12/07/2015

12 de Julho de 1969 - 12 de Julho de 2015

Pouco importa o tempo que medeia entre estas duas datas para muitos portugueses.
Muitos dos actuais governantes nem passaram pela Guerra de África, pelo que nem podem e nem querem imaginar o que foi a ida  para o "incerto", deixando por cá os familiares mais queridos e os amigos, interrompendo uma vida que estava no seu percurso normal.
Hoje, os antigos combatentes, são esquecidos e não vêem reconhecidas pelo Estado que os mandou para a Guerra, as doenças resultantes de sua passagem por esse período da sua vida.
Com dezenas de livros, artigos de jornais, programas de televisão, fotos, blogs e muitos outros meios  de publicitar as passagem da Guerra de África, mais não servem que deixar um testemunho para os seus filhos, netos e todos  os outros vindouros daquilo que foi uma fase negra das suas vidas.
Assim foi naquele dia 12 de Julho de 1969, com o Vera Cruz, repleto de militares a caminho de Angola.
Nós fomos um daqueles que regressaram são e salvo. Outros o fizeram doentes ou estropiados para toda a vida
Muitos outros por lá ficaram mortos ou desaparecidos.


1 comentário:

Antonio S. Leitão. disse...

A nação é de todos. A nação tem de ser igual para todos. Se nao é igual para todos, é que os dirigentes que se chamam Estado, se tornaram quadrilha. (Aquilino Ribeiro. In quando os lobos uivam.
Durante a guerra colonial, foi mais que quadrilha.
Em 1896 ja Guerra Junqueiro falava de um povo resignado, humilde, fatalista, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia de um coice.
O Padre Antonio Vieira dizia: Se nos vendemos tao baratos, porque nos avaliamos tao caros?
Por vezes temos o que merecemos.