18/08/2009

Ambrizete - histórias

Um nosso companheiro que tambem passou pelo Ambrizete, a quem agradecemos, aqui descreve com uma facilidade de expressão digna de registo, um episódio dos muitos que por lá passamos:

<<À dias estava com um amigo do meu tempo de Ambrizete e veio à memória o seguinte:
Neste Quartel e no meu tempo, o edifício das Transmissões ficava lá para as traseiras. Lá funcionava o Posto de Rádio, centro Cripto e Op. de mensagens. Ah, e uma casa de banho! Pois, o problema aconteceu precisamente ali e em pleno uso! O Op. de Mensagens, a dada altura descobriu que tinha companhia numa área que, à partida, seria 100% privada.
Atrás de si, a cerca de meio metro, imóvel estava uma cobra a olhar para ele! Literalmente, com as calças na mão e aos gritos resolve pedir socorro. Lá foi o pessoal dar uma ajuda armados de enxadas, mas o bicho devia estar assustado e teimava em não sair da casa de banho! Como nem os mais estrategas davam conta do recado, resolveram chamar um negro, de quem não recordo o nome, para dar uma ajuda. Sei que ele teria um metro e noventa, calçava 54 (dizia-se...) e ajudava na cozinha.
Posto o problema ao homem, este foi de imediato ao local. Acontece que ao deparar com o réptil, o freguês em quem se depositava tanta confiança para resolver o problema, resolveu simplesmente fugir e só parou bem longe!
Intrigados, perguntámos o porquê de tanto receio, na medida em que eventualmente poderia estar habituado a lidar com répteis - afinal tinha nascido em África!
A questão, disse ele, é que aquele era muito especial, porque a sua mordedura era quase sempre fatal. Segundo nos narrou depois e quando já se encontrava menos nervoso, o réptil pertencia à classe dos que mordiam quando se encontravam pendurados nas árvores. Como à frente do edifício das transmissões se encontrava uma árvore de grande porte que ramificava para a janela da casa de banho, o bicho aproveitou um buraco na rede. Quem acabou por resolver o problema foi um Rádiomontador munido de uma enxada mas, diga-se em abono da verdade, foi preciso muita luta. A casa de banho voltou ao sossego habitual mas (dizia-se) ninguém mais a usou sem primeiro tomar as devidas precauções, ou não fosse o diabo (neste a caso a cobra) pregar de novo a partida!
Não sendo um episódio que tenha a marca de guerra, passou-se naquela terra e naquele quartel que muitos conhecem e gostam de recordar!>>


Um abraço

Casal

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