a censura, por um lado, e os tempos de então, por outro, mantiveram os crimes cometidos num quase anonimato total.

Como teria sido, por exemplo, se o ataque a Conacri se verificasse hoje, com a prática de crimes que os portugueses invasores perpetraram na capital da Guiné-Conacri? A que condenações públicas internacionais assistiríamos, suportadas em enormes campanhas “publicitárias”!

O 25 de Abril de 1974 veio permitir a resolução do problema colonial, adaptando-se a posição portuguesa ao comum entendimento internacional, levando Portugal a reconhecer o direito de todos os povos à autodeterminação e independência.

Isso permitiu o acordo de cessar-fogo, o fim das hostilidades, o reconhecimento do nascimento de novos países e a transmissão do poder, de forma pacífica, para os responsáveis desses novos países de língua portuguesa. Portugal dignificou-se no seio da comunidade internacional, a guerra foi esconjurada, considerada ilegítima e maldita. E os heróis de ontem passaram a estar na sombra, procurando todos esquecer...

O sentimento de que os combatentes haviam cumprido o dever que o seu país, através do que os que detinham o poder (mesmo que ilegítimo e contestado) lhe impunham – naturalmente, “apoiado”, pelo facto dos autores da libertação (os Capitães de Abril) também terem feito a guerra, também serem combatentes –, permitiu uma transição pacífica da ditadura para a democracia e colocou entre parêntesis o próprio fenómeno da guerra.

E assim temos vivido, com a inserção dos combatentes, nomeadamente dos deficientes, na sociedade. Apesar de, de vez em quando, os saudosos da “outra senhora” deitarem as garras de fora, tentando instrumentalizar os combatentes para atitudes menos pacíficas.

O facto é que a sociedade portuguesa democratizou-se, adaptou-se às novas regras e a convivência entre todos tem sido um facto.

Por isso, não posso aceitar, e contesto veementemente, as sucessivas tentativas saudosistas do passado, dos ressabiados pela construção da democracia, dos que não aceitam a liberdade de todos e a igualdade de direitos dos antigos colonizadores e antigos colonizados, em trazerem à luz do dia fenómenos de todo em todo desactualizados, inoportunos e inaceitáveis.

Temos assistido a condecorações, passados mais de 40 anos, por actos que, em termos de guerra absoluta, até merecerão ser reconhecidos, mas que – hoje, passados todos estes anos – deveriam enterrar-se de vez. Continua, de facto, a haver quem não queira esquecer, nem permitir que os outros esqueçam, a Guerra Colonial.

Não vou desenterrar outros lamentáveis episódios de promoções e condecorações a que já assistimos. Venho é manifestar-me totalmente contrário, aqui acentuando o meu profundo protesto, contra a hipotética promoção, por distinção, do militar Marcelino da Mata – oriundo da Guiné-Bissau, com nacionalidade portuguesa, já promovido por distinção a capitão, graduado em tenente-coronel – a major.

Porquê?, pergunto. Para o graduarem em coronel ou, quem sabe, general? Para quê?

Porque acredito nos princípios de quem fez a proposta, creio que o senhor general Chefe de Estado-Maior do Exército não sabe dos crimes de guerra que o então sargento Marcelino da Mata praticou na Guiné, com especial relevo no referido ataque a Conacri (e não só, como afirmo na página 44 do meu livro Do Interior da Revolução).

Não quero acreditar, como não acredito, que os diversos responsáveis – ministro da Defesa Nacional, primeiro-ministro, Presidente da República – aprovem a decisão de o promover, se souberem bem o que aconteceu.

Como então, quando foram cometidos esses crimes de guerra (resultado da acção de autênticos assassinos) envergonharam muitos dos militares que deles tomaram conhecimento, esta promoção, a existir, constituirá uma enorme vergonha para o Portugal de Abril!

Por mim, para além de estar disponível para quaisquer esclarecimentos, faço sinceros votos para que se não façam mais quaisquer tentativas para justificar e legitimar uma guerra que, por mais anos que passem, se mostra cada vez mais inútil, ilegítima e injustificável.

Como, aliás, acontece com todas as guerras...!

21/07/2018

21 de Julho de 1969 a chegada a Luanda

21 de Julho de 1969 a chegada a Luanda - foi o que escrevemos em 2013

Na senda das recordações e, acima de tudo, com a esperança que possamos deixar para o futuro, alguns dados da nossa vivência como militares e combatentes na Guerra de Áfria, vamos , com a nossa modèstia, deixando alguns relatos, opiniões e fotos dessa triste passagem de 2 anos por Angola.
Com Luanda à vista, depois de uma noite em que pelos rádios se ia ouvindo o relato da chegada do primeiro homem ao satélite da nossa Terra, o Vera Cruz, ansiava pelo descanso de uns dias, enquanto não regressava, pelo caminho das mesmas ondas para o Puto. Para lá levava, milhares de militares que iriam cumprir uma parte da sua obrigação de escrever umas tristes páginas da História de Portugal, para cá, o regresso não era tão penoso - uma parte dessas páginas já estava escrita por esses militares que esperavam com ansiedade esses momentos de embarque para casa.
Lentamente o Vera Cruz, como que cansado da longa viagem, foi-se aproximando do cais do Porto de Luanda. A enorme e lindissima baia, aí esta, tambem ela na expectativa de que, muitos dos agora forasteiros a iriam desfrutar em passeios descontraidos à beira mar, lavando o espírito das poeiras das picadas, das emboscadas, das doenças e da infinita tristeza gerada pela distância de familiares e amigos.
Luanda esperou-nos, com aquele calor tropical que desconhecíamos.
Esperou-nos e não foi nada hospitaleira.
Um enorme comboio, velho, mal tratado e nauseabundo, acolheu os militares, um pouco melhor que gado destinado ao matadouro, para nos levar, para o maior aquartelamento de Angola.
Á saída de Luanda, o Grafanil, era assim como uma placa giratória que albergava todos, os que chegavam e os que partiam.
Luanda era uma cidade enorme, com um movimento desusado de militares e civis. Muito civis eram militares,
Em Luanda, não havia guerra, mas havia o seu cheiro por todo o lado.
Circulava-se sem problema, a pé ou de transportes. Na cidade não havia guerra. Cafés , bares, restaurantes e cinemas funcionavam. 
Haviam locais específicos para a troca de Escudos por Angolares.
Havia os bairros e casas do ricos. Havia as casas dos pobres e os bairros, os muceques, com a sua vida e a sua própria filosofia de vida.
Havia uma enorme rede de cafés, bares restaurantes e locais nocturnos. Estes, frequentados na sua maioria por militares que aí, matavam a sede da bebida e da "carne branca" a troco de muitos e muitos angolares.
Luanda, tinha uma população que acarinhava os militares. Pudera. Havia bastas razões para o fazer.
Quem pode fazer uma viagem, durante a noite, pela marginal e pela ilha, tive o previligérios de desfrutar um ambiente fantástico de cor, que muitas fotos atestaram
Por aí, ficamos, 2 ou 3 dias, antes que a guia de marcha no fizesse obrigar a ser carregados em camiões civis, com enormes taipais, onde fomos misturados com a parca bagagem que nos acompanhava.
A partir do momento em que foi pisado o solo angolano, não creio que tivesse sido lembrado que nesse mesmo dia, nesses momentos, o homem andava lá pela Lua. Com um pouco de sorte, algum dos 3 astronautas até no poderia ter fotografado (?).
Não mais foram lembrados. A preocupação de quem chegou era única - saber qual seria o poiso, que foi guardado, bem guardado em segredo.
Sabíamos que iríamos para o Norte, mas era tão grande esse Norte de Angola que a dúvida ficou sempre até ao final da viagem.
Ambrizete, foi a primeira paragem, não ficamos por aí, era bom demais para uns maçaricos como nós.
Até ao Ambrizete, ainda apanhamos uma picada asfaltada, embora com valas e enormes buracos por todo o caminho.
A partir do Ambrizete, foi só, pó e picada, pó e picada.

20/07/2018

Musica de AngolaOs Kiezos - Comboio

Angola - restos mortais de militares


Não se deve condenar em que circunstancias foi resolvida a questão do final da guerra e a entrega das ex-colónias aos seus naturais.
Deve questionar-se o facto de a situação dos militares sepultados em terras de África não estarem a ser devolvidos às famílias
IN (Público)

19/07/2018

Guerra Colonial - Portugal



Após a II Guerra Mundial todos os países europeus com excepção de Portugal foram concedendo a independência aos seus territórios na Ásia e em África, recorrendo por vezes ao uso da força (por exemplo no caso da Argélia). Assim, Cabo Verde, Guiné, S. Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, o chamado "Estado da Índia" (constituído por Goa, Damão e Diu), Macau e Timor eram ainda pertença portuguesa.

Em 1955, com a entrada de Portugal na ONU, foi recomendado ao governo tornar as suas colónias independentes, algo que não foi aceite. Para tentar contornar a situação o regime declarou as colónias como "províncias ultramarinas" e concedeu a cidadania aos seus habitantes. Tal medida foi reprovada internacionalmente pela Assembleia-Geral das Nações Unidas.

Goa, Damão e Diu seriam os primeiros territórios que Portugal perderia, após uma guerra de pequena duração com as forças indianas.

Em 1961, um rol de acontecimentos marcam uma viragem no destino das colónias portuguesas. É o caso da rebelião iniciada pelos militantes do MPLA (Movimento Popular para a Libertação de Angola) em Luanda, a 4 de Fevereiro e, a 15 de Março, a UPA (União das Populações de Angola), posteriormente denominada FNLA (Frente Nacional de Libertação de Angola), inicia um conjunto de violentos ataques no norte da colónia. Anos mais tarde, já com a presença da UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola), começa uma luta de guerrilha.

O conflito na Guiné-Bissau irá iniciar-se em 1963, com apenas uma organização política: o PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde), ao passo que a FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique) irá conduzir Moçambique à guerra no ano de 1964.

No continente africano apenas Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe ficaram imunes à guerra; na Ásia o território macaense sofreu alguns momentos de instabilidade, não tendo no entanto chegado a haver conflito armado; em Timor os movimentos independentistas só surgiram após o 25 de Abril de 1974.

No ano de 1961 Salazar irá proferir a máxima legitimadora da sua posição relativamente às rebeliões que se desencadeavam nas possessões portuguesas: "Para Angola, imediatamente e em força".

As três frentes de guerra provocaram fortes abalos nas finanças do Estado, desgastando simultaneamente as forças armadas, ao mesmo tempo que colocava Portugal cada vez mais isolado no panorama político mundial. A nível humano, as consequências foram trágicas: um milhão e quatrocentos mil homens mobilizados, nove mil mortos e cerca de trinta mil feridos, além de cento e quarenta mil ex-combatentes sofrendo distúrbios pós-guerra. A acrescentar a estes números há ainda que mencionar as não contabilizadas vítimas civis de ambas as partes.

O conflito não terá solução através de meios pacíficos ou militares, mas apenas por meios políticos e diplomáticos empreendidos após 1974.

12/07/2018

12 de Julho de 1969


No Vera Cruz aí íamos nós a caminho da Guerra do Ultramar.
Destino Angola, com passagem pela Ilha da Madeira para embarcar mais uma Companhia Operacional.
Angola era o destino.
Os locais no Norte, só mais tarde viemos a ter conhecimento.
Uns voltaram, outros não.

10/07/2018

Ex-combatentes no Ultramar recebem medalhas - Caldas da Raínha

Ex-combatentes no Ultramar recebem medalhas

Teve lugar na Escola de Sargentos do Exército (ESE), nas Caldas da Rainha, no dia 28 de junho, uma cerimónia de imposição de medalhas comemorativas das campanhas a 16 ex-combatentes no Ultramar entre 1961/1974, residentes na região.

Cerimónia na Escola de Sargentos do Exército 
Após o acolhimento dos ex-combatentes e convidados foi realizada uma visita às instalações, seguida de uma missa de homenagem a todos os militares e civis que morreram na guerra de África entre 1961 e 1974. 
No auditório 2.º Sargento José Paulo dos Santos foi realizada a cerimónia de imposição de condecorações, tendo sido presidida pelo comandante da ESE, coronel Gonçalo Azevedo, que aproveitou a ocasião para salientar o simbolismo do ato realizado e a sua importância para a formação dos alunos.
Terminada a sessão seguiu-se um almoço, no qual os ex-combatentes e respetivos acompanhantes participaram.
Foram condecorados os seguintes ex-combatentes: Ex-tenente Joaquim Sanches (Angola 1967-70), ex-furriel José Morim (Angola 1968-71), ex-furriel Carlos Cordeiro (Angola 1967-69), ex-1º cabo Armando Alves, a título póstumo (Angola 1961-63), ex-1º cabo António Pereira da Silva (Angola 1962-63), ex-1º cabo José Sousa (Moçambique 1963-65), ex-1º cabo Américo Sousa (Angola 1965-67), ex-1º cabo Arcolino (Guiné 1973-74), ex-1º cabo Carlos Martins (Moçambique 1971-73), ex-2º cabo António Oliveira (Angola 1961-63), ex-soldado Guilherme Oliveira (Angola 1966-69), ex-soldado Carlos Machado (Angola 1968-70), ex-soldado Henrique Pedro (Moçambique 1970-72), ex-soldado Guilhermino Fortes (Guiné 1971-72), ex-soldado Adriano Mendes (Moçambique 1971-73) e ex-soldado Mário Abrantes (Moçambique 1972-74).


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06/07/2018

2019 - I - 50 anos


Aguardamos o contacto com os camaradas que organizam o almoço da CCAC2542 para a hipótese de fazermos a confraternização em conjunto

05/07/2018

2018 - Confraternização anual III - Ementa


Estamos a escolher a ementa para o almoço de confraternização.

Os pratos a apresentar e tudo o resto, desde as entradas, as sobremesas, as bebidas, o bolo de aniversário, etc,  estão em linha de conta com o preço.

Logo que tenhamos novidades, daremos conhecimento

02/07/2018

Histórias de tatuagens do ultramar contadas em livro


Quem não se recorda do Américo (já falecido) e que nós visitamos, com o Adelino Martins e  o Aires no Carregal do Sal,  aqui estava com a a sua tatuagem.
Foto tirada no lar onde se encontrava

Diana Gomes é body piercer e recentemente também começou a fazer tatuagens. Rui Caria é repórter de imagem e fotógrafo. Juntos vão lançar uma obra de textos e fotografias onde contam as histórias de "gente que um dia foi à guerra e ficou tatuada por dentro". 

Diana Gomes é body piercer há 18 anos. A vida uniu-a ao marido, José Carlos, tatuador há 21. Juntos, têm o "Poison tatoo" na Praia da Vitória, há 14 anos. As tatuagens são, no fundo, indissociáveis da vida pessoal e profissional do casal e, como tal, o olhar clínico sobre as tatuagens muitas vezes incompreendidas dos ex combatentes do ultramar permitiu ao casal começar a reunir histórias.

Diana é, também, mulher de palavras e começou a escrever alguns textos sobre os "Amor de Mãe", tatuados nos braços destes homens. Para a recente tatuadora este registo é urgente de forma a preservar parte da nossa história: "surge na urgência de as poder “salvar”. Sempre que via uma tatuagem antiga conseguia decifrar se era do ultramar ou não, achava-as lindas e autênticas e muito específicas de uma época. Estas tatuagens fazem parte da nossa história, com características muito próprias e despertavam-me curiosidade em querer saber mais sobre elas.

Esta ideia já a tinha tido há muitos anos mas na realidade nunca a tinha contado (a não ser ao José Carlos, o meu marido). 

A urgência também dá-se ao tempo que ainda nos resta, que na verdade já não é muito…. Os homens que as têm são senhores na casa dos sessenta e alguns anos. Cada vez são mais raras e difíceis de as encontrar. Quero preservá-las para o todo sempre.", disse Diana ao Açoriano Oriental.

O processo de pesquisa e abordagem já dura há 3 anos. O trabalho está, agora no seu terminus: "A história de cada um deles vai ser contada, as fotografias vão ser vistas e as tatuagens que fizeram vão permanecer enquanto houver corpo. O livro que queremos mostrar é de gente que um dia foi à guerra e ficou tatuada, por dentro", adiantou a body piercer. 

O momento de decisão foi quando Rui Teixeira foi ao estúdio pedir que lhe tapassem as várias tatuagens que fez no ultramar. Diana achou-as tão perfeitas e identitárias que pediu para que Rui lhe contasse a história daqueles registos no corpo. O ex combatente acedeu à proposta e Diana precisava agora de um fotógrafo que soubesse contar as histórias através de imagens. Rui Caria, a viver há largos anos na Praia da Vitória aceitou o desafio. Diana "Sabia que mesmo que os meus textos não fossem os mais bem escritos ( porque não tenho qualquer formação na área, apenas um gosto desde da minha adolescência de escrever e recitar os meus poemas) as tatuagens do ultramar estariam salvas através do seu talentoso trabalho fotográfico".

"Comecei a procurar senhores que tinham ido ao ultramar, fui à junta de freguesia da Vila das Lajes para ver se conseguia nomes, depois fui falando com pessoas conhecidas e amigas que se iam lembrando de familiares que as tinham. Também fui a um encontro de homenagem aos ex-combatentes e tive a oportunidade de conhecer alguns deles. Visitei o Museu Militar dos Açores, no forte de São Brás na cidade de Ponta Delgada que tem uma sala dedicada ao Ultramar, fui ver onde ficava o Quartel dos Arrifes e também fui ao local onde se situou a Bateria também em Ponta Delgada." 

Para a tatuadora terceirense não há histórias mais ou menos importantes: "Na verdade são todas urgentes de registar, porque cada uma possui histórias incríveis, relatos únicos. Não foi muito fácil encontrá-los. Abordei o assunto com delicadeza e com algum cuidado, porque sabia que iria levá-los a memórias intensas e na maioria dos casos menos boas. Pude ouvir histórias de verdadeiros heróis, aprendi imenso com as nossas conversas fiquei deslumbrada com a forma como eles se lembravam como se tivesse sido ontem dos números, dos nomes, das datas e de coisas que se passaram há mais de quarenta anos." 

A jovem considera que este livro poderá também ser importante para a comunidade de tatuadores: "acho preciso documentá-las para podermos ver a sua evolução a nível estético e técnico." 

As fotografias de Rui Caria acompanhadas pelos textos de Diana Gomes resultarão numa obra que os autores pretendem lançada até ao final do ano.

01/07/2018