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terça-feira, 22 de abril de 2008

José Niza - Poemas da Guerra








Quando fazia a dedicatória que se publica abaixo



Um dos poemas
CARO LUIZ VAZ
Eu canto um ilustre peito lusitano
ainda assaz melhor que o da Mangano
e se a tanto me ajudar o engenho e a arte
ainda mando esta vil guerra àquela parte
e rumarei apressado àquele peito
que mais vocação tenho para o leito
do que para esta guerra injusta
e sem respeito

Estivemos em Santarém, numa memorável e inolvidável tarde.
Na apresentação pública do livro de poemas - Poemas da Guerra - do Dr José Niza.
Aquele que foi médico do Batalhão 2877 onde fomos camaradas, (onde todos nos conhecemos e ficamos amigos para sempre - palavras suas), nos dois anos mais tristes das nossas vidas.
Como Francisco Pinto Balsemão, diz no prefácio ao livro, por si subscrito, "Jose Niza é um médico praticante, um compositor e autor de letras consagrado e um músico amador competente . . .
"Dizemos nós, que com ele partilhámos muitos momentos bons e maus, que é um homem com um raro sentido de humor, um conversador nato, um companheiro e acima de tudo um notável, honesto e sincero utilizador da verticalidade na sua postura e no modo como tem praticado a vida. "




Aqui deixamos a sua mensagem a todos os antigos camaradas de armas
Bem haja








Daremos notícia mais pormenorizada da cerimónia oportunamente













sexta-feira, 18 de abril de 2008

25 de Abril



25 de Abril

Da janela do meu coração, continuo a ver o 25 de Abril de 1974 a passar.
Algumas vezes temos conversado.
Não passa agora tantas vezes e, quando passa, já o faz, com um passo curto, muito miudinho.
Ainda trás consigo uma áurea de esperança. Mesmo para os velhos, o futuro não se perde nunca de vista
Está a ficar velho, mas, como todos os velhos, está rico em experiência e em sabedoria acumulada.
Tenho notado que nalguns dias, passa como que se estivesse um pouco envergonhado.
Creio que não será com ele próprio.
Noto que, não sendo de muitas palavras e mais de actos, prefere que o tempo vá passando para que muitos dos que mal dele disseram e alguns ainda hoje dizem, se compenetrem da sua razão.
Os bons corações são generosos, compreensivos e humildes.
Ele foi.
Ele assim é
Houve tantos que precisaram dos seus favores, o que ele nunca regateou e muitos desses, hoje tanto mal dele dizem.
Houve tambem quem pretendesse aproveitar as ruinas do casarão que ele escancarou, para o transformar em outro quase igual, apenas pintando com outras cores a fachada e as paredes.
Noto-lhe no semblante a esperança de que sabe que um dia virá o reconhecimento das suas qualidades.
Nunca mo disse, mas eu já me apercebi, que tem perdoado a essas pequenas minorias, a sua maledicência e oportunismo.
Estando mais velho, já com as rugas a começarem a cobrir-lhe a face tisnada pelas intempéries da dura vida terrena, sabe que não foi perfeito em tudo o que até agora fez.
Também têm consciência de que, com a sua idade, agora, não pode fazer muito mais.
A sua sina, foi abrir para uma grande maioria, as portas do casarão, velho, com as paredes a derrocarem e o vigamento dos tectos cheios de teias de arenha, quando não, de ninhos de vespas e com o telhado a desmoronar-se, devido aos maus tratos de 50 anos de abandono e isolamento.
Depois das portas abertas, todos entraram.
Minto, alguns, fugiram, pois tiveram medo que algum pedaço do velho edifício lhe caísse em cima.
Outros que durante anos foram habitantes privilegiados do edificio, aproveitaram a camuflagem do pó da derrocada e passam por aí, despercebidos.
… A minha janela continua aberta.
Será bom continuar a vê-lo passar. Nem acredito que não possa assim ser.
Estamos os dois a ficar cada vez mais velhos.
Eu mais, quando ele nasceu, já tinha quase 30 anos. Com três de serviço militar obrigatório, dois deles passados nas matas de Angola. No regresso trouxe comigo o sedimento dessa dura passagem, muito dele, ainda me acompanha hoje no dia a dia.

Desejo que nos continuemos a ver, por longos, felizes e saudáveis anos.

Bem-haja






Braz Gonçalves/Abril de 2008

quinta-feira, 17 de abril de 2008

25 de Abril










Revolução dos Cravos


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.



O levantamento militar do dia 25 de Abril de 1974 derrubou, num só dia, o regime político que vigorava em Portugal desde 1926, sem grande resistência das forças leais ao governo, que cederam perante o movimento popular que rapidamente apoiou os militares. Este levantamento é conhecido por 25 de Abril ou Revolução dos Cravos. O levantamento foi conduzido pelos oficiais intermédios da hierarquia militar (o MFA), na sua maior parte capitães que tinham participado na Guerra Colonial. Considera-se, em termos gerais, que esta revolução devolveu a liberdade ao povo português (denominando-se "Dia da Liberdade" o feriado instituído em Portugal para comemorar a revolução).
Precedentes


A Guerra do Ultramar, um dos precedentes para a revolução



Na sequência do golpe militar de 28 de Maio de 1926, foi implementado em Portugal um regime autoritário de inspiração fascista. Em 1933 o regime é remodelado, auto-denominado-se Estado Novo e Oliveira Salazar passou a controlar o país, não mais abandonando o poder até 1968, quando este lhe foi retirado por incapacidade, na sequência de uma queda em que sofreu lesões cerebrais. Foi substituído por Marcello Caetano que dirigiu o país até ser deposto no 25 de Abril de 1974.
Sob o governo do Estado Novo, Portugal foi sempre considerado uma ditadura, quer pela oposição, quer pelos observadores estrangeiros quer mesmo pelos próprios dirigentes do regime. Formalmente, existiam eleições, mas estas foram sempre contestadas pela oposição, que sempre acusaram o governo de fraude eleitoral e de desrepeito pelo dever de imparcialidade.
O Estado Novo possuía uma polícia política, a
PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado), mais tarde DGS (Direcção-Geral de Segurança) e, no início, PVDE (Polícia de Vigilância e Defesa do Estado), que perseguia os opositores do regime. De acordo com a visão da história dos ideólogos do regime, o país manteve uma política baseada na manutenção das colónias do "Ultramar", ao contrário da maior parte dos países europeus que então desfaziam os seus impérios coloniais. Apesar da contestação nos fóruns mundiais, como na ONU, Portugal manteve uma política de força, tendo sido obrigado, a partir do início dos anos 60, a defender militarmente as colónias contra os grupos independentistas em Angola, Guiné e Moçambique.
Economicamente, o regime manteve uma política de condicionamento industrial que resultava no monopólio do mercado português por parte de alguns grupos industriais e financeiros (a acusação de plutocracia é frequente). O país permaneceu pobre até à década de 1960, o que estimulou a emigração. Nota-se, contudo, um certo desenvolvimento económico a partir desta década.

Preparação


Monumento em Grândola
A primeira reunião clandestina de capitães foi realizada em
Bissau, em 21 de Agosto de 1973. Uma nova reunião, em 9 de Setembro de 1973 no Monte Sobral (Alcáçovas) dá origem ao Movimento das Forças Armadas. No dia 5 de Março de 1974 é aprovado o primeiro documento do movimento: "Os Militares, as Forças Armadas e a Nação". Este documento é posto a circular clandestinamente. No dia 14 de Março o governo demite os generais Spínola e Costa Gomes dos cargos de Vice-Chefe e Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, alegadamente, por estes se terem recusado a participar numa cerimónia de apoio ao regime. No entanto, a verdadeira causa da expulsão dos dois Generais foi o facto do primeiro ter escrito, com a cobertura do segundo, um livro, "Portugal e o Futuro", no qual, pela primeira vez uma alta patente advogava a necessidade de uma solução política para as revoltas separatistas nas colónias e não uma solução militar. No dia 24 de Março a última reunião clandestina decide o derrube do regime pela força.
Ver também:
Oposição à ditadura portuguesa: ditadura militar (1926-1933) e Estado Novo (1933-1974)
Movimentações militares durante a Revolução
Ver cronologia completa de eventos em
Cronologia da Revolução dos Cravos.
No dia
24 de Abril de 1974, um grupo de militares comandados por Otelo Saraiva de Carvalho instalou secretamente o posto de comando do movimento golpista no quartel da Pontinha, em Lisboa.
Às 22h 55m é transmitida a canção ”
E depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho, pelos Emissores Associados de Lisboa, emitida por Luís Filipe Costa. Este foi um dos sinais previamente combinados pelos golpistas e que espoletava a tomada de posições da primeira fase do golpe de estado.
O segundo sinal foi dado às 0h20 m, quando foi transmitida a canção ”
Grândola Vila Morena“, de José Afonso, pelo programa Limite, da Rádio Renascença, que confirmava o golpe e marcava o início das operações. O locutor de serviço nessa emissão foi Leite de Vasconcelos, jornalista e poeta moçambicano.
O golpe militar do dia 25 de Abril teve a colaboração de vários regimentos militares que desenvolveram uma acção concertada.
No Norte, uma força do CICA 1 liderada pelo Tenente-Coronel
Carlos Azeredo toma o Quartel-General da Região Militar do Porto. Estas forças são reforçadas por forças vindas de Lamego. Forças do BC9 de Viana do Castelo tomam o Aeroporto de Pedras Rubras. E forças do CIOE tomam a RTP e o RCP no Porto. O regime reagiu, e o ministro da Defesa ordenou a forças sedeadas em Braga para avançarem sobre o Porto, no que não foi obedecido, já que estas já tinham aderido ao golpe.
À Escola Prática de Cavalaria, que partiu de
Santarém, coube o papel mais importante: a ocupação do Terreiro do Paço. As forças da Escola Prática de Cavalaria eram comandadas pelo então Capitão Salgueiro Maia. O Terreiro do Paço foi ocupado às primeiras horas da manhã. Salgueiro Maia moveu, mais tarde, parte das suas forças para o Quartel do Carmo onde se encontrava o chefe do governo, Marcello Caetano, que ao final do dia se rendeu, fazendo, contudo, a exigência de entregar o poder ao General António de Spínola, que não fazia parte do MFA, para que o "poder não caísse na rua". Marcello Caetano partiu, depois, para a Madeira, rumo ao exílio no Brasil.
A revolução, apesar de ser frequentemente qualificada como "pacífica", resultou, contudo, na morte de 4 pessoas, quando elementos da polícia política dispararam sobre um grupo que se manifestava à porta das suas instalações na Rua António Maria Cardoso, em Lisboa.



Cravo
O
cravo tornou-se o símbolo da Revolução de Abril de 1974; Com o amanhecer as pessoas começaram a juntar-se nas ruas, apoiando os soldados revoltosos; alguém (existem várias versões, sobre quem terá sido, mas uma delas é que uma florista contratada para levar cravos para a abertura de um hotel, foi vista por um soldado que pôs um cravo na espingarda, e em seguida todos o fizeram), começou a distribuir cravos vermelhos pelos soldados que depressa os colocaram nos canos das espingardas.




Consequências


Mural na Chamusca, com uma dedicatória ao 25 de Abril
No dia seguinte, forma-se a
Junta de Salvação Nacional, constituída por militares, e que procederá a um governo de transição. O essencial do programa do MFA é, amiúde, resumido no programa dos três D: Democratizar, Descolonizar, Desenvolver.
Entre as medidas imediatas da revolução contam-se a extinção da polícia política (PIDE/DGS) e da Censura. Os sindicatos livres e os partidos foram legalizados. Só a 26 foram libertados os presos políticos, da
Prisão de Caxias e de Peniche. Os líderes políticos da oposição no exílio voltaram ao país nos dias seguintes. Passada uma semana, o 1º de Maio foi celebrado legalmente nas ruas pela primeira vez em muitos anos. Em Lisboa reuniram-se cerca de um milhão de pessoas.
Portugal passou por um período conturbado que durou cerca de 2 anos, comummente referido como
PREC (Processo Revolucionário Em Curso), marcado pela luta entre a esquerda e a direita. Foram nacionalizadas as grandes empresas. Foram igualmente "saneadas" e muitas vezes forçadas ao exílio personalidades que se identificavam com o Estado Novo. No dia 25 de Abril de 1975 realizaram-se as primeiras eleições livres, para a Assembleia Constituinte, que foram ganhas pelo PS. Na sequência dos trabalhos desta assembleia foi elaborada uma nova Constituição, de forte pendor socialista, e estabelecida uma democracia parlamentar de tipo ocidental. A constituição foi aprovada em 1976 pela maioria dos deputados, abstendo-se apenas o CDS.
A guerra colonial acabou e, durante o
PREC, as colónias africanas e Timor-Leste tornaram-se independentes.
O 25 de Abril visto 30 anos depois
O 25 de Abril de 1974 continua a dividir a sociedade portuguesa, embora as divisões estejam limitadas aos estratos mais velhos da população que viveram os acontecimentos, às facções políticas dos extremos do espectro político e às pessoas politicamente mais empenhadas.

A análise que se segue refere-se apenas às divisões entre estes estratos sociais.

Em geral, os jovens não se dividem sobre o 25 de Abril.
Existem actualmente dois pontos de vista dominantes na sociedade portuguesa em relação ao 25 de Abril.
Quase todos, com muito poucas excepções, consideram que o 25 de Abril valeu a pena. Mas as pessoas mais à esquerda do espectro político tendem a pensar que o espírito inicial da revolução se perdeu.

O PCP lamenta que a revolução não tenha ido mais longe e que muitas das conquistas da revolução se foram perdendo.

As pessoas mais à direita lamentam a forma como a descolonização foi feita e lamentam as nacionalizações.

JOSÉ NIZA - Zau Evua - Angola - Bcac 2877


Estamos a preparar uns "escritos" dado que José Niza vai publicar um livro de poemas sobre a guerra.
O Dr. José Niza, atraves do Adelino Martins, convidou a "rapaziada" do BCAC2877 para estar presente, segunda-feira, 21/04/2008, pelas 18h30m em Santarem no Largo do Seminário (se não chover), se chover, nos Paços do Concelho, para a apresentação do seu livro.
Repassamos o convite.
O Carnaval em Zau Évua
.
Aqui o Carnaval é todo o ano
Desde o içar da bandeira
Ao cair do pano
Trezentos soldados
Mascarados
Suam bem suados
bagas de suor de um confetti
amarelo verde e encarnado
que não é daqui
um clarim toca várias vezes ao dia
(o Pavlov descobriu
que os reflexos condicionados
também serviam para os soldados)
eu vou estando
e não esqueço
adeus até ao meu regresso
.
Poema de Jose Niza
Passamos para a 1ª página o comentário do nosso companheiro Silva, visitante diário e apaixonado do nosso Blog, para além de nos remeter bastantes fotos, Aqui fica o seu "escrito", fruto da sua explêndida memória e da sua sempre pronta colaboração
QUERO AQUI LEMBRAR A ALGUNS EX.CAMARADAS DE ARMAS, A PROPÓSITO DO SR. DOUTOR JOSÉ NIZA,UMA PEÇA DE TEATRO DA QUAL EU FIZ PARTE IMITANDO O SARGENTO MARTINS.
LEMBRO-ME VAGAMENTE DA CANÇÃO, DE AUTORIA DO SR.DOUTOR E DO ALFERES VINAGRE.
DEIXO SÓ UM BOCADINHO .
NÃO ME LEMBRO DELA TODA.
"GOSTO DA BORGA DE NÃO FAZER NADA
NA FORMATURA ARMAR BARRACADA
MAS IR PARA O MATO É QUE NÃO
E MUITO MENOS COMER A RAÇÃOOOO!
AO DOMINGO PARA O MATO VAMOS PASSEAR,
E NO CAPIM COM A G3 GOSTAMOS POUCO DE DANÇAAAAR"
UM ABRAÇO DO JSILVA PARA TODOS.

Domingo à tarde

O QUE É QUE SE PODIA FAZER NO DOMINGO À TARDE?

Foi uma belíssima ideia aquela de pôr à disposição dos visitantes do 'blog' a possibilidade de ouvir música do 'nosso' tempo, ou seja, 'daquele' tempo durante o qual cumprimos o serviço militar obrigatório em condições tão especiais. As memórias que cada um de nós guarda daqueles tempos serão, obviamente, diversas de pessoa para pessoa, mas muitos dos estímulos que as avivam são partilhados pela maioria. E a música que se ouvia naquele tempo é um desses potentes estímulos na medida em que foi a grande e quase sempre disponível companhia para a amenizar a solidão e aquecer as saudades.
O que é que você vai fazer domingo à tarde? Que pergunta mais dura de se ouvir para quem estava confinado às condições da vida militar em cenário de guerra de contra guerrilha, longe do seu mais próximo ambiente socio-familiar? Mas, ao mesmo tempo, essa duríssima pergunta projectava-nos para aquele dia futuro em que nos reuniríamos, de novo, aos nossos longínquos familiares e amigos para retomar uma vida de normalidade.
Os mais de 24 meses da comissão de serviço cumprida em 'território' Zau Évuano foram muito duros particularmente para os que não puderam gozar os mesmo dias de descanso de que outros, mais afortunados, dispuseram. Mas a dor, o sacrifício, não se medem com fita métrica nem com balança. Cada sente as coisas à sua maneira.
E o que é que se podia fazer no domingo à tarde lá no Lufico? Há que referir que o quartel ali estava isolado de qualquer núcleo populacional onde se pudesse, pelo menos, ver outras caras que não fossem apenas as nossas. Os nossos companheiros que viveram em quartéis integrados em ambiente social, ainda que de estrutura, composição e cultura muito diversa daquela a que se estavam habituados, poderão imaginar como era apreciada a nossa possibilidade de, a cada quinze dias, irmos fazer a escolta do MVL, o que nos levava até Tomboco, a cerca de 80 quilómetros. De notar que essa deslocação representava a mais alta probabilidade de um encontro bélico, de resto confirmada pelo registo histórico de ocorrências naquele percurso, o que havia determinado a presença de apoio aéreo para aquele tipo de operação. Mas todo esse risco era esquecido ante a possibilidade de, ainda que fosse por pouquíssimo tempo, 'socializar' em termos mais parecidos com a normalidade.
No quartel, outras caras que não as nossas só podiam ser a do nosso capelão, as dos oficiais superiores que nos visitavam e as dos pilotos dos taxis aéreos que nos levavam os víveres frescos. A permanência do capelão constituía uma novidade muito valiosa, pelo menos para os que aproveitavam para recuperar a sua vivência religiosa. A maneira de ser e de actuar do padre jesuíta que nos tocou como capelão era apreciada por todos e, por certo, deixou boas recordações. Das visitas dos oficiais superiores nem vale a pena falar dado o seu carácter muito 'oficial', coisa que não permitia um convívio generalizado. Os pilotos demoravam-se pouco, é certo, mas eram muito admirados, provavelmente porque traziam uma 'mercadoria' muito cara: o correio. E sobre esta 'mercadoria' já tudo foi dito. Uns outros pilotos, no entanto, mereceram um especial acolhimento. Refiro-me aos representates da Cuca e da Nocal...
O tempo que mediava entre as operações militares e ou serviço ao quartel era passado na gestão de assuntos pessoais, como era o caso da lavagem de roupa, redacção de cartas, etc. e o tempo livre permitia a prática do desporto (futebol, como não?) e a audição de música. Também havia o artista informal que, tocando e ou cantando, algumas vezes nos fazia esquecer o lento correr do tempo. Por sorte, a experiência do comandante da companhia de anteriores comissões, permitiu que se abrandasse o rigor da disciplina e do aprumo própria de uma unidade militar, sem nunca atingir níveis perigosos. Recordo a respeito da “informalidade” do uniforme, (bastante reduzido) que, quando se ouvia o ruído do motor do avião com o correio e víveres frescos, o pessoal se recolhia às casernas, não fosse dar-se o caso de uma visita indesejada de algum oficial superior, o que obrigaria ao traje militar do regulamento. Imagino que lá junto do comando do batalhão não era possível esta versão “light” de vida de quartel. Porém, no caso do Lufico, foi o que permitiu chegar ao fim da comissão sem grandes casos de “cachimbismo” agudo.
Também foi possível instalar um “café” onde, além de se tomar a bica e jogar às cartas, se ouvia e se cantava música, sobretudo as canções que tinham ficado para trás na metrópole. No campo musical a nossa 'prata da casa' não atingia o nível de um Niza... mas lá nos divertíamos na mesma.
Enfim, tudo formas de sobreviver nas condições menos desejadas que alguma vez havíamos sonhado viver. Debaixo delas fizemos amizades e tivemos vivências que ainda povoam, felizmente, a nossa memória. E ao autor deste 'blog' devemos estar gratos por nos manter aberto todos os canais das nossas recordações.
Bem hajas

João Rego (Lufico)

terça-feira, 15 de abril de 2008

BCAC2877 - Angola 1969 a 1971


O nosso companheiro Silva, sempre nos vai remetendo, de vez em quando, umas fotos que consegue encontrar lá por casa.
Desta vez, quando foi apanhado pela objectiva na limpeza do seu "hotel".
Uma recordação, entre muitas que sempre vão aparecendo.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Encontros


Domingo visitei, por casualidade, o nosso antigo companheiro Fernando Madruga - furriel mecanico de armamento.
Uma passagem próximo da Benedita, onde vive, aproveitando um intervalo do que me levou para aquelas bandas, "desenfiei-me" e bati-lhe à porta.
A alegria do nosso encontro, demonstra bem os laços de grande amizade e companheirismo que foram sedimentados durante todos estes anos que tiveram o seu inicio com a guerra de Africa.
Aqui fica este pequeno apontamento, como prova de quanto é bom e salutar o nosso encontro com quem partilhou uma pequena, mas penosa parte da nossa vida.
Outra razão não houvesse, esta seria uma para que se realize o nosso momento de confraternização anual.

terça-feira, 8 de abril de 2008

DO - Acidentado




















Depois de uma missão de Revis ( Reconhecimento aéreo), este foi estado em que ficou uma avioneta Do (27) após ter-se despenhado nas imediações do aquartelamento de Zau Évua.


O piloto faleceu e dois outros militares sobreviventes ficaram muito mal tratados, tendo sido evacuados para Luanda por meios aéreos.





Motor:Lycoming GO-480-B1A6 de 270 hp
Dimensões:Envergadura.................. 12,00 m

Comprimento................. 9,54 m

Altura............................ 3,28 m

Area alar....................... 19,40 m2
Pesos:Peso vazio..................... 983 Kg

Peso equipado................ 1570 Kg
Performances:Velocidade máxima......... 250 km/h

Raio de acção................. 870 km

Tecto de serviço.............. 5500 m

Razão de Subida.............. 198 m/min
Resumo histórico
Os aviões Do 27, de que a Força Aérea teve 133 exemplares nas versões A3 e A4, começaram a ser recebidos em 1961. Estes aviões foram adquiridos para operação no Ultramar, em missões de transporte ligeiro, evacuação sanitária e reconhecimento armado - para o que era equipado com lança foguetes - e operaram, praticamente, de todas as unidades do Ultramar.

No fim das hostilidades alguns aviões foram cedidos aos novos países independentes e os restantes voltaram para a Metrópole

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Benfiquista de gema - conhecem-no ?







Aqui fica mais uma foto onde se reconhecem perfeitamente alguns antigos companheiros.
A curiosidade da publicação da foto, não está na própria foto, mas no facto de um destes dias, quando da inauguração da Casa do Benfica em, não foi em Alverca, mas por aí próximo, lá ter aparecido em plano bem visível o nosso antigo ajudante do capelão.
Reconhecem-no aqui nesta foto ?

sexta-feira, 28 de março de 2008

Poemas da Guerra - Angola 1969 a 1971 - BAC2877








Aqui fica uma referência ao Dr José Niza, médico do BCAC2877.
Para além de médico, tocador de viola poeta e conversador nato, era também, não fosse ele ribatejano de gema, caçador.
(documento recolhido, por casualidade, em Vila Franca de Xira)

O MIRANTE
oferece livro com Poemas de José Niza no 25 de Abril
“Um soldado perdeu uma bala /e que nem um tiro/o cabo disparou/a levar a notícia ao furriel”.
Estes são os versos que abrem o poema “Uma bala perdida”, um dos muitos incluídos no livro “Poemas de Guerra” de José Niza, que será distribuído com a edição de O MIRANTE que sai na semana em que se comemora mais um aniversário do 25 de Abril.
Trata-se de uma colectânea de poemas escritos pelo conhecido músico, médico, poeta e político escalabitano, em Angola, na altura em que ali cumpriu o serviço militar, entre 1969 e 1971. O lançamento do livro está previsto para a véspera do 25 de Abril.
A sessão será integrada na homenagem ao autor, que a câmara de Santarém está a preparar.
O livro Poemas de Guerra está polvilhado de um humor amargo que espelha o ambiente que se vivia entre a juventude portuguesa obrigada a lutar numa guerra sem sentido, como são todas as guerras.

terça-feira, 25 de março de 2008

Zau Evua - Angola - Bcac 2877 - O mato




Uma imagem recebida do nosso antigo companheiro Silva.
Com muito gosto, vamos sempre que tal nos é possível, mantendo um contacto via Net .
Aqui fica o seu contributo, com uma bela foto, demonstrativa do esforço que a NT desenvolviam nas acções apeadas nos densos terrenos repletos de altíssimo capim ou dentro das proprias matas
"O último sou eu JSilva.Andem lá companheiros façam um comentário, não custa nada Vejo blogues doutros batalhões toda gente participa, aqui está tudo esquecido um abraço para todos. "

quinta-feira, 20 de março de 2008

Os professores

Aqui fica a opinião de Joao Rego
Meu caro amigo,

Ainda que com algum atraso, gostaria de te mandar esta reacção ao artigo de um companheiro que se dedicou a desancar nos professores e recordou as Escola Regimental.

Abriu a "Caça aos Professores" e com isso muita gente saíu a terreiro para criticar e condenar a maioria dos professores e as suas actuações. Lidos alguns textos e ouvidos alguns comentários chego à conclusão que quem agora usa o direito/dever de intervenção social o faz com acentuada falta de informação, visto que algumas das grandes condenações e críticas se baseiam em factos e situações que já não ocorrem. Destes factos o mais confusamente apontado é a avaliação dos professores. Intencionalmente ou não, acabou por se passar para a opinião pública que os professores não querem ser avaliados. A verdade, porém, é que os professores tem sido sempre avaliados e muito estranho é que poucas pessoas se tenham importado, durante anos, com o sistema de avaliação que ainda vigora e que é, presentemente, objecto de tentativa de alteração por parte da tutela governamental. É por isso que falo em "caça". Bastou que alguém desse início aos "ataques". Muito curioso é que o sistema de avaliação ainda em vigor (ou em fase de alteração) foi utilizado para se criar uma categoria de professores que terão a seu cargo a avaliação da outra categoria de professores.
É uma pena que durante estes muitos anos não tenha havido uma crítica mais constante à organização do sistema educativo e à actuação dos seus agentes. É por isso que, por exemplo, poucos ou nenhuns professores foram alvo de inquérito, de processo, de castigo, pelo facto de terem sobre-avaliado os alunos? Muito poucos foram os que obtiveram uma avaliação não satisfatória pelo simples facto de que muito poucas foram as denúncias. É que somos muito dados a esperar que alguém, acima de nós, tome a atitude "desconfortável" de denunciar. Sempre houve um serviço de inspecção... que só actuou em função de denúncias/queixas.
Qualquer dia abrirá outra "caça" e lá vamos nós dedicar-nos ao exercício da criticar fora de tempo, enquanto grandes questões da nossa vida vão ser deixadas sem nenhuma crítica ligeira ou profunda que tanta falta faria.
E quanto às aulas regimentais... que bom seria que nas escolas de hoje se pudesse instalar um clima de disciplina que só uma organização militar necessariamente tem que manter.



João Rego (Lufico)