22/06/2012

Historia da Unidade - I

                                                  INTRODUÇÂO

Para além do gozo do entretenimento que dá a feitura do blog, temos no fundo dos nossos pensamentos a transmissão de valores e sentimentos que nos ficaram como recordação da Guerra de África.    Ainda era mos muito jovens quando da invasão do Estado da Índia pelas tropas da União Indiana e a entrega daqueles territórios aquele país, sem condições.
     A humilhação que os militares portugueses sofreram fruto da política colonial Portuguesa de então e que se manteve ate ao 25 de Abril de 1974.
    Não faltou muito tempo para que os acontecimentos ocorridos em Luanda, nos viessem a chamar a atenção para o que o futuro poderia reservar a Portugal face à sua política ultramarina preconizada e mantida em África ao contrário do que já vinha acontecendo com todas as outras potências europeias colonizadoras.
    As mentes duras deste país não quiseram acreditar que os ventos da história estavam a mudar e que, como sempre acontece aos "impérios", este tem sempre o seu fim.
    Passava um Carnaval no lugar onde nasci, quando uma patrulha da GNR veio "arregimentar" um amigo meu, bem mais velho, que embora estando a cumprir serviço militar, estava de licença. Não teve mais tempo que voltar a casa e pegar nos seus pertences militares e rumar a um aeroporto que desconheço qual e embarcar para Angola. Foi um dos primeiros amigos que passaram pela Guerra de África. Regressou, felizmente, são e salvo e sem mazelas físicas passados tempos.
    Aí, embora ainda não pensando o que me poderia acontecer, ficou gravado no meu intimo, o que algum tempo mais tarde me poderia acontecer.
    Pela minha família, entretanto já tinha passado a hipótese de um irmão mais velho, oito anos, ter rumado à Índia.
    Tal não aconteceu, mas por pouco.
    O local onde vivia era propício a manifestações operárias e políticas. Na própria escola que frequentava, já se indiciavam movimentos estudantis contra o Ministério da Educação. A politização dos alunos, era apesar de tudo muito pouca. Notava-se apenas que a grande maioria era contra, acima de tudo contra a MP, a Mocidade Portuguesa, a "bufaria" como então lhe chamávamos.
    Na verdade, a Guerra de África, lá continuou e no pensamento de quem tinha ainda alguns anos para ser incorporado nas forças armadas, sedimentava-se a hipótese de fugir à Guerra.
    Uns emigravam. Por essa altura o fluxo das idas para França e Alemanha era enorme – era o "bidonville" em França. Muitos o fizeram, mas a grande maioria por cá ficou e a ida para África foi o seu destino na flor da vida, o "futuro".
    Nós já tínhamos o conhecimento do que se tinha passado no Congo Belga e o regresso de alguns amigos da nossa família que para lá tinham emigrado, ainda nos despertaram mais a atenção dos perigos que em todos os territórios de África estava a acontecer, em especial a luta que os africanos estavam a travar com os europeus.
    Outros ficavam na esperança de ficarem livres, inventando todas as possíveis artimanhas e cunhas para se safarem.
    Na maioria dos casos, após a inspecção militar que se dava aos 20 anos, trazia-se na papeleta a indicação – aprovado para todo o serviço militar. A sorte estava lançada.
    O futuro era na grande maioria dos casos, o alistamento no Exército.
    

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