16/10/2012

Golden Gate - Jose Niza

"A obra "Golden Gate – Um quase diário de guerra", de José Niza, é "um livro de memórias" de uma guerra colonial que "aconteceu durante 13 anos", escreve no prefácio o compositor residente em Santarém falecido em 23 de Setembro de 2011.O livro agora editado resulta da correspondência diária que manteve com a mulher durante o período em que esteve "naquele mato de Angola, húmido e quente", no aquartelamento de Zau Évua, entre 1969 e 1971. 
 José Niza fora destacado para o contexto da guerra no Norte de Angola como médico. "Uma guerra onde o médico e o capelão eram os terapeutas do espírito mais ou menos primário e sempre psicologicamente descompensado, daqueles mancebos que, por exclusivas razões de idade, foram incumbidos de defender a Pátria contra o fluir da História". Segundo afirma, "na consulta havia sempre mais gente que na missa", a única excepção era a missa de Natal.
  Das cartas enviadas à mulher, foram retirados extractos que são apresentados nesta obra como páginas de um suposto diário. A 17 de Julho de 1969 Niza escreveu: "Chegou cá a notícia de que o Salazar está muito mal, que está mesmo a morrer. Aliás, ele já morreu há dois anos. A certidão de óbito é que está atrasada".
 Noutro passo, com data de 10 de Dezembro de 1970, dá conta dos presentes de Natal que os militares ali destacados receberam, enviados pelo Movimento Nacional Feminino (MNF): "Um pacote de amêndoas, o que dará uma por cada soldado; meia dúzia de lâminas de barbear; o que dará uma lâmina por cada caserna; e ainda meia dúzia de pastas de dentes, o que só dará para os desdentados".
  "Apeteceu-me escrever à Cilinha [Cecília Supico Pinto, líder do MNF] a agradecer a amêndoa que me coube. E, como deixei crescer a barba, vou oferecer a minha parte da lâmina a quem necessitar".
  Há também excertos mais íntimos, e até confessionais, como a que escreveu a 6 Julho de 1970, dirigindo-se à mulher: "Gostar de ti é uma vocação, um modo de vida, uma ocupação permanente, uma invenção de sonhos, uma antecipação do tempo que há-de vir. Estás presente. Amo-te em full time".
José Niza, autor de temas como "E depois do adeus", foi médico psiquiatra, compositor e deputado e autarca do Partido Socialista em Santarém, onde durante dois mandatos presidiu à assembleia municipal. Residia em Perofilho, nos arredores de Santarém.
  Como músico trabalhou com Janita Salomé, Tonicha, Paulo de Carvalho, Simone de Oliveira e Carlos do Carmo, entre muitos outros, tendo, como autor, vencido quatro festivais RTP da Canção."
In "O Mirante" - http://www.omirante.pt/noticia.asp?idEdicao&id=53865&idSeccao=422&Action=noticia
 
Brás Gonçalves escreveu
  • "Tenho o livro de José Niza lido, como o faço com os livros de poesia, abrindo-o numa qualquer página e a partir daí, para a frente ou para trás.
Para além da curiosidade de saber o que se passou por aquelas terras do fim do mundo, sob o ponto de vista e da experiência do médico, ficou-me também o interesse de saber o muito que José Niza analisou sob a sua experiência em terras de Angola ao sabor da...
sua profissão - médico.
Mias para diante, voltarei para tecer algumas considerações sobre algumas das passagens do livro e do seu estilo de escrita.
Um livro para ler e pensar sobre o que se passava naquela "guerra", as frustações, os traumas, as doenças físicas e mentais. Voltarei ao assunto num dia destes."
 
Barbosa Antonio  escreveu
  • ESTIVE HOJE, PELA SEGUNDA VÊS A LER UM POUCO DO LIVRO NA FNAC NORTE CHOPING. PENSO TRATAR-SE MAIS DE UM LIVRO QUE NARRA HISTORIAS PESSOAIS E CONTANDO APENAS O QUE COM ELE SE PASSOU. NA 2543 ACONTECERAM DRAMAS QUE PELOS VISTOS ELE NEM TÃO POUCO TEVE CONHECIMENTO, ENTRE OS QUAIS MORREU UM NOSSO COLEGA NO DIA 25/07/ 1971, QUASE NA NOSSA PARTIDA PARA LUANDA. COMO ELE ESTAVA EM ZAU ÉVUA PROVAVELMENTE NÃO SOUBE.No livro, José Niza escreve as dificuldades que teve em Zau Evua salientando tambem os mosquitos como nosso grande inimigo. É evidente que tambem eram grandes inimigos, mas recordo que o ano em que lá estivemos em conjunto com a C C S, o numero de colegas com doenças, em relação ao quiende era muito reduzido. O maior problema era o isolamento total da população, mas era um local com muito menos trabalho que o Quiende que para lá de termos tambem uma area do tamanho do Algarve a defender, tinhamos de o fazer apenas com 3 plutões porque o 4º plutão estava destacado num outro local sob o comando do Alferes Albernaz. O Quiende era um local com mosquitos portadores do paludismo em grande escala que quase toda a companhia foi vítima e muitos camaradas, assim como eu, estivemos doentes mais que uma vez. Por via disso tive de estar internado no Hospital de Ambrizete.Ainda falando sobre o livro, Jose Niza escreve a ida do capitão castro para exercer trabalhos naquela cidade que ele muito bem sabia fazer "ou não fosse ele arquiteto" Mas o que eu queria dizer é que aquele lindo jeep que ele pra lá levou, estava obsoleto em Zau Evua. e eu e o amigo Alvaro Baião, restauramo-lo e após ameaças de colegas de que podiamos ser castigados por o alterar ligeiramente. Mas nada disso aconteceu. O capitão de certeza que tinha muito gosto no carro, porque quando eu ia a S. Salvador era um regalo v^lo passar a conduzir o jeep.

Antonio Fernandes j escreveu:

  • Já li o livro quase todo e gosto,

 

 
 
 
 

1 comentário:

Anónimo disse...

Acabei ler o que o Barbosa escreveu, fico contente que alguém se tenha lembrado que o batalhão de caç.2877 não era só a ccs,o Arménio Gonçalves Cabete morreu 21 dias depois não resistiu aos ferimentos. Fui eu que num onimog sem bancos com ele deitado em cima de um colchão meti-lhe o braço por baixo da cabeça, e de vez em quando virava-lhe a cara para escorrer o sangue que se acomolava na garganta, assim fui de cocaras até S.salvador , hoje todas as vezes que passo na praça velha da Figueira da Foz, falo com ele onde está escrito o nome dele numa lápide assim como outros rapazes que morreram aqui do concelho da Figueira. Percebem agora o porquê de eu não ir aos convívios? JSILVA