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18 junho 2012

Senhora da Hora

Em baixo, foto da porta de armas do antigo Regimento de Infantaria 6 - no Porto na Estrada da Circunvalação, próximo da Senhora da Hora, hoje Regimento de Transmissões.
Está a fazer anos que recebi a habitual guia de marcha para a entrega na CP para o bilhete de comboio que me haveria de trazer até ao Porto Brandão.
Sobre a nossa passagem no Porto Brandão, vou ter oportunidade de voltar a falar oportunamente.
Agora quero apenas lembrar o que se passava mais ou menos por esta data dos Santos Populares por aquelas bandas da Senhora da Hora.
Por lá haveria e talvez continue a haver umas festas anuais, muito populares e que levavam aquelas paragens muita gente.  Muito militares, não só do RI 6 mas de outras unidades militares do Porto.
Por aqueles tempos terá havido algum receio de haver confusão e balbúrdia onde os militares pudessem dar a sua contribuição.
Assim, o RI6 mandava para a festa uma patrulha de polícia com um Cabo Miliciano e 2 praças para em caso de necessidade, manter a ordem público dos militares.
E assim era.
Todos os dias durante as festas, a seguir a um lauto jantar, lá iam os 3 militares, feitos polícias para a festa.
Apresentavam-se ao Oficial de Dia e recebiam as instruções da praxe.
Recordo que por uma ou duas vezes me calhou em rifa fazer tal serviço.
Antes da ida ao Oficial de Dia, recebiam-se as instruções do Cabo Miliciano que por tinha andado antes de nós e assim se procedia.
Lá saiam os três militares pela porta da traseira do quartel que ficava relativamente perto do local onde  o arraial estava montado Era por essa mesma porta que se voltava a entrar quando acabava a ronda, por volta da meia noite ou uma da madrugada.
o Oficial de Dia que me calhou foi bem explicito - confusões nenhumas, calma e descontracção.
Outra coisa ou pouco se podia fazer, pois todos levávamos apenas pistola e sem munições. Apenas servia de ornamento e não se justificava que assim não fosse
E assim fiz.
Com as instruções dos anteriores camaradas, fiquei a saber onde se encontrava a barraca de feira que servia a preço especial umas  boas iguarias, regadas com cerveja ou vinho verde tinto que eu ainda hoje aprecio.
Uma volta pela feira para ver o ambiente e apreciar as garotas e lá apancávamos os três "polícias militares" na barraca de comes e bebes e por aí ficávamos até à hora do regresso ao quartel.  As instruções eram de que se nada houvesse a registar, não acordarmos o Oficial de Dia.  Assim sempre se procedeu.  Não me recordo de alguma vez ter havido qualquer problema com os militares.

15 junho 2012

Na Guerra tambem há disto

As histórias passadas na Guerra, são sempre muitas.  Umas de rir, outras de chorar.
A sorte acompanhou o BCAC2877 durante o tempo que por lá andou a pisar as picadas e a desbravar aquele imenso mar de capim que nascia a olhos vistos.
Esta que agora vou tentar passar a escrito tem a ver com praticamente a data da nossa chegada a esse imenso deserto de humanidade a    que se chamou Zau Évua e que penso que só foi criado para colocar num "Tarrafal Angolano" todos os que lá foram parar.
Não tinham passado muitos dias da nossa chegada à capital do BCAC2877 quando eis que, isto era no princio da noite, ainda aquele lusco fusco não deixava que o breu das noites africanas ocultassem a claridade e a imensa estepe que circundava o aquartelamento se transformasse numa imensa escuridão. se ouvem umas rajadas de G3.
Gerou-se o alvoroço natural de quem chega à "guerra" e se depara com um presumível ataque dos "turras". Reboliço, movimento de pessoal dentro do arame farpado e de vez em quando lá se ouvia mais uns tiros.
A minha primeira preocupação foi procurar o meu "chefe" que era na altura o Ten Cor Matias, talvez ainda Major na altura.
Eis que o encontro na messe de oficiais, com a sua habitual calma, a que eu próprio me fui habituando, jogando sozinho um qualquer jogo de cartas.  Fez-me sinal, para esperar, para ter calma.  Assim fiz.
O tiroteio passou, tudo voltou à normalidade, segui-se o jantar e a vida continuou.
Os comentários surgiram sobre o que teria acontecido - nada mais nada menos que umas pacaças ou burros do matos que foram pastar para a pista de aterragem e terão sido os reflexos dos seus olhos que chamaram a atenção do sentinela que estava de vigia na torre da porta de armas, brilhando ao longe.
Tudo teria acabado senão tivesse acontecido um daqueles episódios caricatos, próprios destas ocasiões.
Então o que foi?
O Silva, furriel Cripto, pegou na espingarda, nas cartucheiras e capacete ( o nosso conhecido penico) e lá  foi à procura de que precisasse de ajuda para a defesa do quartel.
Até aí tudo bem.
Só que se esqueceu de calçar a botas e lá continuou de sandálias de enfiar no dedo.

13 junho 2012

Regimento de Infantaria 6 - Porto

Para alem de outras lembranças trazidas à memória pelo dia de Santo António que hoje se comemora, recordamos aqui a nossa passagem pelo RI 6 - Porto.
O exercito sempre teve a faculdade de nos começar a mentalizar para a ida à guerra, mesmo muito antes do nosso ingresso nos serviço militar.  Depois da inspecção, sempre se ficava uns tempos à espera da incorporação. Depois finalmente tal acontecia.
Para que vivia na periferia de Lisboa, foi normal ter sido colocado em Tavira a  trezentos e tantos quilómetros de casa. Por seis meses, pois foi a recruta e a especialidade.
Nada melhor que continuar nas Caldas da Rainha, mais cento e tantos quilómetros de distância.
Como se isso não bastasse, em Março de 1969 passamos a fazer parte da equipa do RI 6 que preparava mais uma fornada de militares para a Guerra de África, por aí ficamos até ao inicio de Junho, onde finalmente chegamos ao Porto Brandão, ali na margem sul do Tejo, num antigo quartel que serviu de poiso a uma bateria de artilharia anti-aérea que servia de protecção a Lisboa.
Voltando ao RI 6, que tem como base esta nossa mensagem, pois foi aí que tivemos contacto com muitos dos companheiros   com quem fizemos a viagem para África.
No RI 6 era dada a instrução aos soldados, muitos deles que chegaram a pertencer ao PELREC, alguns cabos milicianos que seguiram connosco no BCAC2877 e até um aspirante miliciano sapador que desertou antes do embarque.
Foi um companheiro que perdemos a partir dai o seu rasto.
Numa noitada pelas ruas do Porto em que ele nos acompanhou, todos bebidos de alguma forma, algures num jardim do Porto, a caminho do quartel e em horas tardias, sacou dum pedaço de papel que tinha sido uma das toalhas que cobriram uma das mesas duma tasca por onde passámos, e sentado sobre o encosto dum banco de jardim recitou um enorme e bem urdido poema.
Foi o último contacto com aquele camarada.
Foi chamado para Lamego, como era hábito na altura, para uma especialização em minas e armadilhas e de lá não voltou mais à tropa. Desertou

11 junho 2012

Passos Coelho esqueceu-se dos antigos combatentes

Os combatentes, enquanto tal, vivos ou mortos, tem que merecer o respeito e a consideração do Estado ou da Nação que honraram  com o seu labor, com as cores do seu uniforme e com a força da sua arma.  Vencidos ou derrotados, merecem o mesmo respeito. Aliados ou inimigos igualmente tem que merecer o respeito de cada uma das partes que se defrontaram.  Mesmo no terreno do inimigo e passados tantos anos depois da guerra ter acabado, uns e outros merecem igual consideração. Não se percebe o esquecimento de Passos Coelho e de Paulo Portas que  sendo muito mais "nacionalista" que o Primeiro Ministro, nem sequer se manifestou em actos e muito menos em palavras.  https://www.facebook.com/zauevua.angola

Passos Coelho em Moçambique

Esqueceu-se dos combatentes  portugueses que morreram e estão sepultados em Moçambique
Email recebido e que a ser verdade, este menino não mereceu outra coisa que ser denunciado pela actitude.
"
Passos Coelho em Moçambique
UMA VERGONHA…
Vejam a carta (e-mail) de Luís Bento, ex-combatente, depois da foto.
Uma vergonha o que estes fulanos do Governo fizeram e fazem...
Mais uma vez os nossos ex-combatentes foram humilhados e IGNORADOS !!!
Recado para o Sr. Coelho de Massamá e restante séquito governamental.
Fui um dos Portugueses que votou em si para Primeiro-Ministro de Portugal.
Estou desiludido com V.Exa.
Não se pense porque me tirou na reforma ou porque está dificultando brutalmente a vida dos Portugueses.
Nada disso!
Isso são "situações" que terá de resolver, para tanto candidatou-se, voluntariamente, a essa tarefa.
Sabia para o que ia!
Cumpra!
Acabo de ler algures que V.Exa. depositou, em Maputo, um ramo (coroa) de flores em homenagem aos guerrilheiros da independência de Moçambique, especialmente a Josina Machel.
É verdade?
Muito bem!!
Como sabe em Maputo há dois cemitérios com militares Portugueses mortos em combate, que dignificaram as suas vidas morrendo em defesa da Pátria Portuguesa.
Pensou, durante um brevíssimo segundo, neles?
Referiu essa efeméride?
Esqueceu-se?
Ou teve respeitos humanos?
Colocou uma simbólica rosa em memória desses seus compatriotas?
Preocupou-se em saber a indignidade que revelam as suas campas? (CEMITÉRIO COMPLETAMENTE ABANDONADO)
Claro, que não!
Estou envergonhado perante a memória desses meus ex-camaradas militares, com a sua atitude (ou falta dela), Senhor Primeiro-Ministro!
Estou certo que Portugal lamenta !
Não esqueceremos V.Exa(?) na hora da próxima votação.
Luís Bento
ESTES MENINOS QUE NEM À TROPA FORAM NÃO SABEM O QUE SIGNIFICA A PALAVRA PATRIOTISMO."

06 junho 2012

Natal e Páscoa na Guerra

Para quem não tinha fonte de inspiração filosófica uma qualquer religião, mesmo longe dos seus entes mais queridos e  da sua santa terrinha como se costuma dizer, a passagem pela guerra e por África, nada acrescentou ou diminuiu aos seus sentimentos.
Nos últimos dias tenho voltado a ler algumas passagens do livro "Zau Évua terra de ninguém sitio de vivências" escrito pelo nosso antigo companheiro da CCAC105  que esteve em Zau Évua um ano depois da nossa saída onde relata a passagem destas datas, adornadas com os conhecimentos da matéria e muito bem bem explicadas
Aí em diversas passagens daquele livro faz referências às datas festivas - Natal e Páscoa.
Recordo que por essas festas, quando o capelão se encontrava em Zau Évua certamente que os ofícios religiosos que a cada uma daquelas datas correspondia, eram oficiados.
Lembro bem as ceias de Natal onde se juntava toda a tropa e o manjar era o nosso conhecido  bacalhau cozido, que vinha da Metrópole em embalagens de zinco envolvidas em caixotes de madeira, condimentado com cal para não se estragar.
Pela Páscoa, não tenho memória, talvez porque já passaram tantos anos e a memória já começa a esgotar-se, que tenha havido alguma comemoração especial, para além da missa.
Talvez um rancho um pouco melhorado no Domingo, com carne de burro do mato ou pacaça.  Mas, nada disso era novidade, porque essa ementa à base da carne de caça era afinal a do nosso dia a dia.
A Guerra também embrutece a alma e o alimento do espírito, nessas datas e nesse tempo, ficaram muito para trás.

31 maio 2012

Guerra Colonial - Guerra de África

Foi por aqui que nós andamos
Uma parte do nosso esforço que por lá deixamos,
 está a ser roubado hoje às nossas pensões de reforma.

28 maio 2012

RETALHOS da nossa vida em Zau Évua

Com as novas tecnologias que introduziram na maquinaria um sem número de novas funções, quase que hoje não se é obrigado a carregar no botão para colocar um engenho doméstico em funcionamento.
Isto a propósito das máquinas de lavar roupa - cada vez mais modernas e sofisticadas.
Mas que tem a ver esta conversa com Zau Évua ou com o Bcac2877?
Tem a ver e muito.
Então passemos a contar o que se passava com a lavagem da minha roupa durante os dois anos de campanha.
Fui sempre eu que tratei da minha roupa meu companheiro de quarto, o Adelino,  rádio montador de profissão na Guerra, arranjámos uma máquina de lavar que  era composta pelos seguintes elementos: uma celha de madeira, feita dum antigo barril de vinho cortado a mais ou menos 3/4, um sistema de colocação de detergente manual ( colocava-se o detergente à mão dentro da celha e mexia-se durante algum tempo para dissolver o detergente),  a roupa metida de seguida na celha e mexia-se bem com um centrifugador composto pelas nossas mãos e deixa-se em repouso  até ao dia seguinte, normalmente pela hora do almoço.
Nessa altura, colocava-se a celha no centrifugador,  debaixo do chuveiro, passava-se a roupa por água limpa  e punha-se a secar, junto ao arame farpado.
Havia dias em que o calor era tanto que ao fim da segunda ou terceira ida ao arame farpado, já trazíamos a primeira peça de roupa por se encontrar seca.
E assim era  a nossa máquina de lavar roupa no Zau Évua

22 maio 2012

Caixa de música

Naquele tempo já havia a loja do chinês em Luanda e era aí que se
compravam algumas "prendas" quando do regresso ao "puto". Aqui lhes
deixamos foto de um exemplar de "caixa de música" que se usava na
altura para a guarda de jóis e outros pequenos utensílios

21 maio 2012

Hospital Militar

Acabaram os diversos Hospitais Militares, pois já não era sem tempo.
Os milhões de Euros que se foram por ali gastando em tempos de paz.

para quem passou pela Guerra de África, como ex-combatente e com maselas fisicas ou psicológicas será que a partir de agora pode ser consultado num dos 2 hospitais?
Leia mais aqui

Ilha do Mussulo - Artesanato

Peça de artesanato adquirida em Julho de 1971 na Ilha do Mussulo - Angola

20 maio 2012

17 maio 2012

Pensamentos e realidades

Por vezes e são muitas as vezes, muitos dias,que não colocamos, fotos ou escrevemos uma pequena mensagem que seja, aqui neste meio de comunicação global e universal.
Por estranho que pareça, e isto aconteça connosco, em cada momento que abrimos a porta do blog, para colocar uma foto ou escrever meia dúzia de palavras, como agora estamos a fazer, sempre nos assalta o pensamento umas tantas recordações de algo que tem a ver com Angola ou com a Guerra.
Não conseguimos  por enquanto, recolher informação da razão de tais acontecimentos.
Não existe sensação de tristeza, de alegria  ou de ressentimento pelos anos que por lá andamos.
Que os pensamentos se cruzam, isso sim, os de lá, com os de cá, sem razão aparente.
Vamos continuar a busca da razão de tais acontecimentos.  Esperemos que não haja nunca razão sobeja para procurar acompanhamento médico para tal situação, se ela se agravar.
Apesar de tudo, deixamos aqui ficar esta nossa experiência, que não sendo diária, persiste em nos acompanhar em muitos momentos do dia a dia.

Tomboco - artesanato


Peça de artesanato dos anos 69 a 1971 adquirido no Tomboco, quando da nossa estadia no Norte de Angola

10 maio 2012

Jose Niza

Última carta a José Niza

Meu Caro Zé:

Sei que a minha carta anterior ainda chegou a tempo mas que já não houve tempo para mais nada. Partiste hoje, em paz com mundo que amaste, com os poetas que viveste, com os músicos que tocaste, com os teus poemas e músicas, connosco, afinal, no coração. Hoje, agora, Depois do teu Adeus, deixo-te outra vez um abraço, pois sei que a Morte não existe. Um abraço de lágrimas, é certo, que é com mágoa profunda que sei da tua partida, quando tanta falta fazias a este país e a Santarém. A tua partida é o mais rude golpe que a crise provocou na cidade do teu coração.E sei que conforme sabe da trágica notícia, a tua cidade chora por ti. Mas alegra-te, homem, que é um choro de aplauso, de gratidão, de reconhecimento, de admiração, de afecto por um dos seus melhores filhos. E não te perturbem estas palavras molhadas com que te digo Adeus até Depois do Adeus. São escritas por lágrimas ditadas pela coração. Adeus, meu querido amigo. Até depois Adeus.

07 maio 2012

Luanda

                                                                                               Recordar . . .

03 maio 2012

Luanda

    Foi aqui neste cais, que desembarcamos em Julho de 1969 e neste mesmo local fizemos o regresso em Agosto de 1971

29 abril 2012

DETALHES ROBERTO CARLOS

Roberto Carlos - 1971

Veja quais músicas estiveram entre as 100 músicas mais tocadas em 1971, ano do nosso regresso

1971

1
Detalhes - Roberto Carlos
2
Tarde em Itapoã - Toquinho, Vinicius & Marília Medalha
3
It's Too Late - Carole King
4
Você Abusou - Antonio Carlos & Jocafi
5
How Can You Mend A Broken Heart - Bee Gees
6
Have You Ever Seen The Rain - Creedence Clearwater Revival
7
Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos - Roberto Carlos
8
Ê Baiana - Clara Nunes
9
Maggie May - Rod Stewart
10
Candida - Dawn
11
Never Can Say Goodbye - Jackson 5
12
Menina da Ladeira - João Só
13
Como Dois e Dois - Gal Costa
14
Cotidiano - Chico Buarque
15
Rose Garden - Lynn Anderson
16
You've Got A Friend - James Taylor
17
A Tonga da Mironga do Kabuletê - Toquinho, Vinicius & Monsueto
18
My Sweet Lord - George Harrison
19
Você - Tim Maia
20
Black Magic Woman - Santana
21
What's Going On - Marvin Gaye
22
If - Bread
23
Joy To The World - Three Dog Night
24
Festa Para Um Rei Negro - Jair Rodrigues
25
Me And Bobby McGee - Janis Joplin
26
Be My Baby - Andy Kim
27
Theme From Shaft - Isaac Hayes
28
Amada Amante - Roberto Carlos
29
O Cafona - Marcos Valle
30
No Matter What - Badfinger
31
Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar) - Tim Maia
32
Lonely Days - Bee Gees
33
Another Day - Paul McCartney
34
I Love You For All Seasons - Fuzz
35
Mother - John Lennon
36
Casa no Campo - Elis Regina
37
She's A Lady - Tom Jones
38
(Where Do I Begin) Theme From Love Story - Francis Lai
39
Com Mais de Trinta - Marcos Valle
40
De Noite na Cama - Doris Monteiro
41
Don't Pull Your Love - Hamilton, Joe Frank & Reynolds
42
Desacato - Antonio Carlos & Jocafi
43
Fire And Rain - James Taylor
44
It Don't Came Easy - Ringo Starr
45
Family Affair - Sly & The Family Stone
46
Capim Gordura - Ivon Curi
47
Knock Three Times - Dawn
48
Quem Mandou Você Errar - Claudia Barroso
49
16 Toneladas - Noriel Vilela
50
A Festa de Santos Reis - Tim Maia
51
Mudei de Idéia - Antonio Carlos & Jocafi
52
One Bad Apple - Osmonds
53
Balada #7 (Mané Garrincha) - Moacyr Franco
54
Mas Que Doidice - Maria Creuza
55
Ovo de Codorna - Luiz Gonzaga
56
Impossível Acreditar Que Perdi Você - Marcio Greyck
57
Oh Me, Oh My - B.J. Thomas
58
Sanctus, Sanctus, Hallelujah - Barry Ryan
59
Gypsy Woman - Brian Hyland
60
Carta de Amor - Waldik Soriano
61
Amanda - Taiguara
62
Look Around (You'll Find Me There) - Al Martino
63
Construção - Chico Buarque
64
Tengo Tengo (Mangueira, Minha Madrinha Querida) - Jair Rodrigues
65
Bloco da Solidão - Altemar Dutra
66
Kokorono Niji - Os Incríveis
67
O Último Romântico - Agnaldo Timóteo
68
José - Nalva Aguiar
69
Boêmio Demodê - Cyro Aguiar
70
Oh Me, Oh My - Lulu
71
Deus Lhe Pague - Chico Buarque
72
It Don't Matter To Me - Bread
73
Superstar - Carpenters
74
Brown Sugar - The Rolling Stones
75
One Less Bell To Answer - The 5th Dimension
76
Eu Não Tenho Onde Morar - Ed Lincoln
77
Toast And Marmalade For Tea - Tin Tin
78
Montego Bay - Bobby Bloom
79
I Think I Love You - The Partridge Family
80
Não Existe Nada Além de Nós - Joelma
81
Como Dois e Dois - Roberto Carlos
82
Procurando Tu - Ivon Curi
83
Domingo de Solidão - Carmen Silva
84
Te Quero... Te Quero - Joelma
85
The Tears Of A Clown - Smokey Robinson & The Miracles
86
Adeus Solidão - Carmen Silva
87
Acapulco Gold - Mazon Dixon
88
O Fim - Carmen Silva
89
Pra Começo de Assunto - Elizeth Cardoso
90
De Tanto Amar - Claudette Soares
91
Ei, Meu Pai - Demétrius
92
Bloco da Solidão - Maysa
93
O Velho e o Novo - Agnaldo Rayol
94
Mr. Big Stuff - Jean Knight
95
Just My Imagination - The Temptations
96
E Lá Se Vão Meus Anéis - Márcia
97
All Right Now - Free
98
Ainda Queima a Esperança - Gilberto & Gilmar
99
We've Only Just Begun - Carpenters
100
Lola - The Kinks

Domingos e Feriados na Guerra?

Não havia Domingos ou Feriados.

A Guerra não tinha interregnos, não parava nunca.
Quem viveu na guerra", entre o arame farpado e as saídas para o mato em patrulhamentos,  nomadizações ou apoio a colunas civis de abastecimento (MVL), pouca ou nenhuma diferença existia entre ser dia de semana, ferido ou Domingo.
A diferença existia apenas na perigosidade e no esforço que as saídas dos aquartelamentos suscitavam e as folgas para ganhar forças para a próxima saída.
As quarta-feiras e aos Domingos, havia uma sessão de descontracção para quem estava no aquartelamento - a chegada do MVL que ora vinha de Luanda ou ia para Luanda no seu regresso de entrega das mercadorias para abastecer civis e militares no trajecto que seguia até um pouco ao Norte de S Salvador do Congo. Havia sempre a hipótese de chegar algum correio ou vir algum companheiro ou amigo de infância, da recruta ou de qualquer outro local.  Era sempre um momento de alegria e descontracção.  A sua paragem dava para refrescar o corpo com umas cervejas nas cantinas, os passantes e um bom motivo para saber de novidades de Luanda ou de qualquer outro local.
Os aquartelamentos do Lufico e Zau Évua,estavam isolados, não estavam inseridas  num núcleo populacional,  o próprio aquartelamento era a "própria povoação".
O Tomboco, já tinha alguma vida própria, com algum movimento de civis, uma missão cristã e um posto do Governo.
Quiximba e Quiende, eram vizinhos duma sanzala com elementos oriundos de zonas do Sul de Angola numa tentativa de colonização daquelas áreas que ficaram desoladas e sem população desde o inicio da guerra.  As idas à sanzala, em "passeio" também não serviam muito como "passeio dos tristes", como por aqui se chamam os passeios que começam e acabam sempre nos mesmos sítios e da mesma forma.

 Aos Domingos havia sempre uma outra expectativa quando havia futebol.
Os relatos do campeonato de futebol do "puto" eram ouvidos nos pequenos transístores e davam para as habituais discussões e disputas clubisticas, tal qual as de hoje.
Um motivo para mais umas cervejolas e umas apostas.

Aproveitava-se também para acertar o calendários dos campeonatos de futebol entre os diversos pelotões e serviços, nos estádios improvisados de cada aquartelamento.  O rigor das arbitragens à data, não diferem muito das do momento nos nossos campeonatos oficiais.  Não nos recorda de por lá ter existido algum "apito dourado", mas más arbitragens e, isso houve.  Verdade se diga, que muitos dos erros tiveram como causa o estado dos "relvados" que não ajudava aos praticantes e criando enormes dificuldades aos árbitros.
Da mesma forma que a guerra não tinha pausas, as refeições, as transmissões e outros serviços não podiam parar e as escalas funcionavam sempre nas 24 horas do dia sem interrupção.

(estas fotos foram retiradas da Internet e não tem mesmo nada a ver com os Domingos e Feriados, mas são bonitas)

27 abril 2012

Zau Évua - desporto federado (?)

Sabem que eles são?

4) - Poemas da Guerra - José Niza - (coninuação)

4) - Poemas da Guerra - José Niza - (continuação)

No que me dizia respeito, sobretudo como médico, fiquei preocupado.  Numa situação semelhante, o que é que poderia fazer com os meios e experi~encia ao meu dispor?  O facto é que, como tinha investido tudo na psiquiatria, pouco ficara para as outras especialidades masi próprias de uma guerra, como as cirurgias e ortopedias. Receava que de um momento para o outro me pudessem cair em cima minas, explosões, tiros, emboscadas, fraturas, hemorregias... Não dispunha de quaisquer meios auxiliares de diagonóstico. Nem análises, nem Raiso X. Nada. Apenas o "olho clinico" e a dedicação de enfdermeiros simpáticos, formadosn à pressa, que mal sabima dar injecções. Tal como os condutores dos carros de combate, que mal sabiam guiar.  Uns e outros, foi na guerra que aprenderam. (Continua)

23 abril 2012

Trovoadas, relampagos e outras "larachas"

Não tem havido paciência e tempo, mais daquela do que desta, para escrever ou coligir algo sobre aquilo que muitas vezes nos vem à mente, em especial, em dias de tormenta como o dia de hoje.
Especialmente nas tardes de chuva e vento, trovoada e raios com fartura que iam inundando o horizonte, chegavam mais rapidamente  do que iam.
Trovoadas com enormes bátegas de água que acompanhas de grande ventania, inundavam as pequenas valas que existiam em frente de algumas das instalações e todos os arredores do aquartelamento formando enormes lagoas, onde alguns brincalhões fabricaram jangadas para nelas se distraírem
Vento tormentoso e forte que algumas vezes levantou a cobertura em chapa zincada, importada do Japão, muito fina, tal folha de Flandres,  que servia de telhado das casernas e outras instalações.
Á secretaria do batalhão e às instalações do pessoal das transmissões  uma enorme trovoada fez com que o telhado  se dobrasse e voasse aos pedaços.
A prontidão e a eficiência dos "interessados " nas reparações obviou a que os estragos produzidos não tivessem sido significativos.
Vem à recordação o momento em que o Furriel Armando Fernandes das Operações, saía messe para ir para o seu quarto, que ficava junto da CCS, quando um relâmpago iluminando os céus deixou cair sobre Záu Évua um trovão tal como uma "bomba atómica". Armando Fernandes, não suportava os relâmpagos e muito menos os trovões. Ficou "arrelampado", desequilibrou- se e deu um enorme trambolhão tendo resultado daí, um enorme golpe num dos joelhos que obrigou a uma ida à enfermaria para ser suturado.
Nada de especial se já não tivesse a Guia de marcha para regressar ao "puto".  Assim veio ele para Luanda, perneta e de perna "entrapada"
Ao "puto" chegou bem, pois ainda foi a muitas das nossas confraternizações.  Agora, deve estar em recolhimento, ali para os lados de Leiria onde mora, pois sendo sempre convidado para os almoços, não aparece.
 
 Para o próximo convite, vamos mandar-lhe em anexo um boletim meteorológico para o dia do almoço, pois assim, não havendo nesse dia hipóteses de trovoada, sempre pode aparecer.
 
Aqui fica um grande abraço para ele

20 abril 2012

3) - Poemas da Guerra - José Niza


"3) - Poemas da Guerra - José Niza - (coninuação)

A nossa chegada ao aquartelemento de Zau Évua, no norte de Angola, a uma centenas de quilómetros
 de Luanda, não nos deu grande alento.  Dias antes, uma emboscada a um grupo de combate de uma das companhias que íamos render, tinha feito mais de vinte mortos. Seria tambem um aviso para nós?"

CARNAVAL EM ZAU ÉVUA

Aqui o carnaval é todo o ano
desde o içar da bandeira
ao cair do pano

trezentos soldados
mascarados
suam bem suados
baga de suor de um confetti
amarelo verde e encarnado
que não é daqui

um clarim toca
várias vezes ao dia
(Pavlov descobriu
que reflexos condicionados
tambem serviam para os soldados)

eu vou estando

e não esqueço

adeus
até ao meu regresso

19 abril 2012

Zau Evua - recordações

ex-furriel Amanuense Aires junto aos brasões do Batalhão, do PelRec e do Pelotão de Sapadores.
No Brasão do Batalhão está inscrita a data da nossa chegada - 4-8-69 - a Zau Évua

18 abril 2012

2) - Poemas da Guerra - José Niza

2) - Poemas da Guerra - Jose Niza

"Aí se perdeu a oportunidade única de construir uma solução política negociada que respeitasse e garantisse os interesses dos portugueses e dos angolanos.  Teria sido possível chegar lá.  Mas não com Salazar, que optou pelo isolamento (portugal orgulhosamente só) e pelo de lírio ( Portugal não é só um país europeu e tende cada vez mais a sê-lo cada vez menos).
Foi preciso vir a libertação do 25 de Abril para que todod este pesadelo acabasse."

16 abril 2012

Confraternização de 2012

Começa a ser tempo de se definiram a data e o local para a confraternização de 2012.
Tem sido hábito desde há muitos anos que o evento se faça em Setembro e que o local esteja próximo de uma saída de auto estrada, para obviar a enganos e a "saídas de estrada".
Pretende-se este ano que a orientação seja a mesma, quer para o local que para a data.
Já solicitamos que nos informassem de um local onde a custo baixo e com uma ementa razoável, pudessemos passar mais uns momentos agradáveis.
Reiteramos o pedido, pelo que ficamos a aguardar informações, dicas e sugestões para o efeito.

14 abril 2012

1) - Poemas da Guerra - Jose Niza

1) - Extractos da "introdução necessária" do livro de poemas : Poemas da Guerra  de José Niza

"O tempo e o lugar das coisas

Estar durante dois longos anos na frente de combate de uma guerra, já é uma  situação limite. Mas estar numa guerra injusta, sem sentido nem saída à vista, é demolidor.  Muitas centenas de milhares de jovens portugueses, ao longo de treze anos, passaram por esta estúpida teimosia de Salazar e dos militares ultramontanos das brigadas do reumático.
integrado no Batalhão de Caçadores 2877 como alferes miliciano médico, embarquei para Angola em meados de  Julho de 1969.  A guerra colonial já durava há oito anos e as situações em Angola, Moçambique e sobretudo na Guiné, não demonstravam sinais de qualquer progresso, antes pelo contrário.
Antes da guerra,  em 1958, 1960 e 1963, eu já tinha estado em prolongadas estadias em  Angola, que fiquei a conhecer bem, de norte a sul e do interior ao litoral.  Em 1958, nas eleições presidenciais,o General Humberto Delgado teve mais votos que Américo Tomás.  E existia organizado um movimento pró-indepêndencia branca, influenciado pela Rodésia de Ian Smith.  Eram os primeiros avisos  No verão de 1960, havia já a percepção de que qualquer coisa estava estava para acontecer, sentia-se no ar um cheiro a pólvora.  Mas o olfacto de Salazar não o sentiu.  Ou não o quis sentir.  De Angola e do seu povo, nada conhecia, só de ouvir falar. Tal como Bush em relação ao Iraque. " - continua

CCAC2542 - Confraternização de 2012

Temos notícia de que o almoço deste ano se faz em Vila Nova de Gaia a 05 de Maio.
O facebook tem estas coisas.
Muito, digamos antes, alguns dos nossos antigos companheiros, tem sido "caçados" por nós através desta rede social.
Assim conseguimos o contacto com o ex-CMDT da CCAc2543 à data Capitão Gaioso Vaz que fez o favor de  responder a uma mensagem que lhe enviámos.  Foi por sua indicação que soubemos da data da confraternização anual daquela Companhia.
Vamos dar referência de mais alguns ex-companheiros logo que o possamos fazer.
Da mesma forma, gostariamos de saber os dados  de mais alguns que tenham pertencido aquela companhia.

13 abril 2012

CCAC 2542 - LUFICO


Uma foto "rapinada" do Facebook
Finalmente conseguimos encontrar alguem da CAC2542 com muitas fotos que sempre procuramos.
Aqui , público, um abraço para o nosso antigo companheiro do BCAC2877